domingo, 15 de janeiro de 2006

Das coisas que estão na Disqueteira - Parte 1 de 3

Vai lá Kapranos. Fala na cara dele que é uma histéirca que eu te pago uma cerveja.

Fockin' Shiet!

Cada um elege um álbum que muda sua existência, seu modo de viver, ou simplesmente se rende aos talentos de um cantor e/ou compositor. Deco se rendeu aos Titãs, com seu "Cabeça Dinossauro", Ed paga tributos aos canadenses/britanicos/xabis do Arcade Fire com seu hype musical "Funeral".

No meu caso, como em tudo o mais que aprecio na vida, comecei odiando cegamente. Desde sua primeira aparição no meio "popular" numa matéria do Fantástico mostrando sua marra, eu falei "Alguém deveria dar um tiro nesse puto de inglês. Quem pensa que é afinal?" Dias, meses, anos passam. E começo a achar que Legião Urbana é bom pra começar, mas apenas para começar de algum lugar (apesar de ter começado musicalmente com os LPs do Rei aos seis, sete anos de idade). Depois da "escola primária" U2/Aerosmith e Nirvana/PearlJam com sua poserice e demais falhas comuns no meio musical comercial, entrei no "colegial" do punk clássico de 3 acordes como uma boa forma de começar de algum lugar quando é você que faz a música.

Faculdade. Quebra da perna do punk, ao ver uma menina mimada e cretina da Vila Mariana usando uma camiseta do Bikini Kill, punk para lésbicas americanas. Um pouco de música popular brasileira para poder reaprender que eu, de fato, era brasileiro. Chico, Cartola e Zeca (ninguém é de ferro, porra).

Então no segundo ano, a cena independente. O noise distorcido lo-fi não foi de fato uma perda de tempo, já que acabei por procurar no mainstrem - minha prisão mental eterna - algo que pudesse transmitir um pouco daquele espírito. Oras. Era apenas voltar no tempo. Dez anos para fazer um pequeno resgate.

Levei dez, digo, onze anos para descobrir "(What's The Story)Morning Glory?". Não por ter três músicas chavonescas (Wonderwall, Champagne Supernova e Don't Look Back in Anger), todas elas devidamente videoclipadas. Não por apenas isso. Tinha dez anos e ainda tinha o kick da boa música que faz o cara bater o pé onde quer que esteja. É ter culhão de roubar riffs de bandas como T-Rex, dos pais Beatles (não tão pais assim, se pensar que uma banda de Manchester declara amores por uma de Liverpool, rixa maior que nós paulistas e aqueles vagabundos lazarentos dos cariocas), ter culhão de colocar faixas instrumentais de jam-sessions, apenas de farra, por amor ao jogo. É de fazer aquele álbum no meio do fogo cerrado da imprensa chacal inglesa, é de mandar meio mundo ir tomar no cu enquanto tomava sua Guinness.

Foi isso que procurei há muito tempo. Mais que músicas, mais que riffs e mais que a fama negra que os cerca, trata-se daquela palavra vilipendiada que me nego a pronunciar.

E agora aquela bichinha paga-pau do não menos viado David Bowie, vocalista do Franz Ferdinand vem dizer que Liam Gallagher é uma mulher histérica. Hoje, eu digo: "Quebra aquele viado, véi!"

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