segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Reflexões de Braço numa madrugada dominical.

Na imagem, Charlie Sheen, moço bem-criado, em "Comando Imbatível" (Navy Seals), de 1990, caçando mascates libaneses de mísseis anti-aéreos. Esse povo que não dá desconto nem folga em feriado cristão!



Entre a Cruz e a Cimitarra.

Nessa semana (terça-feira passada) mais um político libanês do alto escalão governamental foi morto na rua, no que pode-se tomar como o primeiro tiro de uma nova guerra civil no Líbano, nos mesmos moldes daquela Guerra Civil do Líbano que transformou Beirute no cenário de filmes de ação americanos na década de 80. Com esse são seis desde que a presença militar síria deixou o Líbano em 2004.

Pierre Gemayel, Ministro da Indústria, fui executado a bordo de seu suntuoso carro Mitsubishi nos arredores da capital, num bairro cristão. Gemayel era cristão. Não se surpreenda. O Líbano é o país com mais religiões e etnias dentro de sua engrenagem social que em qualquer outro país do Oriente Médio. Cristãos, muçulmanos, drusos (uma facção religiosa que deriva do islamismo), quem sabe até um ou outro hare-krishna cantando em aeroportos, todos eles se tolerando. Até agora.

Justamente por existirem tantos grupos tocando a vida no mesmo país, que à grossa comparação não é maior que o Estado da Bahia, existem muitos 'padrinhos' destes grupos. Os americanos bancam a aliança católica governista - a Falange - que é contra a intervenção síria no país, que foi desde o fim da guerra civil nos anos 80 até três anos atrás. A Síria, de pirraça, dá apoio ao Hezbollah, partido político e milícia ao mesmo tempo no Líbano, que não deixa de ter seu peso no país com 60% da sua população da religião islâmica.

Os americanos querem abrir espaço no Oriente Médio para expandir seu show-room de liberdade à la Thomas Jefferson, já que Israel não convence mais nem o Boça do Hermes & Renato. A Síria, por meio do Hezbollah, que foi elevada à categoria de "roda do eixo do mal" desde 2002 na primeira administração de George Bush Jr., quer mais é mandar aqueles israelenses lazarentos para o Mediterrâneo (e de quebra mostrar que Ninguém Regula a Síria) e construir a Nação Palestina na base da porrada para deixar os muçulmanos do Líbano mais prosa ainda. Já que Israel se construiu assim em 1948, que seja da mesma maneira.

O que poucas pessoas sabem é que a Falange, partido cristão, durante a Guerra Civil de 1975 a 1990, foi um partido malvado. Com ajuda do Exército de Israel, os falangistas saíram de Beirute e foram até dois campos de refugiados palestinos no Líbano - os campos de Sabra e Chatila - e passaram o rodo geral. Mas geral mesmo. Coisa de filme do Steven Spielberg (e essa declaração é baseada em um fato registrado em jornais e tudo, quem quiser pode procurar a matéria de Thomas Friedman, do The New York Times, que lá conta essa história certinho, com todas as letras).

Os pró-Síria (Hezbollah e amigos) reinvindicam uma vitória em cima dos Israelenses durante esse ano, a campanha de 30 dias e quinze quilômetros de avanço por terra - mas que deixou o país às portas da Idade Média. Os anti-Síria (a coalizão de partidos cristãos e afins, juntamente com a Falange do gabinete do primeiro-ministro) mostram os estragos das bombas de Israel Made in USA, só que esquecem de mostrar que não é todo dia que você mela os planos de um afilhado de Washington. Até o Irã entrou no negócio dizendo que não foram os pró-Síria que mataram Gemayel, e sim os americanos só para causarem em todo esse processo que se desdobra desde o assassinato do ex-primeiro ministro Rafiq Hariri, que também era contra os sírios.

E você achava que a política no Brasil era complicada.

***

Veja também este texto em: http://papeldegrano.zip.net - O Jornalismo marginal no sentido cru da palavra!

Sem comentários: