sexta-feira, 27 de abril de 2007

JORNALISMO CACO 2 - O Dia em que o Indie Rock morreu

Disposições gerais: 1) não tenho vergonha em roubar o Kibeloco. 2) a idéia foi boa, mas queria achar a foto do Udai Hussein presuntado com a barba e a foto do Marcelo Camelo, que seria muito mais propícia.


Não faz muito tempo, mas a notícia ainda é um pouco nova - o Los Hermanos, banda que foi cult sem nunca ter sido, fechou suas atividades para o circuito comercial oficial, por tempo indeterminado. Não alegaram insubordinação, incompetência, nenhum integrante estourou os miolos com uma shotgun, nem diferenças criativas entre os cabeças Rodrigo Amarante e Marcelo Camelo. Simplesmente se cansaram, como qualquer um.

A banda Los Hermanos comunica a decisão de entrar em recesso por tempo indeterminado. Por conta disso, não há previsão de lançamento de um novo disco.A pausa atende a necessidade dos integrantes de se dedicarem a outras atividades que vieram se acumulando ao longo desses dez anos de trabalho ininterrupto em conjunto. Não houve desentendimento ou discordância que tenha afeado nossa amizade, tanto que continuamos jogando truco toda quinta-feira. (Blog da banda, 23 de Abril)

Los Hermanos baixando as portas é a pá de cal no 'indie way of life' dentro do panorama das ruas. Mesmo Los Hermanos nunca ter sido a banda com essa interpretação oficial (Anna Júlia que o diga, pobrezinha). Chamo-a de 'indie' por questões pessoais. Foi a banda-simbolo de um período pessoal e tudo e tal. Guitarras distorcidas, cabelo ensebado, birita, mulheres fáceis e cheias de tatuagem. Muita vontade e pouca técnica. Durante um curto espaço de tempo, o guitarrista voltou a ser o camisa 10 do rock n' roll. Ser um pós-punk sujo tinha seu charme. Era a época dos bons canalhas do começo do século XXI, muito antes da onda emo tomar conta das rádios e do imaginário da bela e estúpida juventude brasileira. Bons tempos.

Mas a coisa degringolou na mesma velocidade que veio. Quem salvou o rock não poderia salvar duas vezes. O messias da música aparecia a cada dois dias. Na velocidade do MySpace, ídolos subiam e caíam. Tanto que o segundo disco de muitas bandas tidas como 'fodásticas' chegaram natimortos às lojas.

Cronologicamente, eu posso até afirmar um dia que eu vi o Indie Rock, tal qual o conhecemos, morrer. Foi em algum dia no mês de Março de 2006. Num fim de semana no pequeno bar AudioGalaxy, de Bauru. Xyka, minha namorada; Ed, colega de república e bom amigo; Betinho, mestre do carteado de fim de semana no submundo universitário e grande amigo; e minha pessoa, o cronista. Decidimos ver uma banda paulistana chamada "The Concept", cujo símbolo remetia a um RPG de terror psicológico. Pra bom entendedor, meia-palavra basta.

O cenário do velório é padrão: um pub bauruense, sem o requinte do valor agregado ao nome inglês. Era mais um boteco sem janelas, algumas cadeiras, um palco menor que uma cela de cadeia no Velho Oeste, as pick-ups com Discman's (ou seria Diskmen, como na regra padrão inglesa?) e o bar, em si. As pessoas eram sempre as mesmas, não importa o dia que você aparecesse. Público fiel é um sinal, para o bem ou para o mal. Mas voltemos ao show. Numa noite de 3 bandas, a primeira até que tinha certo requinte. Tinha a insígnia deles em algum lugar. A banda principal, com o símbolo de RPG, encarnava bem o lance "indie". Distorções, baterias em fúria. Vocal esguelado, muito barulho à la Sonic Youth. Foi bom. Bom para os OITO valentes assistindo ao show, que durou cerca de 45 minutos.

No momento da terceira banda, foi o tiro de misericórdia. Um monte de moleques pré-adolescentes chorando suas mágoas para uma horda com pulseiras de spike, tênis All-Star preto-e-cereja, mochilas com bichos de pelúcia penduradas e aquilo tudo que aparece na porta da Galeria do Rock. Bons tempos em que passava um cinzeiro entre o palco e as pick-ups de CD com um pó branco muito suspeito. Se esse primeiro dia foi o velório, o enterro do 'indie' foi a apresentação do Faichecleres, banda curitibana com letras cheias de sacanagem, alguns meses depois. Um enterro como os que acontecem em Nova Orleans, com música e despedidas sem tanta tristeza.

Ou, muito provavelmente - já que eu não sei patavinas de música, e não faço muita questão de correr atrás também - o 'indie' se tornou realmente 'independente' de novo e voltou para debaixo do tapete diante dos meus olhos. E o que se fazia antes, também mudou de nome: hoje é Guitar Rock.

Longa vida aos riffs. Mesmo eu sendo um baixista, e muito do medíocre, por opção.

3 comentários:

Whiskey Jack disse...

Ah, eu não ligo pra essas molecadas novas no rock.
Acho que os mais novos que ouvi e gostei foram o povo do SOAD.
Algumas coisinhas do Linkin Park.

Mudando de pato pra ganso, gosto mesmo é de um bar que seja fechado, sem molecada perebenta.
Como poesias nas paredes. teatrinhos repetidos de fantoches.
Dono e barman bêbado. e uma pizza bem meia-boca.
Com doses de destilados que quase enchiam copos americanos.
Tocando rock´n´roll direto de fitinhas k7. hauhahuhauhah

Xyka disse...

pois é... tava tudo bem aquele dia.. até os moleques entrarem... bleh.

beijo preto!

Deco Ica disse...

Não entendi bem o que os Los Hermanos tem a ver com a segunda parte da postagem, mas enfim.

Quer dizer que eles terminaram mesmo, é? Isso deve ser apenas charme, daqui uns dois meses eles aparecem com disco novo misturando samba, jazz, rock progressivo e ula-ula e a mídia voltará a aclamá-los como as melhores cabeças da nova MPB.

Quanto a esse Audio Galaxy, fui lá uma vez pra nunca mais! Lugarzinho desagradável, rapaz!

Abraço!