quarta-feira, 30 de maio de 2007

ROUBOS E COLAGENS: 10 Erros do Cinema Nacional

N.A.: Eu li esse texto como um apêndice de sortidos da VIP em 2002, mais ou menos na edição que a recheuda Ellen Rocche (meu ex-sonho de consumo como boneca inflável) figurou como "a mais sexy do mundo segundo a VIP". Perdi a edição, ficou a lembrança. Até este exato dia, quando o autor ressuscitou essa pérola, a qual ainda me fará escrever o livro "EU TE AMO, P*RRA: A História do Cinema Brasileiro nas décadas de 1970 e 1980".

10 erros do cinema nacional.
De Lusa Silvestre.

1 ­ Mulher Pelada:
Hoje está todo mundo vestido. Isso vai contra a nossa cultura. O cinema
nacional sempre mostrou a mulherada das novelas peladas, quase sempre antes
das revistas masculinas. E melhor: em movimento.

2 ­ Cenas no meio da caatinga:
Quer coisa mais brazuca que um tiroteio entre cangaceiros e a poliça? O
máximo que aparece hoje é a Fernanda Montenegro procurando gente no sertão
pra entregar carta. Desarmada.

3 ­ Roteiros do Nélson Rodrigues:
Eram diversão garantida. Sempre histórias cabeludas, e trazendo mulheres
loucas pra mostrar um peitinho pro primeiro primo disponível.

4 ­ Perseguições de Dodge e Opala:
As perseguições de Hollywood eram em San Francisco. As nossas, na 23 de
maio. Agora, pra rever aqueles Dodjões cor de sopa de cenoura, só mesmo indo
no pátio do Detran.

5 ­ Fotografia:
Bons tempos quando o filme parecia ter sido revelado num vidro de cândida.
Atualmente, estão até retocando cor na pós produção. É o mesmo que tirar o
verde da Amazônia.

6 ­ Palavrões:
Justiça seja feita: eles ainda são ouvidos. Mas sempre fazendo parte do
contexto. Não pode: cinema nacional é palavrão gratuito. De preferência,
fora de sincronia. Eu te amo, porra !

7 ­ Trilha Sonora:
Gilliard, Bartô Galeno, Magal, Perla, quanta gente boa já cantou nos nossos
cinemas. Pra esses caras voltarem pra telona, só se a Marisa Monte regravar.

8 ­ Aberturas:
Cinema brasileiro é libertário, é revolução, é Glauber. É abertura de filme
com cartolina e canetinha. Necas de computador, design, etc. Isso tudo é
coisa de povo aculturado.

9 ­ Títulos dos Filmes:
Virou moda batizar um filme pensando na versão pro mercado americano. E por
causa disso, perde-se todo o humor brasileiro. Como traduzir sutilezas de
sentido dúbio como Baralho e Tênis ?

10 ­ Lucélia Santos:
Cadê a Lucélia Santos, que tantas alegrias nos deu em filmes como
"Engraçadinha" ou "Bonitinha mas Ordinária"? A nova geração só vai lembrar
da Lucélia como Escrava Isaura. Que além de chata pacas, se vestia até o
pescoço.

Lusa Silvestre é cronista do Blônicas e garimpa no cinema nacional.

1 comentário:

Deco Ica disse...

E o pior é verdade...