quinta-feira, 29 de novembro de 2007

.... e há duzentos anos atrás, nesse exato instante...

... o Rei D. João VI estava cagando, enquanto comia um pastelzinho de belém no navio que o trazia para o Brasil.

Todo dia é a mesma coisa. Acordo, (esporadicamente) dou uma aliviada no banheiro, lavo as mãos, e ligo o televisor. E todo dia é a mesma coisa. Celas paraenses abarrotadas com mulheres (me perdoem, mas não é lá o lugar onde tem mais mulher que homem demograficamente falando?), a discussão da CPMF (que pode ser traduzida como a Batalha de Stalingrado do governo Lula), a luta do Corinthians para não cair à Série B do Brasileirão (e de quebra dar barris de dinheiro à Rede TV, que detém grande parte dos direitos de transmissão do Brasileirão Indie), e a porra da "vinda" da Família Real Lusitana para o Brasil.

Isso não é da minha alçada, e reconheço. Isso é coisa pra historiadores, com ELE e ELE TAMBÉM. Mas vamos lá, brincar de historiador (mesmo sendo jornalista. Mas tudo bem, é fato notório que ambas as profissões dividem a prepotência).

Celebra-se "o primeiro tropeção, rumo ao fim do brasil-Colônia" com o ataque napoleônico às terras portuguesas, em 1806. Porque com isso o Brasil foi promovido à categoria de "reino unido", e Jardins Botânicos, Imprensa, bibliotecas, e tudo o mais. Mas não adianta - o cara não apenas abandonou o povo que tinha-o como representante de Deus na terra (todo rei é coroado por um papa ou por um cardeal, legitimação da vontade divina sobre a monarquia), levou todo o dinheiro que tinha, a corte e um monte de aspones e aderentes para o Rio de Janeiro, bem longe daquele francês tampinha e com a proteção da Marinha de Sua Majestade, O RRRrrrei da Inglaterra. Deixando a Térrïnha pobre e fudida, sem a menor noção do que fazer.

Mas D. João VI (daqui em diante referido como "aquele gordo filhadaputa") não partiu sem antes assinar um acordo que permitia as colônias portuguesas comprarem as quinquilharias inglesas, estocadas há anos desde que Napoleão passou o rodo na Europa, e fechou o velho mundo para os brits, a chamada "abertura dos portos às nações amigas". Só que aquele gordo filhadaputa era o maior leva-e-traz da Europa. Na verdade, nem rei o cara deveria ser. A Marieta Severo no filme da Carla Camuratti seria melhor governante de Portugal.

Ao vir para o Brasil, aquele gordo filhadaputa e a corte portuguesa assentou a pedra fundamental da CARIOQUICE. A CARIOQUICE compreende-se "pelo comportamento corrupto, indolente e sem compromissos com o ambiente que o cerca". Antes, os habitantes do Rio de Janeiro e cercanias eram bons, trabalhadores, eram quase como todos os outros brasileiros. Mas ficaram tão abobalhados com a figura d'aquele gordo filhadaputa bem próximo deles que eles foram os ancestrais genéticos dos habitantes da famigerada Barra da Tijuca.

É fato notório que a "vinda" da Família Real trouxe mais danos que benefícios, mas ainda sim apressou o processo de "independência" (ou melhor, de troca de poderes no Brasil - costume que se tornaria corrente no país a partir daí). Isso eu não contesto. O que me emputece e me faz escrever com tamanha raiva é o REVISIONISMO HISTÓRICO que se tenta 200 anos depois, fazendo parecer a decisão daquele gordo filhadaputa como a mais sabida do mundo. Claaaaro, por quê lutar contra uma tropa que estava toda trôpega e quase toda empregada na guerra contra o General Inverno, quando se pode tirar férias de 16 anos num paraíso tropical? Muito sabido.

Isso e as tentativas da Veja de colocar Che Guevara como um porco estúpido e D. Pedro II de Bragança como "um republicano no armário".

***

(8)Se a guerra começasse agora,
e o carioca se fudesse de vez
E a gente nao parasse mais de se armar,
de atirar, de correr...

uou uou uou uou uou
War in Rio!
(maldito Roupa Nova!)

