domingo, 30 de março de 2008

E coloque um sorriso no rosto.

... a poesia é uma coisa morta. Pelo menos é uma coisa morta em mim. Não consigo mais enxergar as nuances de um sorriso, ou as sensações que são despertadas quando se olha a paisagem noturna. Tudo o que hoje consigo enxergar são setas, gráficos, ações, reações, alianças, inimigos, ataques, contra-ataques.

O caminho das letras matou minha alma. Vi que aquilo que usava como manifestação da alma, do sentimento, daquilo que está desafogado no peito, para apenas informar. Com mil e quinhentos caracteres. Sem mais, nem menos. Espaço o bastante para uma mensagem, dando espaço para os comerciais. A vida não tem mais espaço para reflexões, pensamentos, discussões. Só queremos saber, cientificamente falando, quem comeu quem, quem nasceu, quem morreu.

Mesmo as garotas, que antes olhava com más intenções, são tão saborosas quanto um pedaço de ricota. A beleza: americana, brasileira, argentina. As curvas da Melancia, da Jaca, do morango, as curvas da pétala da rosa. Querem dizer nada mais.

Também preciso de um despertador toda vez que estou perto de entrar no palco. Não tenho mais a paixão que Freddie também tinha pela coisa. Principalmente no ramo em que me propus a estar: a expressão "Me Leve Daqui" é uma unanimidade, não importa onde, quando, e com quem esteja.

Se não há beleza na vida, se não há nada além da existência, se o comunismo, o capitalismo, o anarquismo não fazem sentido - se Leon Trotsky não passa do Primeiro Harry Potter, o que resta? Um pé-de-cabra? Pílulas, motos e tiros? O desejo incontrolável de sair dali e correr pelado, cantando Gabba Gabba Hey na frente do quartel, com a cabeça do Coronel espetada numa lança de portão?

Talvez seja ali que está o Coringa em todos nós.

Talvez precisamos apenas colocar um sorriso no rosto....

3 comentários:

Deco Ica disse...

São ossos do ofício, como já diria o velho chavão.

O duro é quando o que parecia vocação vira obrigação, rotina. Mas você supera.

Cirilo disse...

Pois é amigão...
acho que o violão é o tempo, que mata esperanças quando os sonhos não se realizam por serem sonhos, utopias.
Todos temos muitas pitangas a chorar... como diria o velho chavão do Deco!
rs abraços!

Ana Paula disse...

ô preto. que triste isso.

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