sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Mais 5 "Quase Lasquei-me" ou "Caralho, vai dar brecha assim em Cajuru hein André?!"

5 - Perigo a Sete Palmos, ou à flor do chão

Um pequeno preâmbulo: CSI - Crime Scene Investigation (Investigação Criminal, na versão da Record) é um sucesso na pequena comunidade nerd da República Ozogro. O primeiro seriado onde os nerds são os heróis. Não os TRi-Lambs, mas sim os Nerds de Terceira Geração. Aqui também se aprecia Quentin Tarantino, o Bruxo de Manhattan Beach. O Nerd de Segunda Geração conseguiu, em sentido geral, a "feijoada cinematográfica". Juntou os pés, as orelhas, o focinho e todas as partes preteridas do porco chamado Hollywood e criou uma iguaria apreciada ou amada, sem meio-termo. Juntando o primeiro com o segundo, temos "Perigo a Sete Palmos", um episódio onde os nerds da Polícia Científica precisam descobrir onde um dos seus foi enterrado vivo em algum lugar da aprazível Las Vegas, episódio escrito pelo Homem em pessoa.

"E O QUE CATSO TEM ISSO A VER COM SEU POST?" Bom, tem a ver com formigas. Certa altura, elas aparecem e cobrem nosso desafortunado seqüestrado, colocando-o à beira de um choque alérgico. Assim comigo. Dois anos de idade, um formigueiro, um quintal e UMA formiga. Uma formiga ruiva. Bom, sabem o resto. Inchado como um balão, respirando com mais dificuldade que o Delfim Netto, descobrindo novas variações e matizes de azul nas minhas bochechas. O que não impediu que eu virasse adubo foi a primeira senha maçônica, que aprenderia usar outras vezes aqui mesmo em Bauru: "É Convênio".


4 - A Situação Denner

"Denner" era um promissor jogador da Portuguesa de Desportos, no tempo em que eles ainda eram um clube mais ou menos respeitado na Capital Paulista. A Galinha dos ovos de ouro da portuguesada. Acabou sendo vendido para o futebol carioca. Como jogadores de futebol possuem a péssima mania de comprarem carros esportivos e usarem nas ruas tupiniquins, esburrachou-se na Lagoa Rodrigo de Freitas, creio em 95 ou 96, não sei precisar bem nesse momento.

"E O QUE CAT-" Tem a ver que quase entrei de gaiato num lance desses. "Você tava com o Denner?" Não, marmota. Isso foi em outra ocasião. Carnaval em 2000. Um Chevette, cinco moradores do Alto da Ponte (protetorado mineiro no Vale do Paraíba) e um gordinho com a cara do Bruno de Lucca no mesmo carro. A caminho de um carnaval de rua numa cidadezinha pequena que costuma lotar nessas festas. Poderia falar do cara que queria-porque-queria vender "farinha" pra minha pessoa, sobre os dois quebra-paus a menos de seis passos do nosso grupo, mas fiquemos com o Retorno dos mineiros-paulistas. Dois na frente, três atrás e um na mala. Contabilizando novamente, seis. E um motorista que teve a Demoníaca Trindade do Carnaval: bêbado, motorista e com muito orgulho de não deixar outro peludo botar a mão no seu volante. Adivinha onde estava? Não, não estava na mala. Estava no camarote, vendo o esforço de meu amigo em se manter acordado na pouco-sinuosa estrada do sul de Minas. Há quem diga que daria a alma para ter uma câmera digital para ver minha cara de medo no banco da frente.


3 - A Scania da Morte e demais raspões

Churrasco de aniversário. André. Um garrafão de vinho suave doce de procedência do RS. Um carro. Lembra o zé-ruela ali em cima que não deixava outrem pegar sua caranga? Antes fosse, eu não tinha piloto substituto. Eu dava as cartas, não poderia abrir mão. Então tive que levar um colega para sua casa, do outro lado da cidade. Poderia pegar a rota longa, que significava uma ou duas blitze no Centro de Jacareí, ou poderia pegar a rota curta: quatro minutos de Via Dutra, num fim de semana, à noite. Não pensei duas vezes, fui pela estrada.

