quinta-feira, 22 de março de 2007

André Diniz apresenta mais uma história à la Woody Allen.

Esqueçam-me a partir de hoje das nove às dez e pouquinhos da noite.

Meus sonhos se realizaram. Alessandra Negrini fazendo papel de biscate na novela das oito.

Obrigado, Deus.

HEY OTTO, TUA MULHER É MUITO GOSTOSA!

***

E não foi apenas arranjar neuras de emprego que a verve da dramaturgia voltou? Doze horas de sonhos e uma nova 3-part story, que pode se desenrolar.

Com vocês, Re-Publicanos.


"O Homem Penitente Passará" - dica para o Primeiro Obstáculo do Santo Graal, em 'Indiana Jones e a Última Cruzada'

É incrível como o tempo passa quando estamos fora de casa. Nem parece que foram quatro anos desde que fui trabalhar no Rio, para um jornal de segunda - tudo na minha eterna peregrinação para ser o Comunicador Invencível, entrar e desafiar aqueles prepotentes daquele jornaleco fisiologista. Eles iriam ver só. E faziam quatro anos que eu me limitava a pegar a Ponte Aérea uma vez por mês para ver a Ana. E noites e noites sem fim, à base de bolinhas, para poder conversar com o meu amor.
Mas como na música do Alabama 3, "Um dia você acorda de manhã e tudo que você achava ter virou pó". Ana só estava me esperando para jogar minhas coisas pela janela, coisa que só um clichê de fim de novela (ou de começo, depende do autor) pode dar pra você. Meus pais se mudaram para o Sul da Bahia já fazia uns dois meses para descansar na paz das ondas da regîão do Prado, e a casa na minha cidade natal tinha locatário. Ou seja, nada de casa própria por enquanto. Estava retido no supermercado, sem míseros dois reais no bolso para pagar o refrigerante que tomara no desespero da sede (sendo que o Fab me socorreu por providência divina), quando o verdadeiro desespero veio como uma das ondas fortes. Só o que queria era pegar o carro, com tanto combustível ele tivesse dentro, e ir até onde eu pudesse ter um pouco de paz, e uma caneca de café.
Lembrei de ter deixado o meu carro com meu sobrinho, o Marcelo, filho de meu irmão mais velho. Ele iria começar a faculdade e não queria levar meu precioso e "vintage-ado" Uno Mille 1996 para ser depenado por alguma mão carioca mais oportunista. Só aceito que uma mão paulista o faça.
O endereço era o mesmo de quatro anos - um grande casarão, quase caindo aos pedaços. A frente mais parecia uma daquelas mansões dos barões do café, só que com tintas mais novas. E lá estava o Marcelo, se despedindo de uma menina.

- Tio! Há quanto tempo!
- E aí Marcelim, faz tempo viu...
- Quer entrar não, tomar uma água, aquelas coisas todas?
- Então... Eu quero pegar o meu carro. Tem como ser?

Ele me levou para os fundos da casa, onde costumava ficar antes a garagem. Chego lá e encontro o meu carro. Ou o que eu achava que era o meu carro. Meu pequeno Uno, meu Nouvelle Fusca, com um tronco de ipê transpassando o capô.

- Dois minutos, explica... Agora.
- Então tio, esse aí não é o seu carro.
- Não?
- Não. Nós vendemos o seu carro.
- De novo. Explica.
- Tio, me perdoa, mas o pai não queria dar dinheiro pra gente, távamos com o aluguel atrasado, a casa tava caindo aos pedaços e a gente vendeu o carro. O senhor é jornalista e tudo, achamos que teria dinheiro prum carro novo. Foi isso. Desculpa.
- Ceeeeeeeeeerto. Então, vocês venderam o meu carro e usaram o dinheiro pra pagar o aluguel e reformar-
- Pintar a casa, tio.
- .... pintar a casa. Então, ESSA PORRA DE REPÚBLICA AGORA É MINHA, E EU VOU MORAR NESSE PARDIEIRO ATÉ VOCÊS CONSEGUIREM UM CARRO NOVO PRA MIM OU PAGAREM TUDO O QUE DEVEM, O QUE ACONTECER PRIMEIRO!
- Mas isso a gente vai ter que conversar-
- CONVERSAR, O MEU PAU DE ÓCULOS VAI CONVERSAR COM VOCÊS! Essa casa é minha! E pode ir tratando de conseguir um quarto pra mim e as minhas coisas que tão no carro do meu amigo! Presto! Agora!

***

(continua, caso o público-piloto aprove.)

1 comentário:

Deco Ica disse...

Curti! Tá aprovado! Vou ler a continuação agora.

E bem que conheço a expressão "meu pau de óculos" de algum lugar... hahahahah