sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Ouça Foo Fighters comigo, só dessa vez.

I'll be coming home next year....


Eu estaria no céu naquela noite. Mas por questões de força maior, contentei-me apenas com a rolha da garrafa de champanhe. No palacete acarpetado em algum lugar do Setor Norte, recebi a sorte de mais um ano neste mundinho sórdido que não precisa de modelos. No céu nublado da Cidade Insone, vi duas coisas. A primeira, que os paulistanos são tão cosmopolitas que comemoram a passagem de ano por toda a noite. Uma grande saraivada para cada fuso horário, por quatro horas consecutivas. A segunda, que o ano tinha passado rápido demais até para alguém que queria que 2006 fosse pro saco as soon as possible.

Como fui parar numa cobertura de um condomínio de classe média-alta, em vez do Expresso dos Cuecas da Família Diniz? Boa pergunta. Tudo o que sei é que estava na festa de Natal da família, bebendo como um cavalo e vendo os prognósticos da meteorologia para a semana seguinte. Quatro dias depois, estava num trem metropolitano, parecido com o cenário da segunda fase de "Final Fight", antigo jogo de porradaria no melhor estilo "um contra um milhão" do Super Nintendo. Água, refrigerante, Brahma, água. A bola maluca do Gugu. Uma ajuda para um ceguinho. A pregação contra os males da televisão e da novela. Tudo ao mesmo tempo. Poderia dar um nó na cabeça do empata mais desatento.

Antes do apito final do ano, um pouco de intriga, só para não perder o costume. Nada que fosse da minha conta, claro. Mas bem que precisava de algo para fazer o sangue correr nas veias de novo; o Clube da Luta do Rugby foi vetado em esmagadora maioria. Então, incorporei o espírito de Martin Riggs e vivi um pouco através da minha parceira. Que bosta.

Antes de sair da Babilônia, a consumação de um antigo sonho. Comida japonesa. E não precisava vir como eu queria quando tinha quatorze anos: uma sansei gostosa, como a Danielle Suzuki, com pedaços de peixe cru com arroz sem sal espalhado pelo corpo, um fetiche de gordo - sexo e comida, nada melhor para os receptores de prazer do cérebro. Não foi tão ruim quanto eu julgava antes. E, depois de vinte e tres anos, eu descobri a utilidade do molho de soja.

Aqui, enquanto os dias passam, eu procuro preencher o meu tempo com as coisas básicas: ler literatura infanto-juvenil alquimista. Procurar emprego, nos jornalismo regional, mesmo tendo um currículo que não chega perto das personagens supercafeinadas elitistas de um certo drama cômico da Warner Bros Channel. Rezar arduamente para Nossa Senhora da Conexão Com o Servidor, para que Edward Torrent consiga me emprestar a fita-cassete com os episódios de Heroes, o sucessor de Lost no posto de hype televisivo serial.

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A Verdade Sobre a Guerra


As informações que chegam sobre o front iraquiano não podem ser levadas a sério, já disse Michael Moore. O número de mortos em ambos os lados, as condições dos combates, vítimas civis, tudo isso pode ser manipulado sem problema algum. Até mesmo macacos treinados podem fazer essa função, já foi mostrado em "Projeto Secreto: Macacos", estrelado por Matthew Broderick. Mas o segredo mais obscuro desta guerra ainda não foi desvelado.

Os fuzileiros navais americanos do Terceiro Batalhão receberam a ordem de fazer uma 'inserção' dentro do território de Moqtada Al Sadr, conhecido como o "líder dos rebeldes iraquianos". Após o tiroteiro costumeiro, eles quebraram as defesas dos nativos e começaram uma busca casa-a-casa no bairro insurgente. Ao entrarem numa das casas, uma das poucas com aparelhos de televisão no paupérrimo bairro, e uma das poucas a desobedecer as ordens do clérigo em "evitar o lixo do Grande Satã", os marines ianques presenciaram uma cena bizarra. Na casa, duas crianças iraquianas dançavam ao som de uma música que não lembrava em nada as músicas folclóricas da região. Nada de cítaras árabes, atabaques e aquelas coisas, apenas um pop meloso e pré-fabricado de origem aparentemente latino-americana, mexicana talvez. As crianças, na faixa dos 12 anos, usavam camisetas brancas, minissaias xadrez e gravatas vermelhas e faziam coreografias junto com o videotape de péssima qualidade, provavelmente uma cópia pirata.

Naquele mesmo instante, os invasores não hesitaram. Abriram fogo contra as quatro crianças da casa, e em seguida dinamitaram a casa, juntamente com as casas ao redor e pediram apoio aéreo para dois helicópteros Comanche que sobrevoavam a área. Entidades de direitos humanos acusaram os EUA de cometerem mais uma chacina na campanha iraquiana. Os RP's da Casa Branca simplesmente alegaram que estavam combatendo "Rebeldes".

Pobre Al Sadr. Depois colocam a culpa no fundamentalismo islâmico.

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"Vou te contar....."

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