terça-feira, 15 de agosto de 2006

Samsara!

O eterno círculo. O aluno que vira mestre e que vira aluno.

Curso Abril novamente. E dessa vez, farei por mim.

Seja o que Deus quiser. E, como bônus para os 2 leitores desse blog, a redaçãozinha "Quem sou eu e por quê quero ser jornalista".


André Luiz de Almeida Diniz. Muito prazer. Filho de engenheiro mecânico e de uma professora frustrada dentro das rodas dentadas burocráticas do Ensino Público. Caçula que, saindo do ninho dos pais e parentes para se aventurar do outro lado do Estado de São Paulo, busca um diploma de jornalista, “profissão ingrata” para companheiros de classe – alguns carteiros, atendentes de bar, professores de História, entre outros. Uma história como qualquer outra, dessas que aparecem no fim da novela das oito agora. Mas como não é pra Globo, fico um pouco mais à vontade para falar.
Nascido em Jacareí. Cidade pequena, católica. Gente simples beirando as raias do “capialismo”, a ponto de não responder a um mero “bom-dia”; missa aos domingos, festa agrícola, igreja matriz e tudo o que vem no pacote. Só para contrariar, meus pais decidiram investir alguns trocados a mais e colocaram-me num colégio de educação adventista. “Contrariar” se tornou o verbo em voga dentro de minha cabeça – durante a semana, eu ouvia um 'ismo' falar mal do outro, e no fim de semana vice-versa. Juntando isso a uma infância na frente da televisão e do video-game computadorizado, vi que não seria apenas colando placas de computadores – o destino que meu velho pai sempre desejou para mim, por comodidade ou temor do futuro incerto - que eu me sentiria realizado. Precisaria de algo mais, algo mais “desafiador”.
Nos anos de ginásio foi o momento em que descobri a “vocação” - vendendo redações para os colegas que não suportavam a professora vinda da Zona Leste de São Paulo por ela cobrar mais de um bando de filhinhos-de-papai, e com a dose certa de profissionalismo e sadismo se divertia ao ver os jovens implorando por “mais meio ponto pelo amor de Deus” em suas avaliações.
Mas o que isso tem a ver com Jornalismo? Escrever bem não significa ser um bom jornalista – salvo as exceções, obviamente. A vontade de “noticiar” surgiu quando vi uma retrospectiva sobre eventos cobertos na região, soube da famosa cobertura da rebelião da cadeia de Jacareí com Carlos Nascimento desviando das balas dos criminosos atrás de um carro de polícia, num tempo em que PCC ainda era ficção policial. Foi então que vi que seria o mais perto da vida que chegaria sem de fato interferir diretamente. Numa função mais “ativa” que a do Historiador, que por trás de uma mesa julga palavras e fotos sem saber o que de fato acontece (antes que possam se indagar o motivo de tanto ódio com historiadores, veio do meio acadêmico com críticos do curso vindos da História na USP).
Depois de um colegial em suspensão (vendendo redações e comprando pornografia de qualidade na era do papel) e um curso pré-vestibular boêmio, finalmente comecei a colocar os dois pés no mundo. Viva a Universidade, e suas lições diárias. Algumas não tão gloriosas assim quanto se pensa quando se menciona “Universidade Pública”, mas não deixam de ser lições. Dinheiro, sexo, drogas, relacionamentos. Responsabilidades, clientelismo, improvisação e falsidade comedida. São coisas que o curso universitário ensina além de formular pautas, roteiros e saber a velocidade de uma câmera analógica num mundo quase todo digital. Quando dizem que a Universidade forma um homem para a vida adulta, realmente falam sério a respeito. Os senhores da banca provavelmente sabem disso mais do que eu – ainda estou em busca da primeira experiência de trabalho de verdade, dentro da carreira de jornalista.
Mas vamos ser diretos ao “por quê quero ser jornalista”. É um emprego que paga bem – por mais que reclamem uns e outros em comparação a outras carreiras; conhece-se pessoas dos mais diferentes tipos e pensamentos, o que é sempre uma descoberta e um tapa no rosto diário; é um emprego polivalente atualmente, exigindo que sua carga intelectual cubra vários campos. Sem falar na sensação de um furo de reportagem: um orgasmo, um gol de final de campeonato e a notícia da entrada no vestibular ao mesmo tempo, uma sensação que se renova.
Quero fazer o Curso Abril de Jornalismo para ter mais que um instinto tido como questionável em outros aspectos e também como uma questão de honra, já que tendo irmãos de sucesso nas indústrias e na vida amorosa, está na hora do caçula mostrar serviço.

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