sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Reflexões de Braço, faltando dois dias pra Véspera de Ano Novo

Dizia Nelsão Rodrigues que toda unanimidade é burra. A felicidade também. Tudo é belo, tudo é suave. Esquecemos da nossa própria ridiculosidade para entregarmos de corpo-e-alma para nosso objeto de adoração.

Estou feliz. Pela primeira vez na vida, eu posso dizer isso tranquilamente. Claro que das outras vezes que disse isso estava com tanto suco de cevada dentro dos cornos que soava ridículo eu dizer aquilo. Mas estou sim. Tudo começa a dar estranhamente certo.

A faculdade, meu paraíso e o meu inferno conjugados, é coisa do passado. Dois dias antes do Natal, rezava para sair daquela cidade sem outra mancha no meu currículo. Consegui, com direito a apanhar o meu chapéu antes que a porta de pedra esmagasse meus dedos, como em Indiana Jones. Volto para casa em boa companhia. Não apenas de Ana Paula, que passou a ser mais que uma namorada, mas uma companheira para bons e maus momentos, parceira no sentido secular da palavra. O dinheiro continuará vindo, seja pelas mãos de meu futuro patrão (não se pode deixar de acreditar um pouco nessas horas no impossível), seja pela especulação imobiliária.

Pessoas que por severos anos não pronunciavam sequer o meu nome, passaram a tratar-me com respeito e amizade. Não reclamo disso. Só achava que o que era, era. E o que era, não foi. Uma grata surpresa no ano. Pessoas vieram, pessoas se foram. Não se foram, pois ninguém desaparece. Apenas fica mais difícil de conseguir um contato. O custo da vida.

Musicalmente, passou em brancas nuvens, exceto por um som novo ou outro que eu apanhava com os ouvidos dos tocadores de MP3 da rua, em casa ou na televisão. Sempre precisei apenas de migalhas musicais, só voltei ao meu jejum faquir. Vi coisas que não achei que veria. Fiz coisas que me condenaria 7 anos atrás. Nasci e morri duas vezes num só ano. Foi um bom ano.

E é só.

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