sexta-feira, 21 de abril de 2006

Apenas um Mundo para Cobrar de Volta

Em nome de toda a Nação Sãopaulina, receba nossa homenagem pelo seu 73º ano de uma vida de batalhas e glórias. Obrigado pelas (???) alegrias que nos proporcionou e pelo exemplo de determinação e incansável busca da perfeição dentro e fora dos gramados. Obrigado Telê. Nós te devemos o mundo. - Placa da Torcida Independente cedida a Telê Santana em Julho de 2004. Se fosse um ano depois com certeza ela viria maior e mais floreada.



Bom, estou aqui fazendo uma estúpida homenagem. Como fiz com Hunter, e pretendo fazer quando um dia o Ceifeiro levar outros que me são queridos, conhecidos ou não. Pessoas que admiro, pessoas que direta ou indiretamente contribuíram para algum enriquecimento de minha alma neste Plano.

Mas antes, precisamos do "contexto histórico" antes que qualquer veredicto seja dado. Eu nasci no meio de uma contradição. Meu pai e toda sua famiglia era palmeirense, por inspiração dele próprio e de sua primeira esposa, uma italiana branquela que contrastava com o moreno de sol de todos os outros. Do lado materno, 'gambá' com toda a propriedade que o nome Sport Club Corinthians Paulista pode agregar ao valor de uma família. Tenho um tio, o Tio Didi, que era membro da filial jacareiense da Gaviões da Fiel, que não sei se existe ainda ou não.

Pois bem, nasce o rechonchudo e fica-se no impasse. Existem fotos minhas com camisa do Parmera e do Curíntia aos primeiros meses e anos de vida. O primeiro bolo de aniversário que tenho à memória é de um campinho de futebol com os times do Palmeiras e Corinthians lado a lado. Para desespero de meu pai, depois da festa eu pisava nos verdinhos. Mas ainda não tinha muito bem a identidade futebolística enraizada em meu diminuto cerebelo.

Mas como eu assistia muito à televisão - noticiários esportivos no meio do dia - uma coisa fui reparando naquele "time do São Paulo", até certa manhã no transporte para a Escola um garoto me pergunta para que time eu torcia e as palavras fluíram: "sãopaulino". E era no começo de 91, quando o São Paulo acabara de fazer uma mutreta para continuar na elite do futebol paulista se não me falha a memória cerebral (poderia recorrer muito bem à fontes e fatos, mas esta é uma história subjetiva. Como nos contos de "Anos Incríveis").

Creio que não houve época melhor para se torcer pelo Tricolor Paulista. Semelhante em muitos aspectos aos anos de 94-97 do Palmeiras e 98-2000 e 2005 para o Corinthians, ou os "Anos Robinho" do Prantos F.C. Zetti, Ronaldão como o Xerife de zaga, Cafu, Raí, Leonardo, Toninho Cerezo, Juninho (até o momento a maior negociação com o futebol estrangeiro, "sete" milhões de dólares para o Middlesbrough - creio que até o Bobô com um pouco mais de marketing seria vendido pela mesma quantia), Muller e Palhinha (não é a escalação completa, apenas os que mais chamavam a atenção no momento) e diante de todos eles, Telê Santana.

Na época não sabia que ele era quase o Marechal Rommell dos campos de futebol, não sabia que ele tinha sido vítima da maior injustiça do jornalismo esportivo quando lhe foi imputado a culpa pelo fracasso da seleção de 82 (ou seria 86?), e que novamente deixaria o clube para trabalhar no Palmeiras, para felicidade do meu pai que se vingou por eu ter pisado nos jogadores verdinhos depois da minha festa. Mas, o tempo espana todas as coisas. Até a beleza das pessoas.

Telê, pouco depois de 95 ou 96, novamente minha memória não permite precisar, sofreu uma isquemia cerebral e se retirou da vida futebolística para viver seus últimos dias em paz e sossego. Viveu para ver quase 70 mil pessoas agradecerem do fundo de seus corações fanáticos o trabalho que desempenhou no São Paulo Futebol Clube, com faixas e gritos de guerra.

Bom, ele finalmente se assossegou nessa manhã. Depois de muito tempo agonizando com a ajuda macabra dos médicos que dentro de seu dever tentaram ao máximo prolongar os dias de dor de um homem velho, Telê Santana morreu. Fica a alegria de por dois anos de minha infância ter esculhmabado com toda a propriedade do mundo os torcedores dos outros times. Por ouvir nos dias mais negros da Seleção Brasileira de 94 o nome de Telê ser implorado à CBF no lugar de Carlos Alberto Parreira (que passou por onde depois?) noite e dia até que o infame acordo entre os meios de comunicação e Parreira foi costurado nos bastidores. Coisas como essas fazem bem para o ego da gente - e eu dou graças a Deus por ter escolhido não ser santista...

Sem comentários: