sexta-feira, 2 de novembro de 2007

"Quem Quer Viver Para Sempre?"


Desculpe-nos a última entrada, problemas na pauta do blog.

Mas agora, voltando à programação normal, uma resenha para quebrar o gelo. Principalmente nessa manhã fria de Finados, aqui no Vale.

Renascimento (Renaissance), 2006/FRA
Diretor: Christian Volckman


Tagline original: "Paris 2054. Viva para sempre, ou morra tentando."

Barthelemy Karas é um daqueles policiais linha-dura e com fachada de concreto que só Raymond Chandler ou David Goodis (bem como os filmes de detetive da década de 1940) poderia produzir. Temido pela bandidagem e odiado pelos advogados na Paris do futurista 2054, ele recebe uma "missão" de última hora: encontrar uma garota desaparecida. Mas não uma garota qualquer: uma cientista "pica-grossa" em genética, seqüestrada sem deixar vestígios, nem mesmo para a polícia científica do futuro. Para colocar a cereja no bolo, a cientista faz parte de uma corporação médica mais "pica-grossa" ainda, que controla quase todos os aspectos da sociedade, espalhando seus cartazes sonoros por uma Paris de ruas de vidro, e favelas high-tech.

Numa busca pelo submundo de uma cidade que viveu e vive das aparências, Karas se depara com seu passado, seu presente e futuro, além de uma descoberta comparável à Caixa de Pandora. O que acontece quando se descobre que pode-se viver para sempre, contrariando totalmente o dogma cristão que "vive-se eternamente na alma"?

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A despeito da pergunta acima feita pela primeira patroa de Conan, O Cimério (e mais recentemente por Freddie Mercury) dentro do enredo do filme de Volckman, a atmosfera noir se faz presente de forma massiva, em uma animação onde o preto e o branco aparecem "chapados" na tela, dando pouco espaço para nuances de cor. O espírito de extremos se mostra presente em alguns pontos do enredo, como na construção dos estereótipos dos personagens: Karas, o policial (detetive) durão; Bislaine Tasuiev, a mulher de personalidade forte e sempre fumando um cigarro; Nusrat Farfella, o chefão criminoso da "favela high-tech" de Casbah; Paul Dellenbach, o manda-chuva da grande corporação Avalon.

O emaranhado de buscas, intrigas, tiroteios e perseguições nas ruas bem-cuidadas da futurística Paris (que ganhou o apoio da Citroën na caracterização dos veículos, por meio de seu "Centre de style", diga-se de passagem), resolve-se matemática e exatamente na meia-hora final do filme, meio que seguindo o protocolo padrão de storytelling. É mais ou menos como ensinam na faculdade. Nesse ponto é onde peca o filme: no tempo compassado da trama. Tudo tem sua hora e seu lugar, fazendo com que o espectador possa até arriscar um palpite mais adiantado, e até mesmo acertar. Mas não são todos os que conseguem fazer isso.

Em geral, é um bom filme de animação pra quem não quer ver pingüins surfistas , pois está nas 'melhores salas' (em São Paulo) e o filme vem na sua versão dublada em inglês, com Daniel "James Bond Ano 1" Craig dublando, além de outros ilustres desconhecidos da dublagem ianque. Recomendável para uma sessão conjunta com outros clássicos do gênero como "Blade Runner - Versão do Diretor" e "O Falcão Maltês", de 1941.

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Em tempo: Gulherme Grunewald está de mudança. Ele não se sentiu bem com as coisas jogadas pela sala, e se mudou para outro endereço: o FIQUE LOUCO!.
Boa sorte e leve um Gardenal de lembrança pelos tempos de The Coke Inc!

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