domingo, 30 de dezembro de 2007

Mirror Match - colocando o coração na tábua de carne

Quebrando o ritmo das piadas e notícias, estou soltando um diarinho meio metalingüístico. As pessoas que não estão acostumadas, por favor, ignorem e aguardem uma nova atualização.

"O conceito de Mirror Match" vem dos jogos de video-game, quando você enfrenta uma duplicata sua, o "seu espelho". Uma coisa meio estranha, enfrentar você mesmo. Sempre nos ensinaram que nós somos nossos melhores amigos e confidentes. Derrotar a si mesmo parece uma coisa um tanto quanto esquizofrênica, como dar um tiro na própria boca para matar o psicopata que vive dentro de você.

Sempre deixei claro que esse tipo de confronto seria a última experiência alucinógena, e a primeira. Não tomaria qualquer substância que altera a consciência de maneira brusca (de peiote ao famoso Daime) senão para enfrentar meu próprio reflexo. Destruir (ou ser destruído) por meu próprio ego seria a coisa mais significativa na minha psique desde.... desde que eu aprendi que não posso virar cadeiras e mesas para ganhar respeito.

Essa desconstrução do ego e da consciência ganhou um significado maior com os últimos acontecimentos. Alguém me mostrou que, por mais que eu seja um comunista, um liberal, um "gayzista", eu ainda continuo trazendo o velho travo reacionário, homofóbico e direitista que tanto combato. Como se fosse um vírus ou uma síndrome que não posso abater, apenas controlar. E nas horas mais inoportunas, ele acaba escapando. A última recaída foi... bom, não interessa quando foi. Apenas posso dizer que o gatilho foi o futuro bem próximo. Temo que mais uma vez estarei perdendo minha garotinha.

Mas perdendo para o quê? Para minha paranóia? Para o meu preconceito? Para "a verdade dos fatos sobre esse mundo" que o "André Reaça" que volta e meia mostra? Para esse André "Bust" dá uma ferroada no meu olho, esperando que a inflamação "me faça enxergar melhor" aquilo que me cerca? Me fazer voltar a ser a mesma pessoa de 7 anos atrás, robótica, lógica, quântica....?

As coisas dentro de minha cabeça não andam fazendo muito sentido. Talvez seja o fim de ano e a bagunça dos horários (folga, folga, folga, trabalho, trabalho, folga, trabalho, folga, folga...), seja a Febre da Cabana à la The Shining novamente, ou apenas esteja eu "numa fase liberal e compreensiva". Eu particularmente não sei mais o que acontece.

E lá vamos nós de novo pedir os conselhos de Sigmund.

***

Devagar, devagarinho, a gente vai pegando o jeito de novo, Kath.

3 comentários:

K. disse...

Que bom! É questão de prática também... E umpouco de entrega, claro... Eucostumo fazer essa de me enfrentar,as em geral ainda é mais esquizofrênicopq eu enfrentominhas personagens e tal.... Coisa de Maluca e talz.... hahaha


"E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania.
Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome." (mais uma do Caio)

K. disse...

ps: eu escrevi isso com uma mao soh e amamentando, logo, perdoe a falta de espaços e letras, ok?
beijaum

Deco Ica disse...

Nada como uma crise de identidade para começar o ano. Mas acho que logo vc se encontra.