quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Resenhário Retorna da Sepultura: Juno + Cloverfield


Juno (EUA, 2007)

A adolescência é uma idade e tanto. Ainda mais quando se trata de rosetar - ainda não tens idade de gastar o dinheiro com piranhas, mesmo porquê você não possui dinheiro o bastante pra gastar com piranhas (o que me lembra um episódio do seriado Blossom, onde o desesperado e estúpido Joey resolve usar o parco dinheiro que possui no cofrinho de porquinho pra contratar uma pró tão "cavala" quanto uma égua de verdade). Mas também é uma época que muita gente pensa que sabe o que está fazendo. O pior é que é uma idade que não se percebe que de fato saiu dela.

Juno McGuff (Ellen "Canadensezinha" Page) resolve dar umas com o seu melhor amigo Paulie Bleeker (Michael Cera). Nisso, acontece o pior: fica grávida. Mas isso não vai impedir que ela continue com a marra e o sarcasmo. Poupando o garoto, que tem uma mãe que é do tamanho de um rinoceronte e tão amistosa quanto um, decide NÃO segurar o rojão e abortar (a história se passa em Minnesota, US and A). Mas nisso, encontra uma colega de colégio, Su-Chin (Valerie Tian), protestando contra a clínica. Por mim, desistiria só pela cara de filhote de urso polar de Su-Chin, mas Juno desiste por uma série de fatores neuróticos com a clínica, e as camisinhas sabor framboesa distribuídas pela atendente pseudo-punk na entrada.

Resolve então DE FATO segurar o rojão e ter o filho, mas vai passá-lo 0km para outra família. Encontrando uma família que parece estável o suficiente, ela percebe que fez a melhor escolha. Ou não.

-- O filme está entre os oscarizáveis, como pode ter visto lá embaixo, e para minha pessoa isso está certo. Ainda acho que Ellen Page é uma boa candidata ao Prêmio, apesar da tradição de sempre vencerem atrizes que fazem papéis de mulheres fodidas, mal-pagas e sofredoras (por isso, ainda não entendo como Fernanda Montenegro deixou essa boiada passar em Central do Brasil).
Colocar uma adolescente espevitada (que mais parece a nova versão da Punky Brewster) no papel de mãe solteira adolescente e marrenta para ganhar o Oscar pode ser uma aposta ousada. E justa. O roteiro é de Danger Cody (que é uma mulher, a Bruna Surfistinha americana) e não fez feio, pena que não consegue bater a história de "Lars And The Real Girl", sobre um figura que se casa com uma "real doll" e a leva pela cidade inteira. Sem falar que está em "Melhor Filme", mas será trucidada por "No Country for Old Men" ou "Onde os Fracos Não Tem Vez".
Em suma, recomendo Juno pra caralho.

***



Cloverfield - Monstro (EUA - 2008)

Puta merda. E eu fiz contagem regressiva no MSN por isso.

No último dia de Robert Hawkins (Michael Stahl-Davis) em Nova Iorque, de mudança para o Japão, resolvem lhe dar uma festa de despedida. Tudo normal, aquela coisa toda - bebida, música, tretas com Beth McIntyre (Odette Yustman) e etc. Nisso, ocorre uma explosão, um black-out e todo mundo se apruma, pensando que é um ataque terrorista. Isso pode até ser verdade, se Osama Bin Laden virou um monstro de 30 metros, que resolve passar o rodo na cidade inteira. Agora todo mundo precisa sair da cidade, na evacuação, mas as coisas não saem direito.

O atrativo do filme, para quem curte, é a visão 'em primeira pessoa' de uma câmera digital usada na festa, que acaba servindo como um 'documentário' sobre as primeiras horas do ataque do monstro gigante. As cenas de ação são intensas justamente porque são feitas sem foco, sem a "panorâmica" que o conceito que a "quarta parede" proporciona.

Ademais, o roteiro é raso como um pires - baseado em grande parte na Jornada do Herói de Joseph Campbell. Robert atravessa a zona de conflito para resgatar a Beth, presa no seu apartamento - só faltou uma armadura e um cavalo retinto, para encarnar o Príncipe Encantado que resgata a Princesinha da Torre onde o Dragão Malvado a aprisionou. E os atores são ruins de doer. Para se ter uma idéia, a mais expressiva lá é a Marlena, interpretada por Lizzy Caplan. Ela interpretou a Tina Greer - uma metamorfa por causa da "chuva de meteoros" em Smallville (o que sinceramente não quer dizer porra nenhuma). Como o filme foi mal-filmado de propósito, ninguém pensou em contratar Morgan Freeman e Julia Roberts (ponto para eles).

O filme, no final, é um cruzamento muito bem embalado de Alien, Godzilla (a versão americana e cheia de fru-fru, não a versão tr00 japonesa), A Bruxa de Blair (apenas o primeiro filme) e um episódio de Neon Genesis: Evangelion (desenho japa de monstros gigantes, misturados com religião) onde um personagem secundário sai do abrigo para filmar com sua handcam a refrega entre o "anjo" (o monstro gigante) e o Evangelion 01 (o robô gigante projetado unicamente pra dar cabo dele).

Como o filme é produzido por JJ Abrams, o mesmo cara por trás de Lost, tem que ter um pequeno cross-over: o símbolo da Iniciativa Dharma (a organização por trás da Ilha) aparece nos primeiros momentos do filme, quando se anuncia que "o trecho a seguir foi encontrado numa câmera na área outrora conhecida por Cloverfield, em Nova Iorque"). O que provavelmente vai alimentar a cabeça dos Lostmaníacos, muito mais que os agradecimentos à Alvar Hanso em Missão Impossível 3.





PS: Graças aos dotes de dedução de Thiago Thame (do Sociologia Quântica), pode-se notar um pequeno "ovo de páscoa" já no poster do filme. Se espelhar a imagem do pôster, perceberá uma seta para cima e uma nuvem em forma oval sobre NY. É o bombardeiro B2 atacando o monstro que se protege, e assim poderá ver a cara do bichão antes do final do filme, quando ele ganha um close. Caso não tenha entendido xongas, aqui vai a imagem:



PPS: Ok, ok. Espere a próxima Segunda Feira e eu assistirei essa joça mais atentamente.

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