segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Cabeças de Bacalhau e Pensamentos tortos como as pernas do Garrincha.

Enterro de anão. Cabeça de bacalhau. Filho de prostituta chamado Júnior. Ex-viado. Genro procurando sogra. E comunistas que sejam gostosas. Essas eram as coisas que, desde cedo, fui ensinado a acreditar que elas não existiam.

Toma, trouxa. Agora você sabe por que raios todo universitário viciado em bronha entra pro Movimento Acadêmico.



Вся сила к Советам! ("Todo o poder aos sovietes!")

Caso seu computador seja um lixo, em virtude do programa operacional instalado que é imperialista, corrupto, decadente e pequeno-burguês, produto da fraca indústria tecnológica dos ianques - e por isso a foto não abre, clique aqui para ver esta foto como muitas outras da nova propaganda soviética.

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(Any Other Name - American Beauty OST)

Lembro que era uma tarde de sábado. Um sábado aleatório em outubro de 2004. Tinha que fazer umas fotos para um trabalho da faculdade, tentar salvar minha pele de mais um semestre de aulas enfadonha com um professor que, além de chefe-de-departamento, ostentava a alcunha de "maior picareta de toda a faculdade". Meu tema era "Arte Sacra no Vale do Paraíba". A idéia era mostrar as antigas igrejas e imagens barrocas esquecidas em pequenas capelas em cidadezinhas minúsculas perdidas entre a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira. A idéia era boa, talvez um dia retorne para fazer um trabalho mais decente. Voltava de Santa Branca, uma cidadezinha como qualquer outra. A sessão de fotos tinha sido melada - a igreja estava em "reformas para modernização". Filisteus.

E eu voltava pela mesma estrada esburacada que conhecera das saídas com o resto da família. Almoços à beira-rio. Pensava nisso e tentava lembrar de uma música que calhasse com minha situação. Foi quando aconteceu. Na estrada vicinal, abandonada pelos homens e pelos posseiros, apenas o barranco e o Céu foram testemunhas da minha visão. Ipês amarelos, por cinquenta metros, em ambos os lados da pista saudavam com seus galhos o vento através das montanhas. E, a cada swing de seus braços, pétalas amarelas faziam uma cortina espectral ao longo de alguns poucos segundos dentro do Uno Mille, onde me perdi por entre folhas de bordo, cercas brancas, Annette Benning e Thora Birch.

Mais do que um mero pastiche de ficção ianque, foi a hora que senti que, pela primeira vez em muito tempo, eu ia para casa do jeito que a coisa deveria ser feita. No fim das contas, não passei na matéria de Fotografia, e fiquei por aquelas bandas por mais dois anos. Mas, como nos meus idílios mais recentes, não há o que mudar sem correr o risco de perder. Apenas façamos como os humanos na concepção de Vonnegut: que nós assistamos a vida através de um binóculo, nos trilhos de um trem imutável.

2 comentários:

Deco Ica disse...

Bom, primeiro devo dizer que curti seu template novo. Ficou clean, fashion e suuuuuuuper transado! Ui!

Olha meu, não sei onde vc achou essas comunistas aí, mas devo dizer que achei uma "coisdeloco". Especialmente a da direita, que é uma ternurinha. Se elas forem stalinistas, até deixaria me darem umas palmadas! Tudo em nome da Revolução, é claro!

E curti essa última frase aí do post. Vc é um puta de um filósofo...

Abraço, meu fio!

Whiskey Jack disse...

Deu vontade de virar comunista, hauhahauhahah.