quinta-feira, 17 de julho de 2008

O que tem tirar uma nota sete?

Tyler Durden: Man, I see in fight club the strongest and smartest men who've ever lived. I see all this potential, and I see squandering. God damn it, an entire generation pumping gas, waiting tables; slaves with white collars. Advertising has us chasing cars and clothes, working jobs we hate so we can buy shit we don't need. We're the middle children of history, man. No purpose or place. We have no Great War. No Great Depression. Our Great War's a spiritual war... our Great Depression is our lives. We've all been raised on television to believe that one day we'd all be millionaires, and movie gods, and rock stars. But we won't. And we're slowly learning that fact. And we're very, very pissed off.

("Clube da Luta" - citação do filme)


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Eu passeio nas horas de pusilanimidade por lugares que minha mente não poderia ir em horário de trabalho. Num desses links, o “Como Publicar Meu Livro”, artigo publicado por Fábio Yabu (criador do Combo Rangers e Princesas do Mar – personagens de mangá made in Brazil). Nos comentários, entre felicitações e dúvidas, vi uma revolta desmedida.

Xingamentos de plágio, de falta de criatividade, clamando que o livro original dele era 100% original, “sem chupinhagens”. Obviamente, o autor do ranço tinha um hiperlink (as maravilhas de uma geração que ataca dos quartos). No blog dele, além de putaria com adolescentes japonesas – lugar comum é chupinhagem? – existem críticas quilométricas. Coisas que superam 20 mil caracteres. Os textos, dignos de Reinaldo Azevedo (aquele mesmo que usa chapéu no século XXI e chama os petistas de “Petralhas” – quanta criatividade), me causaram sono.

Em especial, a crítica que fez a Wall-E. Sim, o filme do robozinho. E ele falava, e falava, e falava. E não parava de falar. E ele reclamava, e reclamava, e reclamava, como uma puta velha. Apontava buracos no roteiro de um filme infantil. Vocês conhecem a figura, devem ter um amigo parecido – aquele que se pergunta como é que Chapeuzinho Vermelho conseguiu ficar viva na barriga do lobo até o Caçador chegar e libertar a ninfeta.

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Senhoras e senhores do júri, eu saio em defesa da mediocridade cotidiana.

Senhoras e senhores do júri, eu estou enfasteado com os sábios. Eles se pronunciam como pináculos de sabedoria, arrogância e onipotência no mar de pessoas nota-sete. Na nossa sociedade, estamos todos convivendo com pessoas nota-sete, e não há nada de mal nisso. Não é ruim quando você sabe. Mas é quando você usa sua ‘sabedoria’ como modo de explorar e achincalhar as outras pessoas.

Exemplos disso estão em todo os lugares. Eu me envolvi com pessoas assim. Eu morei com pessoas assim. Eu dividi contas com gente assim. E quase mudei a minha vida por causa de pessoas assim. Aos 19 anos, eu ainda era atraído pela luz dos Faróis de Alexandria. Parecia uma coisa interessante, mas depois era a mesma coisa – necessidade de aparecer.

Não sei se foi por jogar muitos jogos de tiro na minha infância e adolescência, mas sempre tenho a impressão de “quem fica pulando na frente dos outros está pedindo chumbo”. Não, não se trata de uma ameaça. Apenas uma reflexão filosófica.

A necessidade de atenção é uma coisa deveras... babaca. Seja aqueles caras que picham (não estou falando de grafite, estou falando de pichação) lugares inimagináveis, seja os caras que recitam “A Morte do Leiteiro” no Viaduto do Chá, ou os que tentam derrubar/defender o governo Lula por meio de tópicos, matérias e artigos na imprensa escrita, falada e eletrônica. Todos eles querem se soltar da massa nota-sete.

Outro ponto interessante deles é a incapacidade intelectual de aceitar críticas. Em especial, esse exemplo que acabei colhendo. Numa briga que teve com um fórum de discussão (o lugar mais distante da anarquia teórica na Internet), ele não gostou quando falou além da conta e teve as asinhas cortadas. Na paranóia, publicou um desagravo, onde dizia que era “bom”, que era “ótimo”, e que era “magnânimo”. Um pouco mais ele se colocaria como "Singularidade da Criação".

Senhoras e senhores jurados, eu estou aqui não para condenar alguém por saber demais. Estou aqui para condenar a opressão por meio do saber. Alguém que usa no meio da escuridão uma lanterna não deve hoje nem nunca ser condenado. Mas quando este indivíduo usa a lanterna para cegar aquele que vem pelo caminho, ele não é um homem sábio - é um tremendo filho da puta.

Eu não preciso ser viciado em Lexotan para dizer "Ser intelectual dói". Basta ver o que temos à NOSSA VOLTA. Somos uma geração nota-sete. Sobrevivemos à Era da Razão. Sobrevivemos ao Amor Livre. Sobrevivemos aos Anos de Chumbo, o engajamento. Somos filhos do pós-desbunde, sobreviventes do grunge. Estamos no ponto mais baixo, em questão de auto-estima, que podemos chegar. Rimos dos emos porque eles celebram a própria mediocridade como se fosse uma forma de protesto. E assim vamos seguindo.

A mediocridade não deve ser tolerada. A mediocridade não deve ser combatida. Deve ser desencorajada.

Ah, a citação lá em cima: aquele é um jeito de levantar uma geração nota-sete.

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