domingo, 12 de fevereiro de 2006

Woke up this morning.

Larry Love precisou de três dias de bebedeira para ter um surto de ir para casa. Eu precisei de apenas quatro horas. Não nasci para beber. Em algum momento subliminar que eu jamais poderei discernir naquela comemoração toda, fui acometido pelo mesmo sentimento de mortalidade breve. Não tinha quarenta e um passos em direção à cova, mesmo tendo os cigarros (quase um maço a cada dois dias) do meu lado para apressar o trabalho do Ceifeiro Medonho, só que ainda sim senti-me evaporando sob a roupa de cem reais comprada sem o consentimento de meu progenitor, com as cervejas quentes e os salgados um pouco rançosos para meu gosto degustativo de bode das montanhas.

Perdi-me nas nuvens de cigarros e pólvora controlada do ambiente de festa, tentando reaver-me ao lado de um anjo inatingível. Olhei para minha santa só que ela estava muito longe de qualquer prece, foi quando eu decidi a contragosto do Anjo fazer o caminho de casa na noite fria, com a companhia do apito de outros carnavais e meu traje formal.

Na alameda universitária, achei ouvir um uivo esperando que o irreal se tornasse real, sem sucesso. Apenas os animais costumeiros que habitam aquelas matas. Um salve para o sagüi de tufo branco, um grande amigo meu dos tempos de faculdade. Tentei me unir ao nada novamente, por iniciativa própria e nada deu certo. Nada deu certo nessa noite. Sonhei com os portões do Céu novamente, para dar de cara com aquele velho cabeludo de sempre. Queria ser como um grande amigo meu que não sonha mais (como na música do Chico) e deixar a vida seguir seu fluxo inexorável, sem remadas ou sem atracações.

E olha que eu vou morar sozinho.

Sabia que um dia isso aconteceria.

Já se sentiu algum dia de sua patética existência como se o ar passasse direto por sua pessoa?

(Quando acordou nessa manhã, tudo se foi
às dez e dez sua cabeça tinha um carrilhão
tocando como um sino da cabeça aos pés,
como uma voz dizendo coisas que você deveria saber.
Noite passada você voava mas hoje está no chão;
Em tempos como esses que fazem você pensar se um dia saberá
A razão das coisas que só parecem aos outros;
esposas, maridos, mães, pais, irmãos e irmãs.
Não desejou que não funcionasse, não desejou que não pensasse
além do próximo salário e do próximo drinque?
Você conseguiu, então se concentre para continuar
pois quando acordou nessa manhã tudo que você tinha se foi.)

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