terça-feira, 17 de abril de 2007

The Coke Inc. apresenta: "Jornalismo Caco" - pt. I

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PS: Amor, tô morrendo de saudade!
(você encontra esse e outros decotes de classe-média alta em http://cleavageblog.blogspot.com - mas limpe o resíduo do teclado!)


Antes de tudo, as disposições gerais:

1) Pelo visto deu certo o "Re-Publicanos" e ficou bom para quem leu o "Dias de um Futuro Esquecido" versão André Diniz. Fico feliz, de verdade, ao saber que ainda sei contar uma história. Infelizmente, este mini-conto só tem 4 partes, ao contrário das 30 páginas de A4 que costumava escrever de princípio. Já que minha criatividade anda tosca, e não consegui sonhar além daquele ponto, é o que podemos fazer por enquanto. Quiçá farei uma emenda nele algum dia.

2) Já que sou jornalista-mercenário (não, não é um pleonasmo) agora, e seguindo o espírito "Semanário Director's Cut" proposto quando ainda era um padawan de primeiro grau, irei propor um novo jornalismo. Um jornalismo um pouco mais rústico que o comum, mas sem perder o tom de tudo aquilo que me ensinaram acreditar. Se ele não é Jornalismo Gonzo... será .... Jornalismo Caco. Jim Henson que perdoe. (afinal, ele nos deve por "Labirinto".)

3) O que vale mais? perguntou Seu Madruga, o Mestre de Obras. Ser assessor de imprensa de uma grande empresa cervejeira, podendo tirar litros de suco de cevada a preços módicos, ou ser um jornalista de campo mercenário "de aluguel" seguindo o sonho cultivado no berço da academia educacional? O final... você decide. Ou NÃO, afinal a vida é minha.

4) Estou feliz porque gosto de cutucar bicho bravo com vara curta. Primeiro sobre a Batalha do Rio: Vai. Vota pra Cidade Maravilhosa ser sede do Pan, senhoras e senhores do Comitê Olímpico Brasileiro. Comitê esse que é sediado no mesmo município. Agora precisa do Exército pra limpar a merda que seus políticozinhos não conseguiram conter. Porém, eu sou a favor de usarem o Exército no Rio. Só se usarem para acabar com aquele estadinho marrento e metido à besta; e transformar o Rio de Janeiro num balneário para "yuppies pró-ativos viciados em cocaína®" (conceito by Leshrac), residentes em São Paulo, poderem relaxar entre uma carreira e outra.

Em segundo lugar, sobre Virginia Tech e o Pistoleiro Virgem Veloz... eis o que a fórmula " dias sem fumar maconha X (grau de estresse de TCC +número de dias sem sexo pago) / ranking do Counter Strike" pode fazer com um ser humano. E o cara fazia, Surpresa! o curso de Letras. LETRAS! Um coreano nerd e psicótico que não fazia um curso tecnológico! Um desperdício de material humano, indeed.
Se o coreano tivesse comunicado a FFLCH, isso nunca teria acontecido.

Postos os reclamas em dia, vamos lá.

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Jornalismo Caco 1 - O Circo da Liberdade

Mesmo não ganhado um puto para ver o exercício da liberdade no Legislativo, eu fui. De bicão. Não bem de bicão - eu sou um cidadão de bem (na medida do possível), cumpridor da maioria das leis, e precisava conhecer um pouco mais de perto nossos representantes no Palácio da Liberdade, sede do Corpo de Vereadores jacareiense.

Sabia que a noite ia render pelo menos momentos inspirados. Soube disso quando vi os manifestantes do Sindicato dos Servidores Municipais, saudaram a chegada do folclórico manifestante vestido de burro, que têm embelezado as escadas da Prefeitura Municipal ao protestar solitariamente contra a administração municipal. Eles tomaram o seu lugar costumeiro, à esquerda da mesa-diretora da Câmara. Mas à direita de quem entra. Isso fará muito sentido daqui a pouco.

No outro lado, umbandistas. Macumbeiros, se preferir chamar. O líder da entidade máxima acerca da crença no Brasil marcara um discurso de 15 minutos para pedir que seja oficializado no município o "Dia da Umbanda", visto que o centenário da religião está próximo e, baseado na Constituição Federal (que José Arbex costuma dizer que é letra-morta), todas as religiões DEVEM ser toleradas e respeitadas. Ao final do discurso, cerca de 35 adeptos do Candomblé começaram a cantar desafinado uma bela canção sobre Oxalá e a fé. Mais fiquei impressionado com a serenidade de uma moça de olhos azuis, com porte de ninfeta (sem peito e bunda - e apesar de ter o tamanho de uma jovem com 17 anos se muito, sua feição lhe dava alguns anos a mais, no mínimo 25, o que acabava com todo o encanto. Acho que só fiquei com essa imagem na cabeça pelo fato dela ter olhos azuis, e olhe lá), e o fato dela estar numa noite de terça-feira na Câmara Municipal sendo vista de relance por um jornalista freelancer que tem relacionamento estável mas precisa se lembrar disso caso queira continuar com os testículos no lugar, quando poderia estar fazendo qualquer coisa mais interessante que estar lá, acompanhando o Circo. Mais impressionante era o tamanho do queixo de um dos graduados que estava sentado na fila da frente e que olhava para trás volta-e-meia. Quentin Tarantino e aquele personagem do desenho Du, Dudu e Edu ficariam com inveja.

