sexta-feira, 11 de agosto de 2006

"Sudoku" ou "Quarenta Centavos para Ser Um Cara Adulto"

(Kenny Rogers - Just Dropped In)

Sudoku. Um desses joguinhos de páginas de quadrinhos de um jornal qualquer. Você já viu esse jogo. Tem que colocar os números certos dentro dos quadrados certos. Não pode repetir na linha ou dentro de uma das nove ou dezesseis caixas de nove algarismos de todo o puzzle.

Interessante.

Muito interessante.

Uma vez eu tentei fazer um daqueles. Estava num salão de beleza, cumprindo as funções de marido fiel, namorado atencioso e escravo (não necessariamente nessa ordem) quando vi uma dessas revistinhas de sudoku na mesa. Do lado tinha uma menininha irritante e, mais à frente, um buda de cerâmica. O plano original era: eu apanharia o buda de porcelana, esmagaria os miolos da menininha irritante, subiria ao telhado e gritaria: "Cadê o meu peixe?" enquanto pularia para a morte certa para aterrisar nas lanças de aço do portão do vizinho.

Mas preferi fazer as cruzadinhas.

Vinte minutos para resolver um desafio simples. Francamente, eu tinha um cérebro melhor quando ainda era solteiro. O Jerry Seinfeld, judeu engraçaralho pra cadinho, certa vez num de seus quadros humorísticos colocou o seu amigo gordo e imbecil numa abstinência sexual, o que o fez ser tremendamente inteligente.

O que aconteceu?

O que diabos aconteceu?

Talvez apenas seja o próximo passo. No que se refere àquele momento: que eu "não esteja enlouquecendo, mas apenas adquirindo a sanidade", segundo V.B. Abandonando a insanidade de ficar poetizando, dramatizando, e sonhando acordado com um amanhã melhor recheado de clichês de cinema e livros, e acordando para a sanidade da praticidade das coisas. Pagar contas, resgatar os cheques sem fundos, beber até tornar a vida um pouco mais sustentável de vez em quando, sexo com paixão e um pouco de sacanagem nos sábados (quando o dia acaba mais cedo, deixando um espaço maior para a noite). Desligar-se das questões teóricas e se apegar unicamente ao prático, ao palpável, ao economicamente viável aos meus bolsos. Chega de créditos infinitos para moleque café-com-leite, agora estamos nas mesas de 50 reais.

Insert Coin. Insert Coin. Insert Coin. De uns tempos para cá foi a única coisa que brilhou diante dos meus olhos desde 'o dia em que saí de casa'.

Choosing life. Acho que era isso do que se tratava afinal. Eu acho - certeza mesmo, nada mais resta.

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