segunda-feira, 1 de outubro de 2007

"BOPE é POP, o BOPE não poupa ninguém...." ou "CAMPANHA ADOTE UM MEGANHA JÁ - BY LUCIANO HUCK"

Enquanto LESTE 23 não surge no seu primeiro episódio, eu vou ensaiando outras coisas nas horas vagas do trabalho.

Não, não vou falar bem ou mal de TROPA DE ELITE, nem do livro A ELITE DA TROPA. Talvez eu fale um pouco apenas da elite. Essa mesma, dos carrões e afins. Mas a elite só aparece por causa da ELITE.

Tudo começou com o livro. E depois para o filme. E para as polêmicas - roubo de armas cenográficas, cenas de tortura, uma suposta apologia à indústria da matança dos "Rio's Finest". O vuco-vuco continuou com a cópia pirata que caiu no Saara graças a um PM corrupto - ele não ganhou o arrego dele, como os diretores daquele clipe do Michael Jackson pagaram ao narcotráfico para gravar lá no cudojudas.

O filme, pirata mesmo, ou youtubado, ou e-mulado, caiu na boca do povo. Os reacinhas pró-Cansei adoraram ver os pretos, pobres e fudidos se fudendo na mão dos "Caveiras". Os comunistas odiaram ver os pretos, pobres e fudidos se fudendo na mão dos "Caveiras". A classe média ficou com o cu na mão ao ver seu apogeu de responsabilidade social - as passeatas pela paz - virando chacota nas mãos do diretor José Padilha (sobrenome de gambé, né não?). Wagner Moura, neoqueridinho da televisão, aparecendo em 80 filmes brasileiros por ano vira o novo anti-herói nacional, cruzamento de um pai de família com o Jack Bauer ianque. Mais dois filmes que esse lazarento aparecer e ele ganhará provavelmente o Premio Lei Rouanet de maior rendimento em cima de um projeto cultural no país.

O impacto social desse filme na sociedade foi exacerbado, na minha opinião. Tentar travar uma análise sociológica em cima de um filme de ação é querer embutir teses de intelectuais de botequim em obras como "Duro de Matar" ou "Desejo de Matar 8 - Paul Kersey na Faculdade de Arquitetura". O mal da intelectualidade (e da blogosfera) brasileira é achar que toda produção cultural no país tende a obedecer rígidos padrões de mensagem cultural. TUDO tem que ser uma crítica social, ou política, ou coisa que o valha. Esquecem o fato que é o primeiro filme nacional de ação com alguma coisa a mais desde "Cidade de Deus" (que na época despertou a discussão sobre a "Cosmética da Pobreza"). Um filme para a faixa etária (e mental) dos 15 a 25 anos melhor que a pasmaceira de "Lavoura Arcaica" ou "O Ano em Que Meus Pais Saíram De Férias", o maior comercial de margarina do mundo (crédito da idéia à Allan Sieber).

Paralelamente, Luciano Huck - o maior preibói da televisão brasileira (pra não dizer "judeu", ambos sinônimos na minha opinião) depois do Homem do Baú - foi assaltado no fim de semana. Como todo bom-burguês, ele sentiu vergonha de ser paulistano por dois manos numa moto terem rendido o relógio de ouro que ganhou de sua amada esposa pintuda. Clamou, nas palavras dele:

"Onde está a polícia? Onde está a "Elite da Tropa"? Quem sabe até a "Tropa de Elite"! Chamem o comandante Nascimento! Está na hora de discutirmos segurança pública de verdade. Tenho certeza de que esse tipo de assalto ao transeunte, ao motorista, não leva mais do que 30 dias para ser extinto. Dois ladrões a bordo de uma moto, com uma coleção de relógios e pertences alheios na mochila e um par de armas de fogo não se teletransportam da rua Renato Paes de Barros para o infinito”.

Ou seja, ele quis na verdade dizer, aos meus olhos: "Como esses pretos filhos da puta tiveram a audácia de sair do gueto e me roubar na Renato Paes de Barros, e não houve ninguém pra me ajudar, nem Jack Bauer, nem John McClane, nem Capitão Nascimento! E onde estão meus direitos como cidadão-de-bem?"

Bebé, vou te contar um segredo: a vida é assim. O jogo é jogado assim. Saiu com Nike Shox® no pé, cordão de ouro, Rolex®, celular V3® dando sopa, PERDEU, PREIBOI! Esperar ostentação num país de terceiro mundo como o Brasil é contar com a ajuda da carochinha na realidade. Quer mostrar que tu é um judeu rico? Vai pra Manhattan. Lá é que estão os ricos brasileiros, judeus ou não. Agora, não espere que o Sistema vai te ajudar só porque te levaram os pertences que não te pertencem mais.

