quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Os piratas da areia na Cidade Simpatia! Novo arco!

O meio, ou “Bons Companheiros”

Conforme as previsões de Vanderlei Soares, o pior cenário aconteceu: o novo juiz da Primeira Vara Criminal de Caçapava se apresentou um mês depois da saída do seu antecessor. O Dr. Carlos Augusto Bacchi, de São Manoel, tomou posse da posição de Magistrado prometendo “um tratamento justo e igualitário para todos os munícipes”, dizendo que “o tempo da fanfarronice com a autoridade judiciária acabou”.
A primeira coisa a declarar foi a doação por parte de “membros da Comunidade que desejaram permanecer no anonimato” de um sistema de Teletipo para a rápida transmissão de dados entre o Fórum de Caçapava e o Tribunal de Justiça do Estado. Ao longo dos meses seguintes de 1975, o Fórum ganhou novas cadeiras, nova iluminação, e outras regalias para os demais ocupantes do Poder Judiciário.
Paralela e coincidentemente, as ações movidas contra a Benevides Areia & Pedra acabavam misteriosamente em um Universo Paralelo, que estava localizado na mesa de Osmar Castro, novo assistente da Primeira Vara. A gaveta comportava todos os pedidos de averiguação, mandados de busca e ordens para impedir os trabalhos da companhia de areia. Os pedidos, que ficavam numa mesa no canto da repartição onde se arquivavam os processos, acabavam por desaparecer como que por encanto. Por conta disso, oito auxiliares de limpeza foram demitidos em menos de um ano de trabalhos do Juiz Bacchi.
No mesmo momento em que as ações contra os Irmãos Benevides sumiam, os sintomas de uma nova crise apareciam no horizonte. Com o crescimento vertiginoso da empresa de Jô e Zoinho, outras companhias areeiras viram com bons olhos a região de Caçapava para seus negócios. A cobiça pela Cidade Simpatia devia-se ao fato que era a única cidade no Alto Paraíba que ainda não possuía uma legislação municipal que tratava diretamente da questão dos areeiros.
Para os prefeitos e vereadores, era suficiente que as empresas de extração de areia cumprissem seu papel no desenvolvimento da cidade – fornecendo impostos e cidadãos felizes, que votariam em quem os areeiros quisessem: neles, que também recebiam polpudos “auxílios”. O ponto alto foi um showmício realizado na Vila Donatelo, na região rural de Caçapava, que contou com a dupla em ascensão Alan& Aladin, em prol do prefeito Josué Gomes Barrada, abençoado pelos areeiros.
Por um momento, pareceu um jogo em que não havia chance de derrota. A Justiça segurava a onda que vinha contra Jô e Zoinho, que devolvia a gentileza com doações por parte da Comunidade. A Comunidade, em questão, era a Associação Comercial e Empresarial, onde ambos eram presidentes com menos de um ano de participação. A cidade, em seu setor econômico, apoiava o trabalho dos irmãos Benevides, que auxiliavam por meio de parcerias e ações beneficentes o hospital do município, escolas de Educação Infantil e a Associação Cívica, no Desfile do Dia de Homenagem aos Veteranos de Fornovo Di Taro e na comemoração dos 100 anos da elevação da Vila de Caçapava à categoria de Cidade, em 1975.
A competição dentro do ramo de extração de areia chegou a ser problemática por algumas semanas para os irmãos Benevides, mas foi contornada em tempo com uma guerra-relâmpago. A ação foi coordenada com o Judiciário local que, desejando mostrar que “não protegia os areeiros” conforme se comentava entre o povo, começou a ir atrás das companhias de extração de areia – as concorrentes da Benevides. Ao mesmo tempo em que Castro lacrava as bombas de um lado, Cocão e seus colegas de trabalho montavam seus equipamentos do outro lado, com a conivência dos oficiais de justiça.
Porém, apenas uma pessoa resistiu à onda-de-choque do juiz Bacchi: Pedro Onishi Kuriyama. E por resistir ao primeiro impacto, foi vítima de um suplício dez vezes maior.

1 comentário:

saddam gos disse...

from hell, mas qdo o sampaio vai dar tiros? qual vai ser a bitche q ele vai traçar? pq o céu é azul? e quem nasceu primeiro?