sábado, 5 de maio de 2007

A RESENHA DO DIA É....

"O uniforme novo até que é legal, eu estou mais forte e tudo, mas esse ALVO BRANCO nas minhas costas é que me mata de desgosto..."


Homem-Aranha 3

"Si Vix Pax"

Conciliação. Esse é o termo que melhor descreve o terceiro filme do Homem-Aranha - o herói nerd e debochado da Marvel - escrito e dirigido por Sam Raimi (o mesmo diretor da série Evil Dead: Uma Noite Alucinante e A Morte do Demônio). O diretor tinha em mente trabalhar com apenas um antagonista por filme (no primeiro foi o Duende Verde, interpretado por Willem Dafoe; no segundo o lado negro é representado por Dr. Octopus, vivido por Alfred Molina), para evitar que bons roteiros fossem comprimidos para satisfazer o ego do público e dos produtores, tal qual aconteceu com a galeria de vilões do Batman na "Era Joe Schumacher". No terceiro filme, seria a vez do Homem de Areia, interpretado por Thomas Haden Church. Entretanto os fãs do super-herói mais desligado da pecha de "super" dos quadrinhos pediam ardorosamente que outro elemento fosse incorporado à trama: Venom. Fazendo as pazes com o público, Raimi resolveu afrouxar seus padrões e introduzir mais um inimigo para infernizar o Amigo da Vizinhança.

Venom, nos quadrinhos de Stan Lee, é uma forma de vida alienígena que busca um hospedeiro e compartilha de suas experiências. Com isso, "exacerba suas qualidades, principalmente a agressividade". Em termos gerais, é um anabolizante com vida própria. A mutação que causa no bom e ordeiro Peter Parker, transformando num anti-herói truculento e impiedoso (como nos personagens do mundo de Frank Miller) e as contradições que trazem ao 'escalador de paredes' foram aguardadas desde o início da franquia, em 2002. Depois de dois filmes, o público exigia que o Homem-Aranha enfrentasse seu pior inimigo: ele mesmo.

Durante os créditos iniciais, uma teia se constrói pela tela, formando um mosaico de imagens dos 2 primeiros filmes: como ele adquiriu seus poderes, como aprendeu a usá-los, como teve sua primeira perda como herói (a morte trágica de Ben Parker, seu tio e referência paterna), seu primeiro super-inimigo (Duende Verde), entre outros arcos, como a vitória sobre seus inimigos e sobre sua timidez, conseguindo - mesmo que precocemente em relação à crônica dos quadrinhos - ficar com a bela Mary Jane Watson, interpretada pela tchutchuquinha Kirsten Dunst (que desde quando era uma jovem ninfeta fazia marmanjos suspirarem em "Entrevista com o Vampiro"). Nos primeiros minutos de ação, mostra-se um Peter Parker pobre e pé-rapado, mas ainda sim feliz da vida. É o primeiro da turma na sua faculdade, seu herói passa por uma onda de carisma com o público novaiorquino, e seu namoro com a estrela da Broadway em ascensão M.J. vai à plena força.

MAS, como a Jornada do Herói (como talvez tenha escrito Joseph Campbell, autor de "O Poder do Mito") não é pra qualquer um, devagar, devagarinho, as coisas vão degringolando. O ciúme de Mary Jane em ver o alter-ego de seu namorado ser mais famoso que ela mesma (e também o ciúme para com Gwen Stacy, que é a primeira namorada de Parker nos quadrinhos), o surgimento de um rival do fotógrafo Peter Parker no Clarim Diário - Eddie Brock (Topher Grace), e a fuga de Flint Marko, assassino do Tio Ben (e que ganha seus poderes de se fundir e com a areia, na minha humilde opinião, da forma mais forçada que pode existir no cinema).

Nesse turbilhão emocional o herói abre a brecha para a tentação da justiça que o fígado e os culhões pedem, mas é negada pelo coração e o cérebro: o vigilantismo. Nesse momento acontece a cena da queda do herói para a fúria do simbionte, dando origem ao Homem-Aranha Negro, numa cena que poderia ser muito bem interpretada por alguém com alguma sacada básica de semiótica, a ciência de decifrar signos. Mais como um apêndice que qualquer outra coisa, surge o terceiro elemento contra Peter Parker: o Duende Macabro, Harry Osbourn (James Franco). O filho que herda o legado do pai, inclusive na vilania, persegue implacavelmente ambas as faces de "Spiderman" pelas ruas da cidade, numa pusta cena de ação sobre um beco no centro da cidade. Por um golpe do destino, Harry perde a memória e volta a ser amigo de Parker e Mary Jane, separado desde o final do segundo filme, quando descobre a identidade do suposto assassino de seu pai (mais uma vez Parker se dá mal: é descoberto e é culpado por uma morte que não cometeu).

Na fúria artificial de Venom, no desejo de vingança de Parker contra Mirko e a vingança de Brock contra Parker, e na frustração do herói ao ver Mary Jane escapar pelos seus dedos (no limiar do pedido de casamento) a história se move. E move-se com boas cenas de ação em CGI, num ritmo bem dosado (evitando o overkill de Tarantino e a morosidade de "Superman: Returns" de Bryan Singer), sem perder o foco humorístico com J. Jonah Jameson (J.K. Simons), caminhando para um ex maquina (o final teatral) com uma lição que parece ser uma indireta para todo o público ianque. Quem assistir ao final, entenderá essas palavras.



No final, é um bom filme. Fechou até que direitinho a trilogia. Agora... ELES TEM UMA NECESSIDADE FREUDIANA DE COLOCAR O HOMEM-ARANHA DIANTE DE UMA BANDEIRA AMERICANA SEMPRE QUE FAZ ALGO HERÓICO, HEIN? Catso!

2 comentários:

Luís disse...

Adorei a resenha, foi fantastica.
O tipo de resenha que poderia estar perfeita numa Veja ou Folha de São Paulo.
Digo porque gosto das resenhas desses informativos.

abraços e continue assim.

LESHRAC disse...

foi um bom filme, eu gostei, mas essa de colocar muitos inimigos foi (e sempre é) algo ruim, se tivesse batido o pé e feito um filme só com o venom, ou o homem de areia... o duende até dava para aparecer em conjunto com algum outro vilão pois ja tinha sua história desenvolvida nos ultimos dois filmes, o que ajudaria, mas desenvolver dois antagonistas é muito dificil...

Se achou o modo como o Homem de Areia adquire poderes ruim, vc deveria procurar como ele ganha poder nos quadrinhos... beeem pior... HAHUAUHUHA

Fortuna!