sexta-feira, 23 de março de 2007

Re-Publicanos, parte II

FIRST NITE

"Last nite/ she said/ oh baby I feel so down"... Festa dos anos 00. A nova onda do momento. Bons tempos das anfetaminas, vinho, cachaça e sessões de Tarantino. Hoje em dia é só farofa. É incrível o poder de nostalgia da juventude, e é impressionante ver tanta gente usando franja de emo ao som de Libertines. Um pecado musical.
As festas da juventude de hoje são bem estranhas. Antes a coisa funcionava da seguinte maneira: tinha o som, tinha o bar improvisado, tinha as rodinhas de conversa e a pista de dança. Hoje é uma mistura de orgia, sarau de poesia e pelada de domingo, em plena quarta-feira à noite.
Ah, a história do aluguel, não ficou bem explicada: como poderiam oito pivetes com conta universitária pagar por um oásis de mato dentro da cidade? Com apenas uma palavra: papai. O pai de um deles era o dono do lugar e quis fazer do filho um líder em treinamento, dando as chaves do Solar Paiva para o pequeno Wilson. Até eles foderem com os brios de um cabra de verdade.
O quarto que tinham me arranjado para aquela noite – os moleques estavam usando a casa inteira. Cada canto dela para aquela 'Celebração' – ficava fora da casa da frente. Bem fora da casa. Ficava cerca de cem metros da casa principal, onde rolava a putaria. Entre eles e eu, o campo de futebol, onde a partida era "Com Cuecas da Odontologia Unesp X Sem Cuecas da Engenharia Univap". Um monte de homem pelado jogando bola na minha casa: a Verônica iria gostar e muito da idéia (Verônica havia sido uma das madrinhas do meu casamento com a Ana, e acabou amaldiçoada com a solteirice eternamente). O lugar era até que aconchegante, deixando de lado o cheiro de churrasco vencido. Uma casa com dois cômodos - o quarto no andar de cima do pequeno sobrado, e o entulhódromo, no térreo, que servia como depósito dos móveis naquela noite - serviu como alpendre, ou casa do caseiro da fazenda no centro da cidade.
A vista do telhado do sobrado menor até que não era das piores. Lá do alto, conseguia ver boa parte do centro da cidade, bem como o pôr-do-sol. Ele fica bem bonito, vermelho como sangue, atrás da cortina de fumaça da fábrica e da tecelagem. Se pelo menos a Ana tivesse me deixado um cigarro, mas não.
E estava em São José, em pleno mês de Julho, eu tinha acabado de chegar na cidade. Minha garganta estava seca. Pensei comigo mesmo e fui até a festa para molhar a goela. E num salão velho, cheia de travesseiros e pontas de cigarro pelo chão, vi cinco meninas, vestidas de lingerie vermelha, vindo para cima de mim um cavalo velho como lobas famintas - no caso, eu era o cavalo da vez. Quando eu tinha vinte e um anos, esse seria o momento exato em que pediria ao Todo-Poderoso mais vinte minutos na sua contagem para o fim do mundo. Hoje, com a idade da Magnum (44), a idéia de dar uns malhos em cinco semi-ninfetas, com a metade da minha idade, não é uma coisa que iria estragar meu dia ou meu sono, definitivamente. Elas só me fizeram perceber como estava velho. E como eu gostava daquelas coisas.
Elas mostraram um senso de coordenação entre si tão forte que me mostrou que faziam parte de algum "grupo de estudos" digno da boa e velha Universidade de Berkeley, láááá na Califórnia. Dividiram meu corpinho recauchutado em áreas de influência e começaram a beijar, e chupar, e lamber, meio como se estivessem jogando uma versão sacana de War no meu corpo. O meu objetivo era vencer os cinco exércitos vermelhos, já o objetivo delas era conquistar o pau, o mamilo e um terceiro continente à escolha, exceto meu fiantã, claro. Até que eu abaixei a guarda e o espírito de Alexandre Toledo veio do além para esculhambar comigo: eu chamei Ana no meu delírio gregarista libidinoso.
Gol. Gol contra. Elas saíram dali como se fosse a Praga do Milho. Só me restou colocar as calças, vestir de qualquer jeito a minha camisa e seguir até a cozinha, onde o povo discutia política municipal, todos chapados de maconha. Como eu não sabia mais quais eram os desígnios da cidade desde minha partida, fiquei sem discutir a política.
E, pela primeira noite em muito tempo, sonhei com histórias que poderiam render contos num futuro próximo. Sozinho ou acompanhado, de velhas companhias ou novas companhias, tendo o mais belo dos sonhos.

1 comentário:

Deco Ica disse...

Cara, sensacional, surreal e tudo o mais. A analogia com o War foi uma ótima sacada, tenho que dizer.

A única coisa que me soou excessivamente inverossímil foi o fato das gurias teram saído correndo quando ele chamou pelo nome da ex. Tenho pra mim que cinco ninfomaníacas chapadas e ávidas por uma (pura e simples) sacanagem não iriam dar bola pro que diz um cara durante o ato, a menos que ele comece a fazer coisas bizarras, como invocar Satã ou pedir pra cagarem em cima dele (se bem que, dependendo do tipo de suruba, até isso é válido). Na verdade, cinco taradas nem devem ouvir o que um cara fala enquanto dão pra ele.

Mas enfim, a coisa ficou legal. Acabou ou ainda tem continuação?