sábado, 21 de julho de 2007

Wiki-política: O Último dos Tabajaras

ACM aos 12 anos, na juventude udenista na Bahia.


Ding, dong. A vadia morreu. Antonio Carlos Magalhães, vulgo ACM, vulgo Toninho Malvadeza, vulgo Cabeça Branca, vulgo Fat Tony na manhã de onem morreu, esticou as canelas, passou, foi pra vala, apitou na curva, virou adubo, apertou a mão da guria gótica do Neil Gaiman, não encherá mais o saco, fechou a conta e passou a régua.

Depois de vários anos tentando morrer, inclusive depois de uma luta de dez assaltos no Chippewa Hotel and Cassino no Oregon americano contra Heloísa Helena (empate técnico segundo os juízes, sendo um deles Dona Canô Veloso), dois ataques cardíacos e falência renal (uma vez que seus rins se declararam "Inimigos Políticos" do cacique cobra-coral baiano - e todo mundo sabe o que acontece com os inimigos de ACM), ele finalmente fez uma coisa positiva para o Brasil: morrer.

Ainda mais numa época tão triste, com a Seleção Brasileira Feminina de Vôlei amarelando diante das comunistas cubanas MAIS UMA VEZ, com o acidente do TAM-3054 (onde Congonhas se queimou tanto no filme - mais até que os pobres diabos que estavam naquele Aribus infeliz - que até a Ocean Air, a companhia aérea do Lost, cessou suas atividades lá) e com a campanha dos times paulistanos no Brasileirão (Corinthians perto da falência financeira, São Paulo que não sabe o que é marcar um gol desde dezembro de 1977), ele nos deu a alegria de deixar nosso plano para disputar as eleições para a presidência do Inferno em 2008. Vai ser um páreo difícil, já que Adhemar de Barros, Hitler, Mário Covas e Pinochet vão fazer uma coligação política para apoiar Satanás, que pela primeira vez em aeons está com seu domínio ameaçado.

O único problema é que, como toda Mother Alien, ele deixou um sucessor político: ACM v. 3.0, o que era de se esperar. Os Senhores do Sith só andam em dupla. Nem mais, nem menos.

Ah, Pára, ô! Acha que é bonito ser feio?

Mas não estamos aqui para APENAS achincalhar de maneira jocosa a figura de Seo Antonio Carlos.

Pouco antes de dormir, Carlos Nascimento perguntava em seu espaço de comentário no Jornal do SBT (que não falou sobre a morte de seu diretor de programação no RS no acidente do TAM-3054, diga-se de passagem) "quem seriam os políticos que escreveriam a história política brasileira no século XXI", dizendo que "seria difícil encontrar os novos políticos". Talvez seja pretensão minha comentar os rumos da política nacional, mas é assim que eu vejo as coisas, e por favor corrija-me se eu estiver errado:

- A evolução do governo da nossa civilização foi do despotismo, para a monarquia (do absolutismo para o parlamentarismo), para a república e a democracia. Pelo menos nos últimos 600 anos no Ocidente, e nos 500 de historia brasileira. E a democracia, por conceito, é um governo onde é respeitada a decisão da MAIORIA NUMÉRICA. Pelo menos na teoria.

Não estamos chegando a lugar nenhum né? Então... Num país de DEMOCRATAS de verdade, não como no partido ex-PFL, há um esforço coletivo para que as leis, os projetos e orçamentos sejam votados e que sejam punidos pelas comissões competentes. Não um torneio pra saber quem é o cacique mais poderoso das casas do Parlamento.

ACM é um dos antigos senhores feudais, fósseis do tempo da quadrilhagem encapsulada. Da roubalheira escondida, quase baseada na omertà mafiosa e que viviam de conchavo com governos autoritários, militares, além de grandes redes de televisão. Ainda restam outros "grandes políticos que marcaram a história política do Brasil" que estão esperando a hora certa pra desencarnar e nos permitir dar boas-vindas ao novo.

Como o Brasil, que por muitos anos ostentou o título de "país do futuro" conseguiu seguir com a política do passado? Udenistas - partidários da União Democrática Nacional (partido político da idade da pedra) são a versão pregressa dos pefelistas-democratas de hoje. Eles sobreviveram ao inverno nuclear do Golpe de 64, ao contrário de partidos com mais atitude voltada ao bem-comum (como acontece nas regras internacionais da política). E como as baratas, eles sobreviveram se adaptando aos novos tempos. Mamaram nas tetas do governo até não aguentar, estocaram conchavos e concessões estratégicas em locais cheios de gente simples e fácil de enganar - infelizmente grande parte do Brasil se encaixa no perfil. Muitos tentaram seguir o exemplo dele, mas sem sucesso: Jader Barbalho, no Pará. Hildebrando Paschoal, no Acre (Lembra? O cara da motosserra?). Joaquim Roriz, Renan Calheiros... Não precisa de muito esforço pra saber quem é "da taba": ache um senador do Norte/Nordeste/Centro-Oeste com mais de vinte anos de vida política e encontrará um senhor feudal moderno.

Mas a vida é evolução, nos ensinou Darwin. Ninguém vive pra sempre, por mais que se tente. E com eles, esperamos que o exemplo desse passado político arcaico seja apagado. E que o poder de vida e morte sobre os destinos políticos no Legislativo e nos Estados não seja decidido por apenas um bando de velhos decrépitos.

Numa analogia bem oportuna: Sarney e ACM são como a Barsa Encyclopaedia. E a nova geração é a Wikipédia. A primeira é imponente, cara, e junta poeira que é uma desgraça. A segunda pode até não ser confiável agora, mas pelo menos se algo está errado, é BEM mais fácil corrigir de imediato.

***

Ele ter uma matéria pronta e engavetada no Jornal Nacional sobre o fim dele, tudo bem. Mas que os políticos que desde sempre consideraram-o um puto ou até pior dizer "mesmo que tenhamos sido adversários na política, ele era um grande homem" é demais para o meu fígado.

4 comentários:

PH disse...

A comparação com os sith foi a melhor... rs...

Texto deveras interessante!!!

Deco Ica disse...

Como diria uma das senhorinhas que se juntam em volta do Mané Galinha quando ele mata o primeiro bandido do bando do Zé Pequeno, no Cidade de Deus: "Isso aí, meu filho, matou bem! Mas esse foi só um deles, tem um monte ainda!"

E fico puto de caras legais morrerem jovens e essas pragas viverem pelo menos até os 80 anos!

Acerta tuas contas com Deus agora, ACM!

Whiskey Jack disse...

muito bom o texto.

gostei dos lords sith e das eleições do inferno.

Vida Bandida disse...

Ainda falta um monte!