quinta-feira, 6 de abril de 2006

... But Then Again, who does?


I woke up this morning and all that i had was gone.

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Eu rasgarei toda noite em que eu ficar puto com a vida um mangá da minissérie "Cowboy Bebop". Spike que me perdoe, só que Yutaka Nanten fez um serviço porco. Aguardem os próximos episódios.

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Those who hunt blood and teeth - parte 2

Os caras de Santa Kátia haviam acabado de chegar e nossa pequena patota estava como numa convenção da Parada do Orgulho Gay. Todos se perguntavam "onde estava o Alfa" e eu sabia patavinas do que aquilo significava. Aos poucos a coisa ficava simples como água - estávamos lá para dar porrada naqueles agrônomos. Simples assim.

Depois de uns dois minutos, decidimos que iríamos pra pancadaria com ou sem o tal Alfa e que Deus decidisse a nossa sorte. Foi então que o tal líder apareceu do meio do nada, como se fosse um fantasma espreitando a todos nós. "Se não fosse por mim mesmo, essa turminha estaria fodida e malpaga. Puta que pariu, parece que o único que tem um pouco de bolas aqui é o tal novato, vai se foder viu", suspirou com um pouco de decepção.

Fomos para a cerca que separava o campo, e lá vimos os caras perfiladinhos como se fosse o maldito hino nacional. Do outro lado estava o líder deles, um moreno com mais ou menos um metro e sessenta, com cara de invocado e de cavanhaque.

- Caio, você sabe porque diabos a gente veio. Larga de viadagem e nos entrega o que a gente quer e ninguém sai sem os dentes aqui.
- Nego, me responda uma coisa. Sinceramente: Quanto você acha que vale isso aqui? Eu tentei vender por quatro reais, mas pelo visto só me deram três. Eu faço um desconto para você: três e cinqüenta. Fechado?


Enquanto isso nos posicionamos do nosso lado da cerca, como se fôssemos espelhos um do outro. Para ironia do destino, tinha do outro lado uma negona de mais ou menos dois metros de altura, do tamanho de uma casa, olhando para mim com um sorriso do tamanho de um X-Tudo e eu fosse a sobremesa dela. Tudo o que me restou foi sorrir de volta com o mesmo nervosismo que qualquer um tem quando vê o primeiro episódio de Happy Tree Friends na sua vida.

De resto tudo aconteceu calmamente como se tudo fosse uma peça de teatro. O portão se abriu, e os nossos correram para dentro da faculdade normalmente e o primeiro agrônomo passou pelo portão. Como eu não nasci ontem, também corri para dentro dos prédios do campus. Só que em vez de todos os outros, eu fiquei louco da boceta e me separei do resto da manada, me escondendo dentro do prédio de Medicina.

Estava só. Estava só e fodido. Estava só, fodido e tinha um bando de malucos querendo ver meus dentes decorarem seus colares de prata de setenta e cinco reais. E pela primeira vez em muito tempo, eu estava feliz. Andava pelos corredores como se eu fosse um personagem de videogame, o próprio space marine do Doom, meu coração pulava feito uma dançarina flamenca, como era a minha primeira ex. Do outro lado do corredor cheio de portas, surgiu o Alfa de Santa Kátia. Com um sorriso macabro em seu rosto, seus olhos brilhavam - eu juro - no meio da noite, só com a luz dos postes lá de fora.

E com um sorriso nos lábios, o primeiro que eu tinha em muito tempo, corri em sua direção enquanto ele vinha ao meu encontro.

(continua)

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