quinta-feira, 19 de julho de 2007

Short Story: Ô Praga!, além de Freak Newsletter.

Zazá estava em companhia de sua pequena cadre quando entrou na casa de sua namorada. Ou quase entrou, não fosse o cara que abriu a porta do pequeno sobrado na periferia da zona oeste da cidade. A resposta de "Com quem gostaria de falar?" foi o cano da Taurus PT semiautomática entre os olhos, o que permitia que Zazá, Nico e Pereirinha entrassem na casa.
A pessoa que abriu a porta era Didi, cunhado de Zazá. Tinha esse apelido oriundo de Diogo, e também porque era cheio de fazer gracinhas quando era criança. Piadas essas carentes de qualquer graça - por isso chamavam-o de Didi. Sua irmã, Clarice (com C), sempre foi mulher de malandro. E com Zazá encontrou sua serenidade financeira. Não é todo dia que você encontra um partido daqueles: ladrão de carga, chefe de quadrilha, que adorava mimar suas namoradas.
Namoradas no plural, uma vez que todo mundo sabia que o que o Zazá tinha de psicopata, tinha de rico e garanhão. Para Silene, uma paraguaia que conhecera na fronteira, deu uma motocicleta 125 cilindradas. Para Kelly, loira do Paraná, dois tijolos de maconha comprados do outro lado do Rio Paraná. Para Clarice, sua favorita, uma casa na Zona Oeste, bem longe de tudo o que acontecia. Jamais escondeu que era polígamo, e o fazia parecer como um charme a mais na imagem de herói abandonado e perdido.
Zazá só aparecia uma vez a cada três semanas, enquanto cuidava dos negócios e de seus contatos que o mantinham fora de vista das autoridades. Mas quando voltava, 'chegava chegando'. Era comum chegar com os amigos e fazer uma pequena bacanal, com champanhe, uísque e piranhas para distrair os amigos, enquanto Zazá tirava o atraso no andar de cima. Só que algo estava errado.Enquanto o som comia solto lá embaixo, Zazá tentava comer solto no andar de cima. Mas sentia que algo estava errado, que ela não estava cooperando com as tentativas de Zazá em comer o cu de sua pequena. O avô de Zazá, seu Gregório, sempre disse que "o cu de uma mulher é uma declaração de amor". E naquela noite, nem pelos fundos, nem pela frente, Clarice se permitia ao desfrute.

- Caralho, o que tá rolando hein?
- Disculpa amor, mas não tô no clima hoje não.
- Puta que pariu, por quê não falou que você tá menstruada, Clarice?
- Não, eu não tô menstruada.
- E o que é então?
- Não tô grávida também, se você quer saber.
- Ê buceta, desembucha!
- Não tô mais afim de ficar contigo, Zazá.
- Não fode.
- É sim Zazá, não tem mais como ficar nessa. Eu gosto de verdade de você, e você some um mês, tem vez que fico quatro meses sem te ver e nada.
- Já peguei o lance.

Ele se levantou, colocou a calça, os sapatos e a camisa. Clarice tentou chegar perto dele mas só viu o borrão do cinto de Zazá indo em direção à sua bochecha esquerda. Zazá acreditava que sua namorada estava enfeitando a sua testa, e por isso não merecia mais do que uma surra de cinta dele. Ou merecia?
Ele enrolou a cinta sobre seu punho direito e, enquanto segurava-a pelo cangote com a mão esquerda, a direita vinha sobre seu rosto como uma britadeira descontrolada. Depois do quarto soco, ela parou de choramingar a dor que sentia, seja pelo desmaio ou pelo dano que os cruzados faziam no nervo deseu maxilar. Mas ainda não bastava "pr'aquela vagabunda". O amante furioso puxou-a pelos cabelos para fora do quarto e jogou-a pela escada, caindo perto da mesinha de centro da sala. Zazá, ainda com o cinto amarrado na mão com algumas manchas de sangue no punho, ordenou que eles "largassem essas piranhas e fossem pegar algo melhor". As meninas contratadas saíram correndo em desespero, largando Clarice na sala.

***

Didi encontrou sua irmã na manhã seguinte, voltando da casa dos pais em Guarulhos. Ela tinha quebrado o joelho direito durante a queda, além do rosto que ficou deformado com o surto violento de Zazá. Levou-a às pressas para o Pronto Socorro, onde ficou esperando três horas e meia por socorro, até que um médico se dispôs a meramente receitar analgésicos para a dor, enquanto engessava a perna de Clarice com muita má-vontade.
No dia seguinte, Didi rastreou Zazá pela Zona Oeste até encontrá-lo num botequim. Resumiu-se a atirar em Nico e Pereirinha do fundo do bar quando eles chegaram e sair correndo, pulando a cerca dos fundos. Correu por noventa metros até encontrar a mira calibrada da Taurus de Zazá. Um balaço nas costas e suas pernas começaram a formigar. No segundo disparo, a camisa branca de poliéster começou a ganhar um tom vermelho intenso. Zazá estava com um vermelho nos olhos tão vivo quanto o da camisa de seu ex-cunhado.
Ele estava pronto para atirar, mas a sua arma travou no instante final. Enquanto ele verificava o que tinha dado errado, Didi teve seu último momento de coragem:

- Me escuta bem seu filho da puta: você comeu a minha irmã, enganou ela, e fudeu com a cara dela. Agora você nunca mais vai comer uma mulher na sua vida por vontade própria. Agora vai ser só pagando! E depois vai ser a sua ruína!
- Cala a boca.