Puta merda, por quê eu não pensei nisso antes? Na verdade, conheço muita gente que jogava "mods" de War, mas eram coisas mais tosquinhas. Não com uma infra desse naipe.

Pena que é apenas uma intervenção. Sim, eu compraria um para mim. E não, eu não gosto do Rio.

3 comentários:

W. Fernandes disse...

Se a faculdade não tivesse oxidado meu "celebro" faria uma critica construtiva. Mas acaterei o que você escreveu como verdade incondicional e passerei a odiar o Rio e a familia "rial."

Deco Ica disse...

"Antes, os habitantes do Rio de Janeiro e cercanias eram bons, trabalhadores, eram quase como todos os outros brasileiros. Mas ficaram tão abobalhados com a figura d'aquele gordo filhadaputa bem próximo deles que eles foram os ancestrais genéticos dos habitantes da famigerada Barra da Tijuca".

Desculpe-me, André, mas o que te leva a fazer uma afirmação dessa? Antes mesmo da chegada da família real portuguesa, o Rio de Janeiro já era território de aristocratas. Tanto que rolou a maior festa de recepção pra corte em 1806.

E não acho que a vinda da família real tenha causado mais danos que benefícios. Foi um momento importante da história do Brasil, de algum desenvolvimento cultural. Quando um rico vai se esconder no mato, ele adapta o mato às suas necessidades. O Brasil era muito mato. E era um país de aristocratas indolentes que exploravam o trabalho escravo. Não apenas no Rio, mas em todo ele.

Enfim, D. João VI é uma figura curiosa que certamente merecia ser mais bem estudada, bem como seu filho aventureiro, cabeçudo e putanheiro.

Guilherme Grünewald disse...

Não vou comentar o trecho que o colega acima grifou, mas um parágrafo que vem logo depois:

"É fato notório que a "vinda" da Família Real trouxe mais danos que benefícios, mas ainda sim apressou o processo de "independência" (ou melhor, de troca de poderes no Brasil - costume que se tornaria corrente no país a partir daí). Isso eu não contesto. O que me emputece e me faz escrever com tamanha raiva é o REVISIONISMO HISTÓRICO que se tenta 200 anos depois, fazendo parecer a decisão daquele gordo filhadaputa como a mais sabida do mundo. Claaaaro, por quê lutar contra uma tropa que estava toda trôpega e quase toda empregada na guerra contra o General Inverno, quando se pode tirar férias de 16 anos num paraíso tropical? Muito sabido."

A questão do D.João VI é que o cara era feio pra kct, e não tinha todo o "civilité" pedido a um rei exatamente pelo fato dele não ter sido criado para isso, a figura que tinha todo o ensinamento de rei era seu irmão José, que morreu em 1788, só isso já explica muito dos relatos maldosos feitos contra ele.

A vinda do D. João VI é muito boa para o Brasil sim pelo fato do país nesse momento ter se tornado a capital do império... pode estar aí a "raiz" do jeitinho brasileiro e a maneira de governar? Esse é um dos trocentos mil fatores meu caro, alguns bem anteriores, e não dá para comparar a colonização portuguesa com a espanhola, foram bem diferentes.

E cara... você não acha genial? Eu não considero uma fuga, e sim um recuo estratégico, lembre-se que napoleão era um pusta estrategista, e raramente perdeu no solo (só para o inverno, e no mar não ganhava para Inglaterra). Portugal não tinha como manter uma defesa então ele foi para um lugar que sinceramente não gostava, calorento pra kct, isso não era paraíso tropical para eles, Brasil como paraíso tropical é somente para atores alterofilistas que amam bundas.

To cansando, mas assim olhar sua própria História é uma necessidade, não uma idiotice, você tem que se debruçar de tempos e tempos e pesquisar, ter um olhar diferenciado, pois a História assim como todas as coisas é algo mutável... o problema é quando isso é feito pos jornalistas... :D

ps: só comentando que vc falou la em cima também na parte citada pelo deco, sobre o povo do Rio, aqui não havia "povo do Rio", e muito menos "povo do Brasil", éramos colônia e grande parte das pessoas viam isso daqui como um ganha-pão e sonhavam em voltar um dia a bela Portugal, então para a maioria é uma honra a chegada da Família real por aqui.

Fortuna!