quinta-feira, 21 de setembro de 2006

"Ooga Shaka!" Do fundo do baú!

N.A.: Carácoles! Essa é do fundo do baú. Não achava que o pessoal do CPD do laboratório da Unesp tinha mantido esse texto em seus arquivos até hoje. Era perfeito. Era prepotente, arrogante e presunçoso ao extremo. Era poser. Era algo que chamou a atenção deles de imediato e me rendeu o ingresso na Segunda Fase. Com vocês, mais um momento "André, o Jornalista": a primeira redação para os poderosos da Abril.



Filho mais novo de uma família de cinco. Três engenheiros e uma professora de Educação Física. Da região mais católica, tacanha e preconceituosa do Brasil - o Vale do Paraíba. Por quê diabos eu tinha que me meter com Jornalismo, afinal de contas?

Meu lugar nem era aqui, eu deveria estar em algum lugar tendo problemas com bebida e úlceras gástricas por algum problema no Cooler da tinturaria de alguma indústria têxtil; ou pensando como iria ficar legal o meu carro depois de colocar "aquele som" no fim do mês, depois de ganhar meu salário como peão de fábrica. Mas não. Eu decidi seguir o caminho inverso de meus parentes e seguir uma carreira que "não dá dinheiro". Só que não foram o dinheiro e o “glamour de Pedro Bial” que me atraiu para pautas apertadas, editores sádicos e uma carreira que segundo uma colega desabafou em seu diário eletrônico, "fadada ao descrédito".

Nos planos originais de “Sr. Benedito de Moraes Diniz”, eu deveria ser um estudante perfeito em Ciências Exatas, conseguiria ir para uma escola técnica, então uma Faculdade de Engenharia Mecatrônica e, com meus vinte e cinco anos, estaria encaminhado nas sendas que ele um dia trilhou. Entretanto a minha indecisão e minha descrença com o futuro, juntamente com as guinadas no mercado de trabalho, levaram meu progenitor de volta à mesa de planejamento. Fui descobrir que tinha uma chance de “quem sabe, um dia”, ser um bom “escrevedor” ao tomar bomba em Redação no primeiro ano do Ensino Médio e saí do limbo estudantil com louvores por parte de minha professora. E jamais tive problema semelhante, pelo menos em Redação. Cheguei a fazer “bico” de escritor de redações diferenciadas para amigos mais chegados por uma bagatela – a melhor maneira de exercitar o senso crítico é escrever os dois lados de uma dissertação. À força. Nisso fui conseguindo mais “clientes” e comecei a sonhar com uma redação de jornal. Sonhava tão alto que sonhava em “começar na Folha de S. Paulo”. Mas não se preocupem, encontrarão muitos erros neste texto seletivo.

Decidi ir para a faculdade para aprender a ser um jornalista, desde “como segurar um gravador” a “quando aceitar um bom jabá”. Então decidir ir para uma boa. A ECA era virtualmente impossível de alcançar com seus absurdos 109 pontos de corte na primeira fase. Queria ser um aspirante a jornalista, não entrar na faculdade com a carga intelectual de um profissional. Cásper Líbero? Afinal, se fosse para pagar, que fosse para pagar por algo que valesse. Mas acharam que por eu não me lembrar quem tinha matado a vilã na novela do ano anterior, não era bom jornalista. Nesse caso, me restou a Unesp em Bauru. Fim de mundo do cão. Mas pelo menos aqui eu aprendi a ser um jornalista. Sem vícios, sem trejeitos antipáticos de outros jovens que tomaram contato com a redação cedo demais, como vi muitas vezes acontecer no infame jornal-laboratório CONTEXTO, que provavelmente recebem na Editora Abril. Aquele mesmo jornal temático brega e com uma peridiocidade medíocre e matérias ora plastificadas demais, ora poéticas demais. Entre o “jornalismo proto-investigativo” e pautas esdrúxulas sendo empurradas goela abaixo do público leitor, muitas vezes aprendendo mais fora da sala de aula que dentro.

Em primeiro lugar,deixo claro que não acredito em "liberdade de imprensa", "quarto poder" e demais anúncios implícitos na palavra "Jornalismo" Tanto é que ÉTICA JORNALÍSTICA se aprende no último ano. Mal, e porcamente. Eu acredito que Jornalismo é um emprego como qualquer outro. E tão difícil de se conseguir hoje em dia no Brasil. Estou no Jornalismo porque quero ter uma carreira que possa usar o pouco talento que Deus possivelmente me deu para alguma coisa construtiva nessa vida. E não apenas ficar escrevendo “cartas do leitor” reclamando ou exaltando matérias da Veja ou colunas de burgueses ítalo-brasileiros que se venderam ao capital estrangeiro. Quero mais do que simplesmente assistir. Quero participar.

Estou louco para participar. Por vinte anos da minha vida fiquei vendo as coisas acontecerem na frente da tela da televisão e decidi que é a minha vez de fazer acontecer. Quem sabe eu possa aprender a “fazer a notícia acontecer” de um jeito melhor na Editora Abril?



(sobe musiquinha d´"O Aprendiz" - 3 segundos)
*Pan pananã pan!*

Porque se eu encontrasse o "eu" de um ano atrás eu diria.... VAI SER PREPOTENTE ASSIM LÁ NO PROGRAMA DO ROBERTO JUSTUS, HEIN FILHOTE?!

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