quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Иметь Великих рождения, Товарищи! - ou "Tenham um Feliz Aniversário, Camaradas!"

'Lenin na Tribuna', pintura de Alexander Gerasimov.


Não, não comprei a Net Combo. Mas é uma coincidência muito fortuita. Estamos a dois dias do aniversário da fundação da União Soviética, e em algum lugar da Rússia alguém se interessou sobre o post que "escrevi" sobre Charles Mingus. Graças aos poderes do Sistema Walker-Feedjit de rastreamento.

Em celebração ao momento fortuito, uma conversa rápida sobre o dia 28 de dezembro. Que não é apenas o aniversário da Vivian, uma amiga que fez um curso de Letras na USP, com ênfase em... russo.

Até 1917, o Czar (que se pronuncia Tzar, pela russificação da palavra Caesar, de César - o imperador) já estava lidando com uma série de revoltas e quedas de braço entre o povo e a corte. Desde 1905, com a criação do Parlamento, que dissolveu o poder absolutista do imperador russo e outras "reformas" que aconteciam no atrasado Estado Russo. Mas em Março (no calendário ocidental, e Fevereiro no calendário juliano, usado por lá) os Romanov tomaram na atarraqueta, ou como se diz na linguagem de hoje: "Camarada, passa a 12!"

A coisa foi se arrastando num governo provisório até o afamado Outubro de 1917.
Foi quando os vermelhos finalmente tomaram conta de tudo. Mas como sempre, em 1918 começou a Guerra Civil Russa, entre os vermelhos e os brancos (bolcheviques e mencheviques, comunistas e contra-comunistas). Os "contras" receberam ajuda de todo o mundo corporativo mundial - inclusive dos nossos amigos da América do Norte, pra variar. Foi nesse cenário que mitos como os de Lenin, Trotsky e (putaquepariu...) Stalin.


"Camarada Lenin está colocando o Lixo para Fora", Deni Viktor Nikolaevich, 1920

Depois de quatro anos de muito quebra-pau e garrafas de vodka desperdiçadas, finalmente o Exército dos Vermelhos conquista a totalidade da Rússia, de Moscou a Vladivostok, no dia 28 de Dezembro de 1922.

Lenin tinha conseguido algo que era virtualmente impossível: unificar todos os sovietes (conselhos) da Rússia, Ucrânia, Bielo-rússia e República Transcaucasiana (que se esmigalhou em outras repúblicas mais tarde).

Lenin não teve muito tempo de sentar a bunda e ver o seu sonho crescer além do que Marx pregava n'O Capital. Acidentes Vasculares Cerebrais deixaram-no incapacitado e definhando até 1924. Aí, deu no que deu. Stalin correu por fora, virou o chefão do PCUS, falou que quem manda naquela birosca era ELE... e o resto é cascata e propaganda.

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Deixo claro que Stalin era, é e será sempre um grandessíssemo filhadaputa. Não importa que tenha conseguido 'blindar' a URSS durante a Grande Depressão.

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E os planos originais de Lenin contavam com a Revolução Socialista acontecendo na Alemanha. Um pequeno erro de cálculo, já que ele acreditava que os operários na Alemanha eram mais "esclarecidos" que seus compatriotas. Um erro de cálculo, de fato.

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... e o que seria do Século XX sem os famigerados "russos comunistas"? Imagine um mundo sem a Nemesis do Ocidente, sem os caras que realmente ganharam a Segunda Guerra Mundial, a inspiração dos inconformados, a fonte secundária de vilões para Ian Flemming e os roteiristas dos filmes do Rambo, além do mundo sem o maior ícone inanimado dos últimos 60 anos, o AK-47?

E bem-lembrado por Silvana Guarnieri: "o que seria dos estudantes da FAAC" e de todos os outros cursos de Ciências Humanas por todo o espectro do Ensino Superior?

2 comentários:

K. disse...

Olá!! Que bom que gostou das minhas vísceras expostas, rs... Sabe, gosto bastante do que você escreve também, mas me arrisco a dizer que o referido texto de agosto é um dos melhores e mais belos que li por aqui... Deixo um trecho de Caio Fernando Abreu pra ver se te inspira a abrir a barriga mais vezes...

"Zézim, você só tem que escrever se isso vier de dentro pra fora, caso contrário não vai prestar, eu tenho certeza, você poderá enganar a alguns, mas não enganaria a si e, portanto, não preencheria esse oco. Não tem demônio nenhum se interpondo entre você e a máquina. O que tem é uma questão de honestidade básica. Essa perguntinha: você quer mesmo escrever? Isolando as cobranças, você continua querendo? Então vai, remexe fundo, como diz um poeta gaúcho, Gabriel de Britto Velho, “apaga o cigarro no peito / diz pra ti o que não gostas de ouvir / diz tudo”. Isso é escrever. Tira sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a “função social”, nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te. Você não está com medo dessa entrega? Porque dói, dói, dói. É de uma solidão assustadora. A única recompensa é aquilo que Laing diz que é a única coisa que pode nos salvar da loucura, do suicídio, da auto-anulação: um sentimento de glória interior. Essa expressão é fundamental na minha vida." (Caio Fernando Abreu)

beijão!!!

Deco Ica disse...

E dizem que os russos botavam a maior fé de que um país que implantaria o socialismo à moda deles seria o Brasil, pelo vasto potencial e semelhanças sociais.

Mas acreditar não deve significar investir, senão eles não deixariam Prestes, Olga e cia., descerem sozinhos pra cá em 35.

Coisas da vida...