domingo, 27 de setembro de 2009

Um idiota com dinheiro

Faça a seguinte experiência. Pegue 100 idiotas, das mais sortidas classes sociais. Dê a elas R$ 100 e jogue-as dentro de um shopping center, com a condição de que gastem no shopping e respondam duas perguntas no final do dia: o que compraram e no que acreditam. Um idiota com dinheiro é apenas um idiota com dinheiro; não é porque ele é rico ou bem-sucedido que será uma pessoa melhor. Pode justamente acontecer o contrário: o 'vil metal' do Belchior (de volta à mídia no final dos seus 15 minutos de retorno) vai apenas mostrar a sua verdadeira face, escondida sobre camadas de verniz social e politicamente correto.

Na coluna do retardado mental do Diogo Mainardi* do dia 16 de setembro "Petróleo... Na África", e com a recente coluna "O Presidente-Muamba", do dia 25, vemos quem é o verdadeiro idiota em todo este nosso carnaval midiático. As duas peças se encaixam no script apontado por todos os verdadeiros jornalistas, aqueles que viveram de fato a profissão em seus altos e baixos, longe dos cursos preparatórios das behemoths da comunicação brasileira: que a direita brasileira prega ininterruptamente em direções opostas. Onde houver clareza, espalhará dúvida; onde houver vontade, espalhará o desânimo; onde houver progresso, espalhará a tucanagem.

Na coluna da semana passada, Mainardi fez de maneira zelosa e descritiva o desdém que sente pela abordagem do Governo Federal na questão da exploração do petróleo na camada pré-sal na costa brasileira. Afirma que, com a descoberta de petróleo no pré-sal de Serra Leoa, na costa da África Ocidental, o Brasil entra natimorto no ciclo do petróleo mundial: "O pré-sal tem tudo para repetir o ciclo da borracha. Do apogeu à queda. A belle époque amazonense recorda a belle époque lulista". Poucas linhas antes celebra o acordo firmado pelo governo de Serra Leoa de concessão seria o mais correto: "Igual ao dos Estados Unidos". Obviamente que o modelo funciona bem para os americanos, uma vez que são eles segurando a faca na garganta dos outros.

O modelo americano, tão celebrado pelo colunista ítalo-estadunidense-brasileiro** produziu diversas democracias ao redor do mundo: o Shah do Irã, a teocracia da Arábia Saudita (que só não é combatida pela opinião pública como misógina, retrógrada e assassina por conta da contextualização econômica entre os dois lados do balcão de negócios) e Saddam Hussein, que por duas vezes deu dinheiro aos americanos: com o petróleo na década de 80 e com as empreiteiras no século XXI (mesmo assim, escolhi ser jornalista a ser engenheiro. Não queria ser um novo Carlos Vilela no futuro). Os falcões conservadores da Nova Inglaterra, juntamente com o Carlyle Group, estão migrando suas nuvens de gafanhotos do Oriente Médio para voltar à África, como numa nova corrida colonialista, rivalizando com os chineses que já haviam descoberto a Mãe da Humanidade há alguns anos - tendo como Angola o principal exemplo de neocolonialismo econômico.

A teoria de Mainardi - e de grande parte da chamada "Imprensa Golpista" brasileira - é o que nos círculos mais recônditos da internet chamam de "Troll Falho". Alimenta chamas de polêmica sem sequer prestar atenção nos pilares básicos de uma boa discussão, soterrando a lógica com chorume e insultos de pré-primário. Chama Lula de caudilhista e retrógrado por conta da postura tomada na questão dos energéticos submersos, mas deixa de lado o "nerve" brasileiro em reafirmar que o "Petróleo É Nosso", uma vez que temos potencial tecnológico para extrair o em águas profundas (muito mais rápido que a concorrência, devido à experiência da Petrobrás em operar na costa brasileira), além da estabilidade política do Brasil em relação ao outro lado do Oceano Atlântico. Enquanto que lá chefes tribais perguntam a seus desafetos políticos "manga curta ou manga comprida?" com um facão (afim de saber onde será feita a amputação, no pulso ou no ombro), o Brasil mesmo com seus Sarneys, Serras e Zés Dirceus, ainda consegue ser uma democracia sólida de sucessão de governos pacífica e produzindo petróleo. Não precisa ser um MBA para saber qual é o lugar com maior liquidez nos negócios.