Nada me tira mais do sério que pacifistas pastando pela paz e membros da elite financeira do país se assombrando com a realidade cotidiana. Isso, e papel higiênico vazio no banheiro. Deixo-os com mais um pensamento inspirado de Luciano Huck:

“Enfim, pensei, pensei, pensei. Enquanto isso, João Dória Jr. grita: "Cansei". O Lobão canta: "Peidei". Pensando, cansado ou peidando, hoje posso dizer que sou parte das estatísticas da violência em São Paulo. E, se você ainda não tem um assalto para chamar de seu, não se preocupe: a sua hora vai chegar. Desculpem o desabafo, mas, hoje amanheci um cidadão envergonhado de ser paulistano, um brasileiro humilhado por um calibre 38 e um homem que correu o risco de não ver os seus filhos crescerem por causa de um relógio.Isso não está certo”.

tradução: EU QUERO A MINHA MÃE!

7 comentários:

Whiskey Jack disse...

AH, meu, eu acho que ninguém tem o "direito" de ser assaltado.
Se o cara rala numa empresinha porca por salário ridículo ou ganha centenas de milhares de reais por mês num programa babaca, isso não significa que não seja trabalho honesto.
Afinal, pra que é afinal que trabalhamos?
Uns pra comprar comida pros filhos e remédio pros cachorros.
outros trabalham pra comprar um play 1 velho na feira do rolo e outros compram Jeeps Cherokees, mas não acho justo ninguem roubar qualquer um deles.
Foda ver o fruto do seu trabalho, seja suado ou não desaparecer num instante.

Cirilo Plus disse...

olá Sr Diniz!
é foda, né!?o cara esperou ser assaltao pra se tocar que existem páis de familia roubando pra comer...aff!
mas fora isso, mais uma bela postagem! e estamos aguardando sua estreia no banheiro lá de casa... sei que estou te devendo uma também... ms sou muito básico ante a ácidez do seu blog! rsrs vejo se preparo algo PH 7 pelo menos! rsrs
abraços!

Afonso3d disse...

minha única crítica é q essas pessoas só se manifestam quando acontecem com eles, de resto... nada muito diferente de outros discursos antiviolência...

Lili disse...

Quase nunca entro aqui e quando entro vc escreve sobre o BOPE, fez de propósito né? rs
Não assisti esse filme e nem faço questão, quem sabe quando passar na tela quente eu dê uma espiadinha.
Adorei "O Ano em Que Meus Pais Saíram De Férias" e prefiro passar uma tarde inteira vendo este filme seguido de "A Vida é Bela" no repeat, do que ver Tropa de Elite.
Quer saber? Prefiro ver mesmo é as forças armadas... hehehehehe
No mais, vocês escreve muito bem, mas isso você já sabe.
Bjus

Vida Bandida disse...

E então? Não vai no banheiro, não quer papo...
Sobre o lance de postar aqui? Mando o material pro teu mail é?!
Bjo!
Iris

Deco Ica disse...

Dizer que "O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias" é um grande comercial de margarina é uma tremenda bobagem. Comerciais de margarina não retratam o problema que foi o período de ditaduras militares na América Latina (e que tiveram, como consequência, aumento da miséria e da violência, além do crescimento do próprio crime organizado, quando da mistura de presos políticos com presos comuns). Não sei se foi vc ou o Sieber que afirmou isso, mas discordo totalmente.

Ademais, o Luciano Huck é um grande babaca por se envergonhar de ser paulistano por ter sido assaltado aqui. Ou ele acha que não existe assalto na Suíça? Só no Brasil é que tem assalto, né? Acho engraçado isso. O cara mora numa puta mansão no Rio, abre a janela de casa e dá de cara com um morro atrás dele, como paisagem. Explora a miséria alheia naquela merda de programa dele, submetendo as pessoas à provas ridículas em troca de esmola. Enfim, um cara da posição dele devia estar cobrando atitudes muito antes de uma coisa dessas ocorrer. Ele disse que ficou com medo de morrer e deixar os filhos orfãos. Calma, Luciano! Ninguém vai ser louco de te matar, pra depois apodrecer na cadeia ou aparecer baleado pela polícia. Olha o que aconteceu com o sequestrador do Silvio Santos! A minha vida é que não vale nada.

Enfim, deixa pra lá...

Deco Ica disse...

Achei necessário vir aqui fazer uma mea-culpa em relação ao Luciano Huck. Apesar de considerar ridículo o desabafo dele nos jornais e etc, li uma entrevista que ele deu à Veja (OK, o veículo é tendencioso, mas deixemos isso de lado) já sem o calor da emoção e ali ele me pareceu mais sensato. Defendeu a educação desde a base como a única saída possível para o problema da violência, não obstante seu entrevistador o quisesse incitar o tempo todo a criticar a polícia e o governo.

E para o Huck era mais fácil dizer o que a Veja queria que ele dissesse: que o caminho é investir em segurança, porque a classe mérdia não tem dinheiro pra pagar quem a proteja. Huck tá perdoado.