terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Nascido em 13 de fevereiro*

Eu não resisto. Eu sou um masoquista. Jurei a mim mesmo que não faria isso de novo, mas me peguei de novo em pleno ato obsceno. Não, não me masturbei no computador do serviço - o que seria uma coisa muito nojenta - até mesmo para os padrões do Way Valley (e sua bandeira do jornalismo corsário).

Me peguei às voltas com blogs de filhotes da direita e da esquerda. Eu não aprendo. Bom, melhor política que ficar ciscando em galinheiros alheios, n'est pa?

Mas entonces. Dentre as viagens na minha cabeça, eu procurei um cartum do Arnaldo Branco de título "Chapa Branca News", onde tinha um weatherman na frente de um gráfico de tempestade dizendo "Tempo bom, com alguma possibilidade de chuva". Lembrei disso sabe-se-lá-Deus-porquê, mas comecei a procurar. Nessas idas e vindas, caí num (argh) blog que falava seriamente sobre todos os males da nação (que seriam causados em 90% pelo Lula e seu governo). Ele exaltava principalmente a "Grande Vaia contra o Sapo Barbudo" de 2007 (aaah, saudade desses tempos que eu era comunista de orkut....). As principais referências dele, obviamente, são os Grandes Mártires da Direita - Tio Rei e Reacinha (Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi). Claro que não poderia faltar o apoio incondicional para o estado de Israel. No post onde ele transcreve uma crônica do Reacinha afirmando que ele é o Senador McCarthy do Brasil (por apontar que haviam lulistas infiltrados dentro do sistema midiático), uma batalha mental se travou entre os anti-reaças e as forças de ocupação.

Para fazer um contraponto, procurei um blog de esquerda - não tive que andar muito. Na mesma página do Google havia um, que me parecia muito familiar. Familiar até no tipo dos argumentos - que dessa vez se apoiavam mais no Paulo Henrique Amorim.

Ficaria puto, se não me lembrasse do ditado: "ganhar uma discussão na internet é como vencer uma corrida contra um retardado": é uma vitória, mas não traz nenhuma coisa ou dá qualquer orgulho. Geralmente essas discussões, como todas as outras - drogas, aborto, Aids, divórcio, homossexualismo, software livre - são feitas pelas mesmas pessoas: virgens (ou virginianos) de dentro de seus quartos, debatendo com livros de Karl Marx como mousepad, sonhando com o regime democrático ou com a ditadura do proletariado. A maioria deles conheceu um professor porra-louca ou reaça na faculdade de humanas, ou sempre se meteram com grêmio acadêmico. Para o bem ou para o mal. A direita faz cursos de Direito, Administração, ou alguma coisa com relação com o corporativismo. Os esquerdistas fizeram pura e simplesmente Humanas em algum lugar.

Com base nisso, eu sinto saudade da época dos jornais de esquerda ou direita que chegaram a existir para discutir os rumos da nação. Pelo menos as pessoas que escreviam neles tinham a decência de fazê-lo sem a ajuda do Corretor Ortográfico do Microsoft Word. Cansei de encontrar "anciosos" ou "ensiumados" leitores e comentaristas. Era o tempo de Nelson Rodrigues e Otto Lara Resende, entre muitos outros que realmente tinham algo a dizer.

Quando à minha pessoa, eu não tenho muito a dizer. Ou melhor, não quero dizer (ou talvez eu tenha dito por meio de metáforas ou desabafos ao longo deste blog). Temo que as histórias que eu passei - dos dois lados do campo ideológico e dos dois lados do balcão jornalístico - acabem passando uma idéia irreal dos fatos. Mas no fim das contas, depois de todas as conversas, de todos os releases, os bastidores, as choradeiras e os perrengues... Eu só sei que a mágica costuma ser bem mais difícil de acreditar como o povo acredita.

Talvez seja o mesmo motivo que vamos à igreja todo santo domingo, ou ao culto do shabbat: precisamos acreditar em alguma coisa. Pelo menos, no Civilization IV, ter uma religião (ou uma corporação) costuma render bastante dinheiro para os governantes.

*****

MOMENTO DIAKNOFF: Para aqueles que não entenderam, "13 de fevereiro" é ao mesmo tempo aniversário da Revolução Cubana, da fundação do Partido dos Trabalhadores e a expressão "Nascido em 13 de fevereiro" remete àquele filme do Oliver Stone com o Tom Cruise.

1 comentário:

Anónimo disse...

A crônica é boa e remete a alguns "nascimentos" em 13 de Fevereiro. Pois bem, aqui tem mais um nascimento de alguém que acredita num mundo melhor, mais evoluído e mais humano! Numa "nova era" (de fato) para toda a humanidade, sem maldades, sem ganância, sem aniquilações! Talvez por que seja um idealista e transformador. Júlio Verne, por exemplo, não nasceu em 13 de Fevereiro, nasceu no dia 8, mas acreditava num mundo melhor, através de uma humanidade libertada pelo conhecimento. Mesmo que suas fantásticas histórias fossem repletas de personagens maquiavélicas e de coisas estranhas, imaginou há mais de cem anos coisas como o fax, o computador e o trem-bala e, muito embora de maneira tosca, hoje nosso século confirma! É claro que estou longe de ter uma mente tão fértil e, talvez chegue aos pés de quem quer que seja, mas nisso me identifico plenamente com ele, por ele mesmo dizer e conseguir provar que "Tudo o que de mais significativo que se fez no mundo foi em nome de grandes esperanças!" Se Verne tivesse escrito "Admirável Mundo Novo",(o que não o fez no lugar de Huxley, já no século passado, apenas por não ter tido pura inspiração), certamente excluiria de suas linhas todas as guerras, as perversidades humanas e coisas de mau gosto! Afinal, não seria a esperança de Verne que nos faz acreditar, como ele acreditou, a despeito de Huxley, num mundo realmente novo e admirável? Pois é, é nisso em que acredito! Aqui também vai este recado de alguém "nascido em 13 de Fevereiro" Abraço!