Falando em democracias, a manhã de domingo ficou um pouco mais conservadora com a abordagem da imprensa abrilesca sobre o abrigo do presidente deposto de Hondura, Manuel Zelaya. Seja pelas armas convencionais (das páginas do miolo, temperadas com anúncios) ou pelas "operações especiais" dos formadores de opinião da tucanagem paulistana de 18 a 55 anos, a missão é a mesma: colocar o Brasil como um comprador de feijões mágicos ao dar abrigo ao presidente hondurenho após ser deposto em conjunto pelo Poder Legislativo, Judiciário e Eclesiástico de seu país. De mais a mais, a própria Constituição hondurenha não reconhece a legitimidade de qualquer governo que tenha sido alçado por meio de golpe, militar ou não. Fica a pergunta: quem feriu primeiro a Constituição? É crime discutir, debater o que está escrito em pedra? Fosse assim, ainda estaríamos no Código de Hamurabi.

Para os "teóricos de Diplomacia e Relações Internacionais" Miriam Leitão e Alexandre Garcia (da sempre imparcial, justa e decente Rede Globo), o Brasil deveria manter-se neutro, como um cidadão que fica calado quando vê uma mãe adolescente descontrolada bater violentamente em uma criança por uma mera birra. Para eles, o Brasil não pode se destacar na multidão de repúblicas bananeiras. O Brasil não pode ter opinião lá fora, pois o povo pode se acostumar com essas idéias e sair da revolução feita no sofá de "#forasarney".



Um idiota com dinheiro continua sendo um idiota. O Brasil mostra que se esforça em deixar de ser apenas um idiota com dinheiro: está opinando e defendendo posições, primeiro lá fora. Sempre fomos bons em primeiro exportar, para depois colocar no Mercado Interno. Espero que este choque de consciência acabe sendo absorvido pela opinião pública brasileira (muito mais forte que a dos colunistas de esquerda ou direita) e se sobreponha.

E, como era de se esperar, o primor do sentimento de orgulho nacional da Imprensa Golpista está estampado na capa da "Veja". Aquela mesma que colocou Lula com uma marca de sapato nas nádegas e o Brasil como um mero garnizé diante da Águia americana. Nessas horas eu pergunto se Deus, em sua infinita sabedoria, me deixou de fora de lá por duas vezes para que eu não sentisse nojo imediato dessa profissão que escolhi.



"Se o país [Brasil] é humilhado pelos vizinhos, tem suas riquezas roubadas impunemente e acumula derrotas nos organismos internacionais, é porque o presidente e seus diplomatas escolheram o caminho da ideologização da diplomacia nacional".

Sem me apegar à imbecilidade de seu argumento, caros Otávio Cabral e Duda Teixeira, eu pergunto com a inocência de uma criança que deixou a cartilha: IDEO-LO-QUÊ?


* Mino Carta uma vez disse que "O máximo que o cidadão [Diogo Mainardi] produz com perfeição é paralisia cerebral". Provavelmente Carta deve ter orgulho do seu pai, assim como eu tenho orgulho do meu e de tudo que ele representa como ser humano. Quanto a Mainardi, seu filho talvez não terá orgulho de seu pai no futuro, mesmo se pudesse.

** No final do século XIX, os navios que partiram da Itália para as Américas se dividiram quase que 50-50 entre o porto de Santos e o porto de Nova Iorque. O colunista abrilesco lamenta com lágrimas de sangue que seus ancestrais tenham embarcado no navio errado, por isso sonha em ter a cidadania americana, advogando em seu nome na imprensa brasileira.

2 comentários:

Deco Ica disse...

Quanto mais o Brasil se afirma como nação em desenvolvimento, mais esse Mainardi deve ter vontade de tirar as calças e pisar em cima. Mas foda-se ele.

Mas continuo achando sacanagem essa estória do filho dele com parilisia cerebral ter sido colocado nas discussões. Com essas coisas não se mexe, e você não devia dar eco a isso.

saddam gos disse...

andré continua gordo, feio e escrevendo pra caralho