segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Da série “Esse negócio não ta me fazendo bem” ou “Eu não só trabalho aqui”

Eram mais de dez horas da noite. Estava no meio do vento frio e da chuva chata (vocês conhecem: o pingo cai, esfria, seca. Cai, esfria, seca. Uma série de dardos gelados vindos do céu em cima da sua pele, e de pele estou bem servido).

Fui perguntado se me imagino em um dia da minha vida num palanque dizendo “Olá, meu nome é André Diniz. Meu número é 13013, e sou candidato a vereador apoiando blábláblá...”. Interna e nerdísticamente pensei que faria mais como Chiaki Asami em “Sanctuary”, que deu um esporro monumental nos eleitores no primeiro comício depois de um atentado à sua vida na estória ambientada no Japão no fim dos anos 80, sobre “não estou aqui pra ser despachante de luxo de folgados e mimados como vocês”. Pelo menos nos mangás funcionou: ele foi eleito como membro da Câmara dos Deputados do Japão.

Antes disso, uma parada no buteco local para prestigiar o comércio dos bairros da Cidade Simpatia e seu mais conhecido produto que, conforme os comícios aconteceram, aprendi a admirar: a cachaça. Uma cachaça muito mais do que bem-vinda num frio do cão como o do último sábado.

Quando menos percebo, sobe ao palanque o candidato a vice do contratante do meu contratante. E quando ele resolve falar, você sabe que ele vai meter o nabo na pessoa do prefeito. E a principal pedrada advém da arrogância do atual alcaide caçapavense. E ele abre o discurso dele com a seguinte frase:

“.... e a Divindade (leia-se prefeito) se diz justa e correta. Mas é apenas divindade para seus pelegos e sua ‘camarrilha’”.

Talvez por causa da pinga, talvez por causa da falta de sono (que está me dando finalmente a cara de “jornalista estragadão, intelectual, incompreendido, experiente e sexy” que eu sempre quis), ou a ansiedade para entrar em férias (ô, não sei o que são duas semanas de paz e descanso desde agosto de 2007) ou a contagem regressiva para a Fornication Stravaganza 3 com minha amada pretinha, eu tive a seguinte imagem mental: o prefeito de Caçapava, do alto de seus quase sessenta anos ou mais, com seus 1,90m, bigode à la Professor Girafales, estando vestido de alto a baixo com o melhor da tecelagem preta, usando um crucifixo, no meio de uma balada à 80’s, com uma pulseirinha cintilante escondida dentro do punho do terno e com a cara mais séria do mundo, vindo conversar comigo no meio de um hit do Tears For Fears remixado: “Precisamos conversar, irmão”.

Num flash, eu o imagino em seu gabinete de prefeito, no centro de Caçapava, escondido atrás de portas fechadas, com livros com estampa de granito verde, fichas xerocadas, revistas em quadrinhos e uma caralhada de dados sobre a mesa de trabalho. Do outro lado, o Secretário de Cultura, que mais se parece o Zacarias dos Trapalhões (tanto nos trejeitos quanto na aparência), dizendo: “Quanto você tem de Manipulação? Dificuldade oito, e poderia ser nove se o seu filho estivesse aqui”.

Esse negócio não ta me fazendo bem. Um pouco mais e estarei pronto para ir trabalhar na Folha de São Paulo, lar dos drogadictos e psicóticos da imprensa paulistana, paulista e nacional.


GLOSSÁRIO:

“Camarrilha”, acredito eu, deveria significar “corte”, mas eu puxei como corruptela de “Camarilla”, uma espécie de “convenção social” na qual estão inseridos grande parte dos enredos, mutretas e maracutaias de um jogo de erre-pe-gê chamado “Vampiro: A Máscara”.

A “Camarilla” seria a Classe Mérdia dos vampiros, onde todo mundo acha que tem a maior importância dentro dela, mas não percebe que faz parte do tabuleiro de xadrez de uma entidade maior e inatingível: o mestre de jogos. Dentro dessa “corte”, as pessoas negociam favores, passam outros pra trás, fazem desvios das mais diversas ordens... Em suma, tentam foder uns com a vida dos outros. É quase um simulador de vida real, mas nesse caso os jogadores teriam super-poderes, o que torna a coisa mais “interessante”.

E é por isso que esse jogo é jogado, segundo estereótipos alpha-beta, por pessoas que não costumam fornicar mais de dez vezes no ano, possuem espinhas, e que leram demais os livros de Anne Rice, e possuem formação em alguma matéria relacionada a filosofia (geralmente Nietzsche e Schopenheuer), gostam de The Cure e lêem os livros em quadrinhos de Neil Gaiman.

Entretanto, segundo estudos recentes da Universidade Tecnológica da Virginia nos Estados Unidos (com principal afinco do “Laboratório Cho-Seong Hui de Estudos Comportamentais”), os hábitos de acasalamento Homo sapiens nerdis foram subestimados: eles costumam fornicar imensamente e intensamente entre si, entretanto o fazem em espaços reservados chamados Motéis, ao contrário da outra variação de Homo sapiens que costuma fazer suas necessidades de reprodução em micaretas, carnavais, festas em boates e outros lugares públicos aceitos pela sociedade. As espinhas são encobertas pelo pó-de-arroz ou pasta d’água (no caso dos exemplares femininos e de alguns masculinos homo-zigotos), costumam ler livros também sobre a Era Hiboreana e o Círculo Arturiano, bem como literatura conhecida por “blogs”, com um gosto musical que passa por várias décadas da história da música, incluindo até mesmo os anos 00. Sua formação passa por carreiras da área de Administração de Empresas, Comércio Exterior, Engenharia e até mesmo Jornalismo ou Design.

1 comentário:

Kathy disse...

Nossa, sou eu, que legal...
Vou copiar e colocar no orcuti...
:oD

Tudo bem que Camarilla ta ultrapassado, né babe... Vem cum nóis que a gente te ajuda fazer uma nova associação a la Novo WoD... Qua tal Invictus??? rsrs

bejoca