terça-feira, 1 de novembro de 2005

HELL DRIVE.


Ele olha nos olhos dela com uma ponta de saudade. Quer voltar aos velhos tempos, mesmo que isso seja impossível de se acontecer.

Ela olha nos olhos dele se lembrando do show e do mandamento que Liam uma vez disse e que ela quebrou. "Please don't put your life in the hands of a rock n' roll band. They'll throw it all away".

Ele fuma um cigarro com sofreguidão na janela de casa, olhando para a rua e vendo os carros passarem.

Ela corre pela rua na chuva, pensando em liberdade e como seria bom tomar banho de chuva toda nua no jardim dos fundos.

Ele vai ao encontro dela, com uma camisa de segunda mão e muitas boas-intenções.

Ela vai ao encontro dele, achando que aqueles olhos de vidro cortado poderiam lhe render boas histórias numa rodinha de cerveja e maconha dali a alguns anos.

Ele acha que será dessa vez.

Ela acha que ainda não é dessa vez. Só que nunca é bom desmanchar os sonhos dos outros.

Ele não acredita mais em cegonha, por isso ele acredita que filmes pornôs são a melhor maneira de dizer "eu te amo".

Ela acredita em cegonha, por isso continua pedindo conselhos pelo telefone sobre como fazer com que o ódio se torne amor.

Ele conhece ela, que conhece ele, que conhece ela.... Sempre o círculo. Samsara.


(Esta é uma obra de ficção, apesar de ter elementos de realidade. Culpa de Kurt Vonnegut.)

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