segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Vamos lá.

Estava eu em uma mesa de bar em Jacareí, bebericando meu carbonado de cola quando discutia com dois bons companheiros a pauta da semana: Record X Globo, cobertura da crise de consciência do Senado, e a utilização da Academia para fins não tão coerentes com a cultura do Currículo Lattes e toda aquela porra. O cerne da questão era o infame estudo matemático que avalia as possibilidades de sobrevivencia da raça humana em um ataque de zumbis, considerando variáveis apresentadas no Cinema como velocidade de contágio, tempo de incubação, etc.

Pensei: "Isso é tão inútil quanto......". Aí comecei a pensar a possibilidade de um projeto acadêmico que teria jornalismo, ficção e puro sarro com a própria instituição universitária. Achariam que sou louco (mais ainda), achariam que é perda de tempo ou poderia até ganhar o Ignobel por isso. Algo que irritaria meu antigo professor dos tribades galantes e fanchonos militantes.

Pensando friamente, cheguei à conclusão que Comunicação Comparada é a matéria mais inútil do currículo unespiano, depois de Comunicação Rural (hoje extinta). Comparar meios de comunicação só serve para uma coisa na vida real: ver quantos anunciantes o outro lado tem, e quanto ele tá faturando. Estive nesse lugar, eu vi o filme: comprar jornais para saber quantas meias-páginas foram pro outro lado. Então, faríamos a Comunicação Comparada entre o supra-sumo do bizarro.

Então, seguindo o espírito fantástico, pensei nos dois jornais mais famosos do mundo: Planeta Diário (do Superman, oras) e o Clarim Diário (do Homem-Aranha). Afinal de contas, são dois personagens fictícios de grande carisma e reconhecimento junto ao público, independentemente da idade. E nos dois os traços se equiparam: salvam o mundo, mas ganham o sustento normalmente como membros da Imprensa, inclusive fazendo dela seu meio-de-vida no heroísmo. E como esses jornais encaram seus empregados com dupla jornada? Qual a imagem que passa ao público de pessoas que fazem o inesperado?

Muito além de Perry White e J.J. Jameson, existe o mundo real e os jornais, repórteres e editores que os inspiraram, obviamente: NY Times (Planeta) e NY Post (Clarim). Até que ponto a arte imita a vida e a vida imita a arte? Mas para poder medir forças, seria preciso um acontecimento cataclísmico. Estou em dúvida ainda se abordo o 11/9 (que tá chegando, meninos e meninas!) ou a campanha eleitoral americana (com o nascimento do Super Obama). Em ambos os casos, é um bom exercício de pensamento.

Talvez seja apenas desperdício de tempo e dinheiro, que poderiam estar sendo bem melhor aplicados em um curso de extensão na PUC, ou coisa parecida. Algum lugar que me mostre o mundo real do jornalismo. Mas esse mundo real eu já conheci, e da maneira mais infame: no microcosmo de um jornal de cidade de 80 mil habitantes, caso não bastasse o carnaval diário que se desenrola diante dos olhos da nação na hora do café-da-manhã, almoço e jantar. Em um mundo de manchetes e pautas de mentiras entre canais de TV e revistas da Imprensa Golpista Brasileira®, talvez analisar dois jornais que só existem na ficção seja a coisa mais sensata para não sentir asco e raiva dessa profissãozinha lazarenta.

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