sexta-feira, 6 de julho de 2007

Me-Me-Me-Mega COMBO THE COKE INC!

1) Reflexões de Braço Jornalístico-Paladiniano-Dramatúrgicas

O filho do José Eduardo "Caderninho" Savóia sai da faculdade, com cheiro de incenso e maconha nas roupas e apresenta reportagens no esportivo da hora do almoço. Rory Gilmore termina a faculdade e vai para Seattle. Eu, com muita sorte, irei para o Mogi News. Não é de graça que muita gente AMA seriados enlatados. Principalmente aqueles com a vida cor-de-rosa e cor-de-mato, das matas que restaram das 13 Colônias inglesas. Onde as pessoas não precisam cheirar cocaína para falar a 72RPM. Onde internet banda-larga é a lei.
Se bem que o lugar dos meus sonhos na teledramaturgia sempre foi o núcleo rico das novelas mexicanas. Não me importaria de pegar uma empregadinha mexicana, desde que elas fossem beldades de olhos azuis e lábios carnudos. Não parentes de quarto grau de Danny Trejo (sabe, aquele mexicano com cara de ex-presidiário cheio de tatuagens em TODOS OS FILMES DE ROBERT RODRIGUEZ?), como é na vida real.

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2) Encontrei minha putinha!

Ah, o Dia dos Namorados. Uma data comercial. Mas cheia de incensos, acendidos em outros cantos do mundo em celebração ao amor de Santo Antônio. Nesse clima romântico, finalmente coloquei as mãos em "Memória de Minhas Putas Tristes", de Gabriel García Márquez.
O velho nunca perde a mão. É mais ou menos como um Chico Buarque da literatura (mas sem o lance do Chico himself nas linhas): ele aparece uma vez, faz o show e se mantém pelo mito. Não precisa de muito trabalho, apenas mantém o padrão de excelência. E que padrão. Márquez entra no time dos 'tr00 velhos safados" (Nabokov com o emblemático "Lolita" que rendeu sonhos eróticos com Dominique Swain por semanas; Thomas Mann com "Morte em Veneza" onde a beleza, uma praga e um moleque de cabelos loiros tomam a vida de um maestro de assalto; e Yasunari Kawabata com "A Casa das Belas Adormecidas", que tecnicamente foi o plot central) com a história de um nonagenário (um cara na casa dos noventa anos) que resolve celebrar o feito comendo uma ninfeta virgem, contra todos os dogmas morais e legais da Colômbia atemporal que só Márquez sabe fazer.
Mas, como só na ficção pode acontecer, a paixão atinge o velho. E como esse sentimento besta pode fazer com as pessoas, ele começa a viver depois dos noventa. Larga a pose de velho rabugento e por um ano - através de enxurradas, prisões e demais estorvos - vive uma paixão juvenil. A ponto de pegar uma bicicleta e sair cantando enquanto pedala como se estivesse no filme da Mary Fucking Poppins, cuidando de gatos vadios e transformando-se num demônio da Tasmânia quando tem uma crise de ciúmes e quebra todo o quarto do puteiro onde ele não-comia a jovem sem nome. Oscilando entre a rabugice e a paixonite, o personagem principal - jornalista, pra variar - encontra um novo mundo em quase cem anos de solidão voluntária.
O livro é mais que a história de um velho babão que se apaixona por não-comer uma pré-adolescente analfabeta. É uma celebração da paixão de viver. Como se, no último momento de nossa existência imbecil, encontrássemos um motivo para nos apegar à ela e nos reinventarmos. Tal qual deve ter acontecido com Márquez, que aos oitenta anos recebeu uma homenagem a voltar à sua cidade natal depois de 24 anos de ausência. E ainda teve o espírito de mostrar a língua para as câmeras a bordo de seu vagão de trem com borboletas amarelas pintadas em sua lateral, como no seu eminente "Cem Anos de Solidão".