Passado o momento inicial e voltando ao mundo real, começamos os trabalhos do Legislativo. Os discursos, ah os discursos... Foi pra isso que eu vim, parafraseando o honorável jornalista e cartunista Joe Sacco - "um abraço pro meu amigo Joe Sacco e pra todos da Phantagraphics!". Para ver todo o poder de eloquência de nossos heróis locais. Pessoas que ganham por mês mais do que muitos dos que estavam ali ganhariam num semestre. Poderia citar os discursos mas vou citar apenas o que me chamou a atenção lá. (vou usar iniciais para não precisar citar diretamente. Afinal de contas, uma das coisas que aprendi no Semana-Otário de Jacareí foi a arte de tirar o corpo fora.)

Z.A... Eu sempre achei que ele fosse picareta, por ser vereador pelo Democratas (você deve conhecer por PFL, o partido do ACM.) Mas que ele era demagogo eu não sabia até começar o seu discurso. Os dois momentos de fala - o discurso como vereador e o discurso como líder de partido. Bater na Saúde em Jacareí é chutar cachorro-morto. Bem vestido, mas com a cara do Fúlvio Stefannini.

R.G... Uma vermelha com estilo. Com certeza tem uma foto da Marta Suplicy do lado do espelho, tanto pra falar como para agir. Não faz o estilo "Late para quem tem o bife maior", mas está chegando perto.

C.Q., ela não faz mal a ninguém. Ela está no lugar de outro vereador que foi mandado para a UTI por conta de discussões com o Z.A., e tem boas intenções. Mesmo porque é do PMDB, um partido que atualmente não fede nem cheira. Suas preocupações, voltadas para o social, renderam a melhor piada da noite. Perguntando sobre o Circo-Escola em Jacareí, exaltava as benesses físicas e mentais que esta instituição pode fazer no combate às drogas, e perguntava onde estava o Circo-Escola em Jacareí. Na fila de trás, um CUTiano respondeu a piada pronta: "Aqui, ué. Redondo como um picadeiro aqui já é, e cheio de palhaços... mas o problema é que os palhaços estão aqui fora, recebendo as cagadas que vocês fazem". Boa piada, de fato.

I.R.! Esse é o cara! Inspirado em Lou Reed, Julian Casablancas e Jorge Kajuru, tudo a seu tempo. Ele se veste como um rockstar. Principalmente um rockstar do underground-protopunk do final dos anos sessenta. Magrelo como um ancinho, barba à la Jesus Cristo e cabelos combinando. Cumprimentando todo mundo como um banqueiro do bicho. Mas o melhor de tudo é o vestuário de nosso herói, já que é tempo de discutir como o Legislativo se veste para ocasiões como essas. Sapato branco ("Sapato branco, José? Quem usa sapato branco, José?". Ele usa.), meias pretas para combinar. Um daqueles paletós cujo defunto era muito maior, camisa comprada no brechó e calça jeans desbotada. Um pouco mais e ele poderia fazer parte da paisagem do Bar Audiogalaxy, ponto alternativo de Bauru. Em seu discurso, ameaçado por todos os lados de perder seu mandato como vereador por estar sem partido político, partiu ao ataque anunciando que vai caçar os "laranjas" e os mandantes de algum esquema ilícito na prefeitura. Olhando para a mesa-diretora. Aí vem. Mas antes que pudesse falar o gongo tocou e foi embora por meia-hora do plenário.

Depois dos discursos, das pedradas enroladas em algodão entre situação (petista) e oposição (todos os outros), as discussões. Primeiro, a questão do lixo sólido (lixões e tira-entulhos) e líquido (leia-se hospitalar) em Jacareí. As emendas passaram sem grandes problemas. Depois disso, por volta das dez e meia da noite, começou a carnificina. A votação do reajuste (que era abono, mas o prefeito ficou com medo da reação popular com mais um abono substituindo o reajuste) dos servidores municipais, e os servidores do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), autarquia da prefeitura. A cada voto contra o reajuste virtual de pouco mais de 2% a torcida Gaviões do Sindicato vibrava com as justificativas. E a cada voto que aprovava o aumento, a casa caía como um pênalti não-marcado em final de campeonato. I.R., que alcançou o posto máximo de rockstar da noite, caiu como Axl Rose ao votar a favor do aumento. Só faltou receber chineladas e pilhas vindas da galeria. No final, o resultado foi 8 votos contra, 4 a favor, rejeitando o aumento e levando tudo pra estaca-zero entre prefeitura e sindicalistas.

Depois disso, a coisa ficou maçante - leis normativas e o cacete a quatro. Decidi ir embora, para ensaiar essas linhas.

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