terça-feira, 23 de outubro de 2007

Só posto quando o Gardenal dá a brisa.

PENSAMENTO JUDICIAL DO DIA:

"Espero na linha do trem. O sinal está fechado. As cancelas, abaixadas. Espero como qualquer outro à bordo de um carro esperaria pelo trem que se aproxima. De repente, vejo um elesbão atravessando a via férrea com sua bicicleta Barraforte. Subitamente, me pego pensando como seria se um trem-bala japonês se materializasse e abalroasse, a 350 Km/h, o infame ciclista. Depois, volto à minha rotina, esperando o trem passar".


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MENDIGO MOLHADO

Eu sempre fui uma pessoa meio que carente de vaidade. Não me importava em andar pela rua com apenas uma bermuda, um chinelo e uma camiseta regata. Fosse para ir ao supermercado ou para o velório de meu Tio Jacinto. Quando tinha um revés amoroso, transportava-me para alguma ilha no Pacífico Sul, longe da civilização. Tal qual Adam Sandler no seu mais recente filme, onde ele simplesmente não se importa com mais nada depois que sua famiglia morreu no 11/9.

Mas até cinco dias atrás, eu levava minha imagem sem um pingo de seriedade. Foi quando conheci um velho jornalista. Ele era quase-aposentado, precisava de uma carona para o centro da cidade. Estava à busca de "Beijo no Asfalto" de Nelsão num sebo em minha nova cidade adotada, e como não tinha muito o que fazer, e viagem pra um e viagem pra dois não há diferença, eu fui e dei carona para ele.

Não sei o que aconteceu, mas minhas narinas receberam uma carga tão grande que meu cérebro se reconfigurou completamente. Tal qual o Lourenço do "Cheiro do Ralo", comecei ficando perplexo por causa do cheiro de mendigo molhado que aquele velho jornalista tinha. Parecia uma piada até - comecei a temer que as outras pessoas achassem que eu tinha o cheiro de mendigo molhado. Mas ele era oriundo da murrinha que se impregnou por dois dias no estofamento do meu carro.

Mas ao contrário do Lourenço, o cheiro de mendigo molhado não se tornou meu vício. Mas o começo da minha longa - ou curta, depende de quem diz - caminhada rumo à demência. Demência essa que infelizmente vitima grande parte dos profissionais da comunicação social.

Mas isso é papo pra outro post.

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Enquanto isso, tento escrever, à duras penas, "Leste 23". Eu não desisti. Será a minha "A Cabeça é A Ilha" do Dahmer.

3 comentários:

Ana Paula disse...

VocÊ consegue encontrar cada figura... rs.

:*

Deco Ica disse...

Isso tudo foi real?

Guilherme Grunewald disse...

O carro do André está com cheiro estranho à dias, se não for verdadeira a história, ele deve estar escondendo algo bizarro... 0.0