sexta-feira, 30 de dezembro de 2005

2005 foi um ano 'Nice'.

Existe o tempo e existe as outras coisas. 2005 foi um ano joinha, nada de muito apoteótico. Meu tempo de apoteoses passou já faz um tempo, e eu deixo os deslumbramentos para os mais novatos. Antes tudo tinha graça, tudo tinha uma certa magika só que agora é uma farofa só. Acho que eu convivo com velhos demais para ter essa atitude "old pal", só que é assim que a coisa toca.

Foi o ano em que o elenco deu uma enxutada. Saem os de cachê mais alto, apenas participações especiais. Winnie Cooper foi dar uma volta, só que volta-e-meia resolve ganhar seu cachezinho de cem mil e é aquelas sempre: "oi, André. Tchau, André." Blé.

Foi o ano em que descobri atrasado Oasis. E não foi com "Don't Believe The Truth", e sim com "(What's The Story) Morning Glory?" graças aos caprichos de uma sansei do underground que mostrou que "você é o que você come". A despeito do hype MTVítico sobre bandinhas neo-velhas do cenário independente e alternativo, me arrependi amargamente de não ter ido ao Tim Festival, só que mais ainda ao Campari. MC5 e Television não é o tipo de coisa que toca em botecos, e francamente não vi absolutamente nada em Arcade Fire. Coisas da vida.

Foi o ano em que eu li menos desde que resolvi morar num comodo separado por 400 quilômetros de casa. Mas foi o ano que eu comprei mais livrinhos de bolso. John Reed, Buk, Fante, Márquez, Vonnegut, Fonseca, e no próximo da lista vem Lolita. Nada mal, mas antes eu ficava mais deslumbrado com aquilo que lia.

Foi o ano em que eu quis ser Roberto Jefferson.

Foi o ano em que eu fui Roberto Jefferson.

Foi o ano em que eu não matei meus professores, apesar de ter matado aula como um psicopata.

Foi o ano em que o coração esteve com um pé em Bauru, outro em Guarapuava, outro em São Paulo, outro em Guarulhos, outro rapidamente tocou em Quilmes, Argentina. No último caso, prefiro não comentar o assunto em questão. Nos anteriores, lembra do "Você é o que você come"? Pois então.

Whatever. Esse foi um bom ano, no fim das contas. Obrigado, Boss.

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Cinco coisas boas desse ano de 2005:

5) Fiquei mais perto do fim da faculdade. Não tão perto, mas ainda sim eu consegui ficar mais perto.
4) Melhorei meu repertório no fim das contas.
3) Sou tio, novamente. De um jovem marrento e cabeçudo, que gosta de olhar pra tudo. Ainda sim vale a pena.
2) Bolsa de estudos, classificado para as finais do Curso Abril. Não foi um desperdício acadêmico, no fim das contas. Consegui diminuir a fonte do meu currículo, enfim.
1) O motivo por eu me apegar tanto a esse tipo de lista. Não é, Winnie Cooper? ---@

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