domingo, 12 de agosto de 2007

Histórias na mesa do almoço

Mesa da cozinha na singela residência dos Diniz. Hora do almoço, que hora feliz... A progenitora, a lendária Iolanda, se preocupa com a saúde e a qualidade de vida de todos da família.

- André, você deveria caminhar um pouco.
- Ah claro, andar pelas cercanias do Jardim Primavera.
- Ah, poderia andar até o (Supermercado) Shibata e voltar...
- A troco de quê? De alegre? De otário? "Oi, tudo bem? Não, eu não quero nada... Apenas vim pra esticar as pernas"...

Nessa hora Quentin Tarantino resolve baixar no velho.

"Nelinho, Jacozinho e o Pepe resolveram que iam começar a correr, se preparar para uma corrida estilo São Silvestre aqui em Jacareí, o dia eu não lembro direito. Eles entravam na fábrica sete e meia da manhã, mas se reuniam coisa de, mais ou menos, cinco e meia, e subiam e desciam a Estrada Velha (Rio-SP), da porta da fábrica até a (sede da) White Martins e voltavam.
Só que naquela época aqueles cornos da Santa Marina passavam com o ônibus levando a piãozada pra lá, viam os três correndo e gritavam:

- Aê pião! Perdeu a carona! Tá atrasado!!"

Risadas, e descontração.

- É, o povo naquele tempo era muito malvado...., obveia minha querida mãezinha.

"- Lembro que, quando ainda estavam fazendo a terraplanagem da fábrica da GM, e o meu antigo vizinho tinha um caminhão desses basculantes. Ele pegava os peões na Praça XV de Novembro, levava o povo no basculante...
- Estilão pau-de-arara?
- Nada! O pau-de-arara ainda tinha banco de madeira. Era só a caçamba! Então, ele pegava o povo na praça e levava pra GM, e no resto do dia ficava levando terra pra cima e pra baixo. No fim do dia, juntava a piãozada dentro da caçamba e trazia de volta pra praça. E naqueles tempos, os caminhões não tinham forro no teto da cabine, era só o ferro. Lembro dele contando que era uma sexta-feira e o povo veio batucando na caçamba e na carroceria. Aquilo devia fazer um barulho desgraçado, porque ele parou o caminhão e mandou o povo parar. E vaiaram, mandaram ele continuar dirigindo... Só sei que quando ele chegou na praça XV, não deu outra: ele ligou o basculante e jogou todo mundo de lá. Foi a última vez que ele fez aquilo - foi demitido no dia seguinte."

***

Uma das coisas boas de voltar é ouvir essas histórias.

3 comentários:

Xyka disse...

histórias bizarras de família. hihihihi

:*****

Veranie disse...

hahaha... um belo texto para se ler às 4 da tarde comendo o resto do capelleti ao molho branco e ervilhas do jantar de ontem.
É q seu fosse pra sala comer eu ia acabar deitando e não iria lavar a louça, então preferi compartilhar a solidão dessa minha pequena refeição lendo alguma coisa que prestava na frente do pc...
E eu ia adorar estar na caçamba daquele caminhão... hehehe... mas seria bem mais legal ser o motorista... hahahahahah

Deco Ica disse...

Todo mundo devia ter momentos como o que esse motorista teve. Mandar pra puta que pariu do jeito que ele fez. Hahahaha...

Qualquer dia vou lá almoçar com seus velhos pra ouvir essas estórias!