sábado, 15 de julho de 2006

"São Paulo, Meu Amor" ou "Lotei o meu Saco com meu mestre PCC" ou "Vivin' la vida Tosca" ou "Frozen é bom quando não se tem cárie"

E A PRAGA DO DIA É....


Você será relegado a ser um eterno cobrador de lotação paulistana em dia de ataque do PCC caso não leia este post.

Eram dez e vinte da manhã, plataforma de embarque - se é assim que se pode chamar aquele cortiço - do Terminal Rodoviário de Jacareí. Uma loira de farmácia, mais estragada que Rita Cadillac, rebolava ao som de um forró sujo pedindo para comprar o pinto do dono da loja de discos. "Tanta gente morrendo por causa do PCC e ainda sobra esse tipo de pessoa. Vai se foder, viu" pensou o dono da banca que vendia figurinhas repetidas da copa. As da seleção estavam em promoção, logicamente. Sweet Home Jacareí.

Quarta-feira, 12 de Julho de 2006. Vou passar uma temporada na casa da sogra. Zona Leste, São Paulo. Nunca fui mais ao leste que a Estação da Sé. E das outras vezes que eu fui não tive a ventura de olhar para a paisagem urbana. Não me interessava. Proibido fumar na plataforma do metrô. Lotações. Eu sabia que elas marcariam alguma coisa nessa viagem quando vi que o auxiliar do motorista (também conhecido por COBRADOR) era alguém muito parecido com um amigo que certa feita ficou pela 8 num baile de formatura. O primeiro dia foi algo mais tranquilo. Uma noite caseira, pizza e "O Casamento de Romeu e Julieta". Em nome dos corinthianos que tiveram que engolir Luana Piovani, 'bambi' e palmeirense no filme, e pelos 2 a 0 frente ao Cruzeiro no Mineirão, meus sinceros sentimentos. O momento que tudo fica parado no ar antes de cair. Conhecem essa sensação?

Quinta-feira. Fazia tempo que não dormia com o barulho do vento, então achei que poderia ser um bom dia. Na programação: um passeio pela Liberdade, com sorte encontrar o Mangá Perdido. Um pouco de suco de soja para lembrar dos bons e velhos tempos de escola, com o bolo e o suco de soja. Um pouco de vaidade feminina e voltamos para casa antes do poente, com direito a um bom jantar adquirido no caminho. Isso tudo sem gastar os 10 reais que tinha planejado.
Acordo de meu sonho bom com o telefone, o chamado da Terra-Mãe.

- Pronto.
- Filho, sou eu.
- Oi, mãe. Tava dormindo.
- Tudo bem, mas vocês combinaram alguma coisa para fazer na cidade hoje?
- Sim.
- Escuta, tão queimando novamente os ônibus em SP, e não tem nenhum deles rodando na cidade.Toma cuidado.
- Podeixá. Eu saio do ônibus antes deles queimarem.
(blip)


Quatro minutos e sete segundos depois, agora em companhia de Ana, o telefone toca novamente. Para ela. Sua companhia feminina, Léia, avisa que talvez se atrase com o caos do Pedro Celso Campos e que sua progenitora também não deixa que ela venha para o encontro no bairro nipo-sino-coreano do centro da ciade. Mas o que tinha na televisão? O bolha do Britto Jr e a moça com um metro e vinte só de perna andando na montanha-russa. Na sequência, o pai do
filho da Eliana proctologista ensinando os segredos da arte milenar de enrolar brigadeiro. Para os futuros maconheiros que precisarão aprender uma receita rápida para a famigerada
larica. Onde está o Datena quando precisamos dele? Barbaridade.

Onze horas, vamos para o ponto. A coisa engraçada de São Paulo é que não importa a hora que você saia de casa, quando chegar no ponto você terá uma lotação e/ou ônibus esperando por
você. Ao contrário do cu-do-mundo chamado Bauru que tem um tempo de espera mínimo de vinte minutos. Pela primeira vez entendo o que os paulistanos sentem quando andam de coletivo na cidade sem limites. Mas isso não importa, o que importa é que chegamos na hora para atravessarmos as catracas da Liberdade, num cinema perto de você. Espaço para uma confissão: eu quero ter filhos. Quero sim. Não acho isso um desatino em nome do capitalismo como muitos companheiros de curso pensam - na minha opinião, mimadas e incapazes de amar outro ser humano além do reflexo do próprio espelho. Mas, com toda a certeza do mundo, eu não quero ter uma filha parecida com aquela. Porém, eu aprendi com a vida que na verdade tudo é parte de um círculo infinito, onde recebemos as coisas que lançamos no passado, projetando-nos para o futuro. Por esse motivo, eu não estrangulei a pequena. O passeio valeu mais pela companhia do casal Léo e Léia, Harry & Sally da Paulicéia.

Na sexta-feira, algo um pouco mais leve. Acompanhar os deveres bancários e institucionais da família da Ana, e para desestressar de uma semana cansativa, um cinema - diversão burguesa e imperialista, segundo o autor do site "Cinema em Cena". Como era matinê e era dia de estréia do filme do retorno do Super-Homem, decidimos ver o bendito filme do "Escoteiro Azul". Sobre o filme, posso dizer com a autoridade de um nerd que o filme É BOM. E nada mais.

***

Viver em São Paulo é um dos meus planos de vida. Assim como viver plenamente e ter filhos como qualquer um outro cidadão de bem. Vi isso ao ver uma vida divertida de verdade. Com palhaçadas e amigos, caipirinha congelada e pôquer. Sete formas de amar? Não, valeu - eu quero apenas uma. Me chame de tacanha mas como uma amiga minha disse certa vez: 'André, você não tem vocação para amante'.

Quero ter o mais belo dos sonhos, como disse a sabedoria de uma mendiga de Las Vegas. Apenas isso. Olhar por uma janela e não ver uma história de detetive. Olhar uma cama cheia de gente e não ver uma orgia. Olhar as casas que acompanham a paisagem urbana e não ver apenas um sonho.

Ainda chego lá. Nem que tenha que trabalhar nos Estados Unidos.

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