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3) Short Story: Relembranças e Andanças

Me lembro de pouca coisa depois do Especial Orlov. Lembro de derrubar uma geladeira. Tudo porque a namorada da piranha que eu tinha pego - e ido até o privé/apartamento dela - não tinha ido com as minhas fuças, apenas por 'pegar um pouco d'água'. O carro tinha quebrado na frente da casa da moça, logo eu teria que percorrer um longo caminho até meu sacrossanto lar.
Tinha motivos da namorada dela não ir com a minha cara. Começava que ela era maneta, ela não tinha mais da metade do antebraço direito. Foi por um triste incidente envolvendo uma câmera de vídeo, um playboy paulistano, vinte mil reais, e as pregas de um cavalo de rodeio, mas eu não sabia disso. Ela era feia como o diabo tendo o fiofó arregaçado. Só sabia que, depois de terminar o serviço, eu fui mijar e dei de cara com ela na banheira, fumando sob a luz de velas. Pelo visto eu tinha me tornado as preliminares de uma coisa completamente doentia. Pelo menos, àquela altura do campeonato, as coisas tinham se tornado extremamente doentias. "Nunca me viu, seu babaca?", ela perguntou. Não de graça.
Fiquei pensando nas ironias da vida e como aquela sapata - sapata mesmo, com cara de sapata, jeito de sapata, cabelo curto de sapata - tinha perdido o antebraço. Fui até a geladeira, e abri em busca de um gole de cerveja. Cerveja essa que eu tinha trazido da boate. Quando a cretina meteu a mão no meu peito. "Essa aqui não é sua casa, seu otário". Não mesmo, por isso eu derrubei a geladeira. Não iria derrubar a geladeira da minha própria casa, isso não faria o menor sentido.
Continuava voltando a fita dentro da minha cabeça. Estava na "Megido", inferninho de quinta categoria no centro da cidade quando a avistei. Estava tão transtornado com as doses de vodca com suco de caju que não fiz muita cerimônia quando a vi apoiada no balcão do bar. Mais parecia uma personagem saída dos telecatches femininos ianques. Ou de um filme pornô, não saberia diferenciar. Mas ela estava ali, eu estava ali, decidi fazer o xeque-pastor contra as cachorras: coloquei a chave no balcão, diante dos olhos dela, e disse:

- Me leva pra casa.
- Tá.
- Pra sua casa.

A Megido ficava no final do "Caminho das Vadias", a Avenida Doutor Roberto Marinho, uma reta de quase um quilômetro e meio onde as garotas de programa realizavam sua função social: entretenimento e conforto aos jovens adultos, ricos ou desvalidos. Ali, como no mercado das pulgas, poderia encontrar aquilo que mais lhe desse apetite: homens, mulheres, híbridos e, claro, as dancinhas no sinal. Era a coisa mais divertida de todo o lance: os playboys paravam o carro no meio-fio e colocavam o funk à toda nos carros; e as meninas rebolavam e iam até o chão, para delírio dos transeuntes. Não era de graça que aquela avenida
tinha o maior número de acidentes depois das 22 horas na cidade. Oh, vida. Para aqueles que passavam pelos vários setores da avenida e não encontravam o que queriam (ou não tinham dinheiro nem para um insípido boquete) às duas e meia da matina, havia o Megido, que era o happy hour delas.
Me lembro de chegar na Megido depois de comer o pão que o diabo amassou. Dar os tapas no freebase na saída do trabalho não tinha feito muito bem pra mim, esperando melhores reações. Comecei a beber como se não houvesse futuro. Como a birita era boa, eu ia bebendo. E ia fumando. Terminei a ponta quando encontrei a vadia número 1.
Me lembro que era meu aniversário. Ou era um dia importante.
Me lembro que algo importante tinha acontecido.

***


Dedicado à Rômulo Arantes Neto, um cara que respeita os direitos das mulheres, as diferenças sexuais, sociais e todas as outras na noite carioca. Um cara digno da Malhação.

3 comentários:

LESHRAC disse...

500 posts juntos... :) muito legal, trava qierendo ler memórias de minhas putas tristes.

Whiskey Jack disse...

hauhahuahua só a dedicatória já matou a pau.
bons textos.
como sempre.

abraços.

Deco Ica disse...

Resenha apropriada do livro do Marquez essa que vc fez. Agora eu quero ver resenhar o Cem Anos de Solidão! Hahahaha...

Quanto à historieta meio sem sentido, eu gostei. Tem continuação ou nunca ficaremos sabendo o que de importante aconteceu com o rapaz?

E finalizando: esse cara da Malhação é um otário! Se eu tivesse a grana que ele tem, eu não saía dos puteiros de luxo! Não ia me dar ao displante de pegar puta (e transgêneros por engano!) num calçadão carioca qualquer!

Abs!