Meus amigos de Jacareí costumavam brincar acerca da "Scania da Morte", o 18-rodas carregado com toras de madeira, aquele que você apenas ouviria o buzinaço contínuo e depois o silêncio absoluto. Bem, ao entrar na Dutra, eu ouvi as buzinas do fim do mundo. Um 18-rodas carregando gás da White Martins (fábrica química da região) passou à minha esquerda. Pouco tempo depois, este amigo cortou relações diplomáticas comigo, a respeito de um mal-entendido que ele não engoliu direito.

As outras vezes, bem, não foram com caminhões, mas meros cruzamentos no centro desolado de São José dos Campos, quando certa vez acidentalmente passamos um sinal vermelho e uma pick-up vinha em rota de colisão. Um dos passageiros, ateu convicto, chegou a gritar "Oh meu Deus!" para espanto geral. Daí surgiu a expressão "Uno Evangelizador" de André Diniz.


2 - À Guisa de Orquídeas

"Cadê minha putinha?" Era o que eu perguntava enquanto caminhava pelo centro de Bauru no baixo meretrício. Ainda nem sabia quem eram os Escritores Malditos quando eu ficava vagando. Pensava mais "por quê ela quis ir pra cama com @%!@#$!@ e não comigo?" e foi quando topei com ela. Bom, não era a garota mais bonita da cidade, mas ainda sim era a garota que estava mais fácil para resolver os problemas de mão-cabeludagem. Foi num hotelzinho meia-boca, mal-iluminado, e durou pouco mais de dez minutos. O problema, são as consequências.

Dos 103 quilos, fui para 85 em menos de dois meses. Não tinha caído a ficha até um colega de república falar tirando sarro: "Bauru é campeã de casos de Aids no interior". Aí lascou, fio! Conseguira, na minha cabeça, quebrar o recorde de "caguei no pau, família" antes pertencente a um tio meu que falecera vítima de problemas com drogas e dinheiro. Para acabar com as desconfianças, fui para o hospital e encomendei o Teste. Uma semana se passou, uma semana em claro no mês de Julho de 2002. Lembrei de uma história que meu pai contava nas festas e nas rodas de bar quando ele começou a ter uma infecção de garganta resistente aos antibióticos de seu tempo e ouviu um abutre dizer: "Eu conheci um amigo que teve a mesma coisa e descobriu que era aquele tal de câncer" e como ele achou que também ficaria rendido a uma cama por um período de dor excruciante antes do amargo fim. No fim, tudo estava bem. Precisei fazer mais duas verificações (uma em 2003, outra agora) para ter certeza que meu destino é discutir com velhos na praça se Edcarlos ou Jô foram os piores jogadores a pisar num estádio de futebol, daqui a 50 anos.


1 - Acorde, Homem Morto

Carnavais em família sempre são os melhores. Pelo menos rendem boas histórias. E no ano de 2006, para mim rendeu uma boa. No Circuito Mineiro, agora com um quórum mais reduzido (os outros conseguiram motocicletas), foram três pingaiados dentro de um Gol vermelho abarrotado de cerveja e destilados. Tudo ia bem, conforme os planos. Uma surpresa aqui e ali, uma barangagem para dar risada, mas ainda sim era algo normal. Mas algo me alertava sobre aguardente mineira, e carnavais em praças de cidades.

Perseguindo um alvo, resolvi entrar na onda das meninas da região e acompanhei-as no copo. Para aqueles que sintonizaram agora, André Diniz tem um problema com bebida. Ela é mais forte que eu. Nisso, estando eu sem dinheiro, nos últimos dias de Carnaval, sem chance nenhuma de sucesso, pensei "dane-se o mundo, vou dormir na praça". Se deu certo com os cantores sertanejos, que foram incomodados por um mero guarda e não por uma gangue de pederastas-estupradores, não vai ser com um gordo barbudo usando calça jeans em Fevereiro que eles irão se incomodar.

Só lembro depois do meu primo chamando-me e carregando o gordo para o carro (o gordo no caso sou eu). Só no outro dia fui descobrir, por causa de um falastrão na casa onde dormíamos, que um 'mano' tinha sido morto. Na mesma praça. A dez metros de mim. Com um tiro de revólver.

Santa pinga mineira.

***

Queria eu, como a Iris, ter mais histórias de quase-lascação (aproximadamente 135), mas para começar está bom.

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