segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Pensamentos do Dia: O Grande Arquiteto

ROCKY! ROCKY! ROCKY!


Graças a um artigo enviado pelo bom amigo Guilherme Grunewald (do FIQUE LOUCO!, o único blog que eu conheço que foi citado no Digital Drops), estamos perto da superlotação da internet. Sim, é verdade. Está aqui, para quem quiser ver.

Resumo da ópera: atrás de nossos agá-te-te-pês da vida, existem doze números que são o verdadeiro espaço que temos no universo paralelo que é as internets. E em dois anos, mais ou menos, essa possibilidade matemática (de qualquer combinação de 12 números) será esgotada. Mais ou menos como os terrenos ao lado da Presidente Dutra, hoje coalhados de condomínios tecnológicos ou favelinhas mesmo.

E, no final da extensa matéria opinativa, há um recado, que eu me permito roubar: "Enxergo nesta transição uma excelente oportunidade para os profissionais de Informática, pois assim como foi no ano 2000, muita gente que sabia a linguagem de progamação COBOL ganhou bastante dinheiro para corrigir o bug do milênio. (....) Vamos aprender IPv6". Esta é a oportunidade que esperávamos, meus filhos e filhas.

Não será o Clube da Luta que irá nos redimir de nossa ressaca espiritural e nosso vazio existencial. Não será afundando nossa cara entre os seios do Meatloaf. Existem duas portas à nossa frente: Alfa e Ômega, começo e fim.

De um lado, o bem das Internets. Seremos os Grandes Arquitetos da Informação, seremos os deuses de nossa maçonaria nerd de Yotsuba. Porque será aprendendo essa porra de IPv6 que possibilitará fotos em CP, memes idiotas, e coisas inúteis como os Twitters de pessoas que postam sobre diarréia e sobre as filas de banco. E @dani_luxo.

Já no outro, um lado mais racional, o Richard Dawkins do mundo virtual. Nunca, na história da interweb, tivemos uma chance tão grande de acabarmos com besteiras como sites de fofocas de celebridades brasileiras, as choradeiras do Arnaldo Branco em 'revistas' de fundo de quintal contra o CQC e o resto do humor corporativo que deu certo (e que provavelmente deve desenhar melhor que o próprio), contas de Twitter de crianças idiotas, sites de venda de celulares xing-ling que prometem passar cafezinho nas horas vagas. Não vejo saída melhor para acabar com essa favelização da rede mundial de computadores que agora, nesse exato momento, esquecer de tudo que aconteceu e deixar esperar o mundo virtual entrar em entropia automaticamente. Sem caminhões com bombas de nitrato, sem aviões sequestrados, sem grandes esforços. Basta fazermos o que sabemos fazer de melhor: continuar estimulando a democratização digital.

Lembro de um tempo que a internet custava caro por hora. Muito mais do que uma miserável lan-house com seus teclados engordurados e sua predileção pelo Orkut e erros crassos de gramática. Lembro que, se alguém queria ser o verdadeiro mestre dessa birosca, tinha que varar a noite acordado à base de café para segurar a nega, porque senão no final do mês a fatura vinha e colocava na sua bunda. E nesse tempo, as nets tinham coisas boas para oferecer, para o bem e para o mal. Era a Idade Clássica do mundo virtual, com um único símbolo: o Chat da UOL não era coalhado de pessoas com nicks do estilo "HxH TopaTudo" - eram pessoas querendo conhecer pessoas para aprender, não para enfiar coisas no cu horas mais tarde.

Prometeu roubou o fogo dos deuses e deu aos homens. E nós criamos o Burning Man. A Internet está por um fio. E eu quero vê-la cair, com seus tweets, com egologs. Sempre que vejo um desses websites onde se aglutinam erros - como PGA ou GTO (para bom entendedor meia palavra basta) eu tenho mais a sensação que Morpheus apenas romanceou a coisa: não vivemos atrelados a uma realidade alternativa; vivemos atrelados a uma Vila Mimosa alternativa.

1 comentário:

Deco Ica disse...

Achei meio fatalista demais essa sua análise...

Mas... às vezes sinto saudade daquela época em que a gente esperava à meia-noite como criança que quer desembrulhar o presente no Natal... Ou como sujeito que espera a namorada sair pelada do banho pra cama, depois de 1 mês de seca, longe dela... Enfim, metáforas muito inferiores à sua, da Vila Mimosa..

Mimoso esse teu blog.

Abs,