quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Viagem ao Centro da Redação - um Diarinho de Viagem

Tudo começou 48 horas antes da partida. Chovia forte, e procurei um guarda-chuva dentro do armário de Ed Nogueira. Esquecera que tinha um espelho do lado de dentro, e ele espatifou em milhares de caquinhos. Numa trovoada. Baaaaaad sign.

Para contrabalancear, imprimi a Oração a S. Jorge (sim, mesmo sendo torcedor do Tricolor) e levei no bolso para um momento oportuno. Foi a última coisa que eu li antes de sair de casa - a penúltima foi a Edição 13 de Vagabond (história em quadrinhos japonesa, narrando a história do lendário espadachim Miyamoto Musashi. Nesse episódio ele está com um cagaço por enfrentar o seu maior oponente até então, um lanceiro de um monge budista e encontra a serenidade para a luta).

Depois daí, só morro abaixo.

Imprimi o bendito TCC. Três cópias. Mais encadernação. Vinte e seis reales. Quando vejo as páginas, saem com umas 'freadas de bicicleta'. A impressora tava zicada. Mas, vamo que vamo. Vamos protocolar. Ooops. Ontem (22 de Novembro) era apenas para Jornalimo DIURNO. E foi por causa de hoje, a entrevista, que adiei os planos. Se eu soubesse.... Mas pra tudo na vida tem Sedex®, e conversas. Deleguei o trabalho, consegui o aval de meu orientador, pé-na-estrada.

No ônibus, que parou em todas as moitas de Bauru a São Paulo, vi o filme mais bizarro da minha vida, depois de "Cidade dos Sonhos". Era The Big Blue. Em linhas gerais é o seguinte:

Um ator francês chamado Jean-Marc Barr, que é o Keanu Reeves falido, é um mergulhador de apnéia (sem respirar) que é anti-social como um mexilião. Seu amigo, Jean Reno (o Charles Bronson francês) é um carcamano que é também mergulhador e campeão mundial da coisa. Os dois se reencontram depois de uma infância na Grécia (ui!) e começam a disputar em campeonatos quem desce mais fundo. No meio da coisa entra a Rosanna Arquette, uma beeeeeeela atriz, que se apaixona pelo Keanu falido. Nisso o tempo passa e os dois vão descendo mais pro fundo do mar, assim como foi o meu interesse no filme. Pro fundo do mar. Com uma trilha sonora de um tal de Eric Serra, que mais parecia música de filme pornô barato. Ah, o filme é de 1988, quando ainda nem sabia escrever direito.

Chegando na Cidade Grande, tomei um chá-de-cadeira. Coisas da vida. Enquanto esperava, uma tia meio estranha também esperava "alguém", e cogitando que meu contato não viesse a aparecer, me ofereceu seu apartamento nas imediações da Haddock Lobo. Mamãe me ensinou a não andar com gente estranha (e em SP tem muitos deles), por isso delicadamente declinei.

Jana chega, vamos para o Coletivo. Só na Cidade de São Paulo® você pega um ônibus lotado às 11:40 da noite. Coisa de filme do Cacá Diegues. Chegamos em casa e bem-vindo! Não tem água pra tomar banho!

Na verdade tinha, mas foi o banho mais rápido que tive na minha vida terrena. 22 segundos me separaram da completa fedentina. Fez a diferença.

Depois de uma beeela noite de sono, embalado pelo discurso do Fala Que Eu Te Escuto, acordei cedim cedim. Liguei a televisão e passava Tal Mãe Tal Filha, na sua enésima temporada. Aquele povo falando rápido entre um diálogo e outro, tiradinhas de humor seco como vinho São Thomé, aquela gostosona balzaquiana da Lauren Graham (como queria ter uma vizinha safada como ela na minha infância...) Mas laissez-faire, laissez-passer. Vamos ao que interessa.

Comecei a ver o relojinho do "24 Horas" piscar na minha retina, conforme os minutos se aproximavam da hora da entrevista. Faltavam 25 minutos e o coletivo não vinha. E não vinha. Lancei mão da minha sorte e minha lábia: "Chefe, tenho vinte paus aqui. Tem como me levar da Paulista até a Editora Abril em menos de vinte minutos?"

Funcionou. Obrigado meu São Jorge!

Depois disso foram águas tranquilas. A entrevista foi boa, na volta contornamos o Parque do Ibirapuera com as fontes-merchandising do Tio Abílio, Bilhete Único, passagem na hora, ônibus tranqüilo.

Lamento àqueles cuja visita não pude efetuar. Mas, se não estivesse com essa cratera no meu orçamento, juntamente com a onda de azar que me atingiu tentando me demover da idéia de ser um jornalista um pouquiiiiinho melhor, com certeza teria visitado-os.

Fica pra próxima.

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