O tiro ecoou pelo mato e pelas estradas, chegando aos ouvidos de um andarilho na beira de uma estrada.

***

O que Zazá não sabia é que tanto Didi como Clarice tinham sangue cigano. Muito ralo em suas veias, mas ainda tinham a ascendência romani. E a praga pegou. Ele nunca mais conseguiu nada de suas namoradas: Silene foi presa por associação ao tráfico no Paraguai e ficou retida numa prisão paraguaia dali em diante. Kelly trocou-o por um cachorro maior, e nunca pagou pelos dois quilos de maconha. Zazá começou a pegar piranhas a dois por um real, bebendo e cheirando quando tinha um tempo livre. Começou a ficar mais descuidado no meio das ressacas de brisola. E quando estava a milhão nas ondas de farinha, ficava mais agressivo. Continuava fazendo dinheiro, mas foi uma das putas que ele maltratou que o entregou à polícia.
Foi preso na Bolívia e não teve direito à extradição. No fim das contas, nem toda a sua marra conseguiu impedir que suas pregas fossem invadidas por um exército de prisioneiros bolivarianos.

***

Didi não tinha documentos quando decidiu peitar seu ex-cunhado. Foi mandado para um cemitério de indigentes em algum lugar da Zona Sul de São Paulo. Oito meses depois, teve uma visita inesperada: o andarilho que ouviu sua maldição tomou seu crânio da sepultura, tentando vendê-lo para estudantes de Odontologia que queriam estudar o sistema ósseo-craniano. Todos os nove donos da cabeça de Didi foram reprovados na faculdade. No final, foi vendido para um satanista que tentou fazer uma oferenda para o Cramulhão, só que foi atropelado por uma van cheia de católicos rumo ao Campo de Marte, para ver o Papa Bento XVI.

***

Clarice voltou para a casa dos pais, manca e deformada, pois vivia de favor na casa de Zazá (que ele trocou por uma sociedade numa boca de fumo na Zona Leste). Nunca mais conseguiu um emprego como o de "mulher de malandro", resumindo-se a vender planos de saúde pelo telefone por um salário de fome. Tentou se inscrever num quadro de um programa sabatino onde um judeu se oferecia a reformar as casas de seus escolhidos, desde que eles topassem pagar um mico diante das câmeras (no caso deles, a família inteira teria que dançar Can-Can, com vestidos e paetês). Clarice não era "fotogenicamente viável".

*******

Baseado no universo de histórias de Zelão e Companhia, de Deco Garcia, o "Sonhos e Clichês II (http://sonhosecliches.blogspot.com).

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E como se não bastasse o mundo-cão com acidentes de avião...

Grupo seqüestra jovem para conseguir senha de game

da Folha Online

Uma quadrilha composta por quatro jovens foi presa na manhã desta terça-feira por policiais civis do DAS (Divisão Anti-Seqüestro) de São Paulo. Eles são suspeitos de seqüestrar um jovem para conseguir sua senha no jogo Gunbound.

Segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública), Anderson Faquini, 19, Alexsander Kaiser Pereira, 27, Tamires Rodrigues Vieira, 19, e Igor da Silva Carvalho, 27, atuaram em conjunto no seqüestro relâmpago de um jovem de São Paulo em maio deste ano.

O jovem, segundo a SSP, é líder no ranking do Gunbound, game que só pode ser jogado on-line, por meio de servidores repletos de usuários de todo o mundo, inclusive brasileiros. Assim como em um RPG, quanto maior o número de vitórias conquistadas, mais pontos de experiência são ganhos e, com eles, o dinheiro virtual necessário para comprar armas e equipamentos para sua equipe.

A intenção da quadrilha, segundo a SSP, era a de obrigar o jovem a fornecer sua senha para que eles vendessem a pontuação --e o lugar no ranking-- por R$ 15 mil usando o site Youtube.

Ainda segundo a Secretaria de Segurança Pública, mesmo tendo uma arma apontada para sua cabeça durante cinco horas seguidas, o jovem não forneceu sua senha. Com isso, a quadrilha o libertou.

Estratégia

Para conseguir atrair o jovem, a quadrilha se valeu da namorada de Igor, Tamires. Ela teria entrado em contato com o jovem por meio do Orkut e tentou comprar a sua pontuação no ranking. Como não teve sucesso na investida, marcou um encontro com o jovem em um shopping de Guarulhos (Grande São Paulo).

No dia marcado para o encontro, Tamires não apareceu. Em seu lugar foi Igor. Ele estava armado, segundo a SSP, e rendeu o jovem. Por meio de um telefone celular o restante da quadrilha tentava acessar a conta do jovem, mas, como ele não informou a senha correta, o grupo teria desistido e liberou a vítima.

A Polícia Civil conseguiu localizar e identificar a quadrilha após o jovem fazer o reconhecimento dos envolvidos.

2 comentários:

Whiskey Jack disse...

o que é pior ? A realidade ou a ficção?

Deco Ica disse...

Deus do céu... Todo mundo se fodeu, no fim das contas. E a parte da van com católicos indo ver o Papa atrapelando o carinha lá ficou impagável.

Enfim, meus parabéns!