sexta-feira, 9 de junho de 2006

Enquanto o fone vem e não arrumo o quarto.

Junho. Mais um ano escrevendo essas mal-traçadas linhas de computador. Pensei que eu pudesse reunir novamente minha pena depois de tantos meses, mas vi que esses meses todos passaram com um assombroso vazio. Nenhuma grande história, nenhum 'maravilhoso conto' de 12 partes vindo de minha imaginação. Apenas coisas comuns, pequenos recados vindos de algum lugar do meu subconsciente. Uma pena, indeed.

Talvez porque eu finalmente tenha descoberto a Pedra de Roseta dos escritores, a matriz de tudo o que nos motiva a continuar compondo: o ego. Cada uma das histórias 'grandiosas' que compus desde que entrei nos portões da Unesp foi uma parte do meu próprio ego. O idealismo apaixonado de Ivan, a pretensão em ser diferente de Rosvaldo, o desejo de ser só e bem acompanhado do protagonista de "Lutamos com a Lei", a solidão cool de Ricardo Sampaio em "Código de Honra" e a libertinagem comedida de Juca Pereira de "Salary Man". Tudo o que tinha a dizer eu disse, fechei minhas aspas. Minha vida finalmente se tornou um livro aberto, tecnicamente falando.

Claro, coisas aconteceram. Pessoas vieram e se foram. Sonhos foram concluídos, outros postergados. Alguns até mesmo foram desfeitos, o que acontece quando se cresce. Mas o "the big one", aquela história digna de se usar e abusar, não veio. No lugar dela, pequenas notas sobre sonhos e clichês, roubando a deixa de meu amigo Rafael Garcia.

Folha em branco. Babyshambles no Media Player. Uma vontade louca da boceta de comprar a bicicleta ergométrica do Orlando BLoom em Elizabethtown. Suicídio em pílulas de AAS infantil corroem partes pudicas de minha pessoas numa noite de sábado, deixando as folhas em branco saírem pela janela quebrada de minha cozinha.

Sem Lorde Sith. Sem certeza. Sem famílias felizes, Trabalhistas ou conservadoras. Foda-se tudo para sempre, tento cantar enquanto rabisco "Kaze" (Vento, no kanji que compõe metade de "kamikaze" em ideogramas nipônicos) no peito com um lápis sem ponta. "Isso está ficando cada vez pior", entoa-se dentro da minha caxola enquanto a fome me consome, juntamente com a apatia. Olho para mim mesmo e vejo unicamente um arquivo de WordPad vazio. Uma carteira de trabalho vazia. Um envelope de fotos 3x4 vazio.

O que diabos aconteceu comigo? Alguém aí me viu passar em algum lugar? Talvez o fato de deixar o ego se desfazer aos poucos, pertencer ao mundo sem estar de fato neste mundo tenha sido o golpe de misericórdia sobre minha psique. Nem Clarah sobreviveu no fim das contas - ficou no segundo livro e olhe lá. Preciso de pilhas novas no meu bonequinho do The Sims, preciso voltar ao Cemitério dos Dragões. André À Contragosto. Ainda não desci como Jim Cassidy ("A Garota de Cassidy", David Goodies) mas temo que um dia me pegue no Lundy's Place e é isso que me deixa com crateras no estômago.

Então... me procurem "naquela sonífera ilha", talvez tenha sido para lá que eu fui sem mesmo notar.

***

Present day... Present time...


Quando nos vimos pela primeira vez, eu não era eu. Eu era outra pessoa e ao mesmo tempo era eu. O famoso "André Alternativo". Com o tempo, as alternativas se extingüiram, e no fim restou apenas a versão original, ainda com muitos bugs novos e alguns velhos. Certos vícios não se perdem mesmo com todo o tempo do mundo, não importa o que aconteça.

Começamos como qualquer outro casal não se conhece - não, não falo de internet. Nos conhecendo, apesar da pressa que a situação pedia. Nunca fui adepto de cursos intensivos, mas na matéria dela eu acabei passando com média C. Fui para lugares que nunca imaginei ir - como o tanque, para lavar roupa.

Não a levei para ver o caminho do mar. Ainda sim nos damos bem, na medida do possível "casamento". É só o que posso dizer por enquanto.

Feliz dia dos Namorados, pretinha.

Sem comentários: