quinta-feira, 8 de dezembro de 2005

"Como ser um Crítico de Rock" - Tradução Magrones

N.A.: Mais um texto elucidativo sobre essa profissão que escolhi e me fodi. Em várias partes.



Ultimamente notei uma nova rusga na paisagem Americana: parece que em toda geração de crianças, cada vez mais jovem, de todos os vivos, um suspira com um desejo: "Eu quero ser um crítico de rock quando eu crescer!" Soa condescendente dizer que eu era um deles; a única diferença era qua quando eu tinha essas aspirações, o campo era relativamente intocado - praticamente nada para esculhambar no começo da carnificina - enquanto agora, claro, está tão entupido que a última coisa que qualquer um deveria considerar é entrar nessa enrascada. Em primeiro lugar, não paga bem e não leva a nada em particular, não importa o quão bem-sucedido seja você, e você irá eventualmente terá que decidir o que fará com sua vida de qualquer maneira. E em segundo lugar, é basicamente uma esculhambação em primeiro lugar, e não particularmente uma coisa gloriosa.

Com certeza, você não irá comer ninguém. (Críticos de rock começaram pegando certas groupies, mas a maioria é de jovens aspirantes a críticos de rock - como os do tipo no Shakin' Street - de um sexo ou outro.) Não te deixará rico: a revista que mais paga na imprensa do rock ainda paga trinta paus a resenha, e a maioria das outras revistas vai pagar menos ainda. Então nunca será capaz de fazer a vida com isso. Ninguém irá te abordar na rua e dizer: "Ei, eu conheço você! Você é Jon Landau! Cara, aquela última resenha foi demais!" Muita gente, de fato, irá te odiar e pensar que você é um palhaço pomposo apenas expressando sua opinião, e irá te dizer na sua cara.

Do outro lado, claro, existem os benefícios. Que são legaizinhos, se você não se apegar a eles. A primeira coisa é que se você ficar nesse esquema o bastante irá começar a ganhar discos de graça no correio, e se você se perseverar ainda mais, você poderá entrar nas listas de correio promocional de cada companhia do país, o que não irá apenas te salvar a pele no dia do pagamento e garantir que você irá ouvir tudo e qualquer coisa que queira, mas irá ajudar a pagar o aluguel no caso de vender alguns discos entupindo sua banheira a preços de cinco centavos a um dólar por cópia. Aunda no Natal você não tem que comprar presentes para ninguém se você não quiser: apenas dê para sua mãe o novo álbum da Barbra Streisand que a Columbia mandou-te por causa da tentativa de promoção da Barbra; para sua irmã mais velha uma das três cópias do novo Carole King que você ganhou do correio, para sua irmã mais nova o duplo dos Osmonds ao vivo que você nunca abriu por ser muito descolado... sempre assim, deixando você com dinheiro o bastante para encher o rabo de uísque nos feriados desse ano.

Outro grande benefício é que cedo ou tarde, se você entrou mesmo nessa putaria toda, é que você será convidado para festas de imprensa para a abertura de novas coisas na cidade. Ajuida para viver em lugares como Los Angeles ou Nova Iorque, porque costumam ter mais nesses lugares; eu conheço algumas pessoas que de fato ficam passando fome por meses a fio para ir em jantares de imprensa e festas todas as noites. (eu sei que outras pessoas que montaram carreiras inteiras para lidar com essas coisas, mas é uma outra história.) A comida costuma ser de boa para magnífica, exceto por algum povinho de calça jeans e a companhia tentando se enturmar servindo porcarias para um bando de ineptos que não se encaixam naquilo; ainda em casos extremos como esses, entretanto, você pode se contentar em enxugar a birita, que é vasta e geralmente de muito boa procedência. Mesmo se vocçe viver em casa ou não tiver nenhum problema depois em manter os lobos longe de sua porta, você pode ficar bêbado de graça e isso sempre é um prazer, mesmo que tenha que se sentar com merdinhas como John Prine ou Osibisa por algumas garrafas de gin. Claro que está se prostituindo de certa forma, mas eles estão também, e o que é mais "businness" moderno, relações sociais ou sexuais senão um processo de exploração simbiótica? É tudo a mesma merda, não importa o quanto mudem, então é melhor esticar as canelas e aproveitar a vista enquanto pode.

(continua)

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