sábado, 4 de fevereiro de 2006

Momento "Sonhos e Clichês"®


Esse é o nome oficial do blog do meu amigo Deco (na tabela de links ao lado da página), onde a proposta inicial era contar os sonhos psicodélicos e seus desdobramentos no mundo real. Como esse mereceu um pouco mais de atenção por parte do meu consciente, aqui vamos nós num licenciamento.


Sonhei que tinha um carro, só que era o mesmo Uno vinho esculhambado de sempre na cidade de Jacareí. E que poderia levar-me a qualquer canto do mundo. Então escolhi meus dois favoritos aliados e fomos rodando a qualquer lugar que as rodas pudessem nos levar. Vi-me às portas de um luxuoso hotel-fazenda na região de Serra Negra - "ótimo. Pegamos informaçãoes, descemos à cidade e cobramos o dinheiro do Henrique. De lá vamos para outro lugar curtir a noite".

No que entramos, eis que estavam todos os Palestinos (companheiros de República Palestina) trabalhando como garçons, servindo um paraíso de mulheres - algo como um retiro de descanso para as beldades do badalado Sampa Fashion Week - o Fort Knox do "bicho bão". Lembro de comentar com um de meus amigos - "pra mim basta ver a Ellen [Rocche]" mesmo ela não sendo nem modelo ou mesmo atriz segundo línguas maldosas. À medida que entrávamos no salão 'de jantar', encontramos uma mesa livre, mas perto do banheiro masculino e da saída da cozinha (um erro estrutural, diga-se de passagem, visto apenas no Restaurante por quilo STOP em Bauru).

Nisso surgiu um senhor de meia idade, que eu jamais reconheci e jamais reconhecerei de foto ou vídeo, que me cumprimentou apressado (como um dos antigos colegas de trabalho de meu aposentado progenitor) e pediu ao Lagosta (ex-Palestino e garçon) que me levasse uma série de pratos finos, entre eles vitela na manteiga mal-passada (nem sei se isso se prepara dessa maneira, só sei que comecei a agradecer pela boa-sorte de ter um padrinho culinário daquele calibre). Primeiro ninguém acreditou que fosse sério - principalmente porque eu, tanto nos sonhos como na vida real, não gozo de tantos privilégios econômicos assim a ponto de pedir um prato refinado num hotel-fazenda cinco estrelas, mas necessitou o personagem retornar ao salão de jantar para que seu aval na conta fosse realmente levado a sério (e pelo visto ele era figura conhecida dos garçons, menos de mim é claro).

Tanto meus companheiros quanto os Palestinos insinuaram que eu prestava favores sexuais para o estranho e por isso estava sendo pago em comida, clichê dos elefantes nos desenhos animados antigos que são pagos com amendoins. Mandei todos irem se foder e me deixaram só com a comida. Um outro garçon trouxe os pratos de entrada, a farofinha elegante e quando provei o prato principal, suspirei em pensamento: "isso é bom demais...." para olhar ao meu redor e admirar a paisagem, e terminei o infame axioma: "....pra ser verdade".

Nesse curto momento entrei na clássica paranóia do mundo idílico, onde comecei a questionar tantas coincidências, como os dois amigos que me acompanhavam, Serra Negra onde meu ex-companheiro de República Ozogro nos deve uma quantia considerável pelos aluguéis, contas e pela cama e rack que tomou sem pagar na minha ausência, os Palestinos e o emprego de garçon, Ellen Rocche e o prato que eu nunca havia digerido. E o fato que já estou a uma semana sem fazer uma refeição decente em Bauru, lembro de cerrar meus dentes e começar a sentir a dor de como se estivessem soltos e pulando de minha boca, como se eu estivesse dentro de um pequeno tremor de terra.

E voltei pro velho plano de sempre.

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PS: Novamente vamos ver quantos numerozinhos eu faço nesse sábado modorrento. Mas agora fiquei com dúvidas quanto a Dominique, desde que eu soube que ela é vegan. VEGAN? Já me bastou companheiras de Turma freak nessa de macrobiótica. Deve ser uma daquelas que cataloga os absorventes por ordem alfabética e número de lote.

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