sexta-feira, 25 de novembro de 2005

Back on Track.

Bom, já que pediram, eu vou começar a verborragia.

1) Minha feliz e pipocante entrevista para o Curso Abril de Jornalismo.

Quando se tem 22 anos e se estuda na Unesp, fazer um estágio é motivo de festa. Inclusive com a "Dança da Vitória" na noite que soube que meu teste preliminar havia sido satisfatório. Com duas mochilas abarrotadas de roupa, voltei para o Forte para a preparação. Incluindo dois maços de cigarros, uma saída na noite joseense e momentos de reflexão no Banhado - belvedere natural do Vale do Paraíba. Tudo para a maratona que seguiria.

Conte um ônibus que parou em cada moita de Jacareí a São Paulo. No trânsito da Marginal Tietê, aquele mesmo que vive falando no jornal. Duas horas. Desesperado, e ciente que ônibus e metrô são os primeiros a te deixar na mão, dei uma de "Boça" e peguei um táxi. Sorte que eu usei a senha maçônica dos taxistas em casos como esses:

'E o curingão, chapa?'

Depois disso, a viagem foi completamente rápida e segura. Cheguei na marca do tempo (achando que não teria tempo o suficiente) e chego no singelo prédio da Abril. Existe um truque ensinado no livro "Mangaká" de Akira Toriyama (criador de Dr. Slump e Dragon Ball) que ensina como superar o medo de palco em momentos assim - quando se depara com um prédio enorme e dependendo de seu talento para aparecer: "pense num prédio maior". Foi o que fiz, mentalizei o prédio da Poderosa e coloquei a cabeça lá no alto, como o Chaves faria. Na entrada, o Sr. Civita entrou comigo. Sr. Civita, o dono da budega. Fui realocado para outra atendente, que me mandou para o lugar certo.
Agora imagine como é estar na sala de espera do entrevistador do seu provável futuro-emprego. Oras, quem não quiser ser grande, que enfie sua hipocrisia no canal (ao contrário do Netinho, que não deixa nenhum branquelo tirar onda com seu canal de negrão, que não é pra preibói.). Tudo ia bem, quando bati os olhos na lista dos entrevistáveis do dia. Ele estava lá. O poeteiro, o Sr. "Folha de Avaré". Deus, tudo isso é por causa dos caretas? Porque parei para olhar as meninas no meio-fio da Nelson D'Ávila? Só porque não bebi suco de limão no churrasco dos crentes? Mardade, hein?
Mas deixemos as pressões de lado. Eu, modéstia a parte, estava bem-alinhado, ao contrário do hippie-sujo-rajneesh que todo mundo conhece na Cidade Sem Limites. Coisa que poderia pedir um empréstimo no banco e eles lamberiam minhas bolas de brinde. E lá vamos nós. Primeirão. Com o Sr. Marcelo Carneiro, repórter da Veja. Tirando um lance digno de esquete do Chaves (ainda me lembro hoje da esquete do Chespirito na entrevista de emprego, que passava junto da primeira versão da encenação de Don Quixote), tudo foi conforme o esperado. Deixei o Jornalirista e sua cidade de cristal a caminho. Eu merecia um cigarro e uma cerveja naquele instante.

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2) Una Bolinha de Gorfe (no sotaque do Leoncio do Pica-Pau)

Primeiro foi Gunbound. Depois Ragnarok. Agora é essa porqueria de Pangya. (pronuncia-se "Pânguia".) É um jogo online de golfe. Isso mesmo. Puta esporte burguês da porra. Mas legalzinho, simples e viciante. E o melhor de tudo, sem chances ainda de aparecerem trapaceiros. Muito no clima "compre coisas, vença torneios". Só que francamente... é legalzinho.

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3) "Mandrake" ou "Como Se Escrever Um Roteiro de Detetive."

Rubem Fonseca não é de graça o Raymond Chandler dos trópicos. O cara sabe como escrever, mesmo estando velho para os padrões da narrativa atual. Ainda sim que tenha menos sangue que o comum, ainda manda bem, e "Mandrake" é a prova disso. Esta é uma minissérie produzida pela HBO com um elenco de globais emprestados em histórias sobre chantagem, sexo, mentiras, reviravoltas de elenco e muito jazz.
Aguardem as Resenhas respectivas do primeiro e do terceiro episódios, cortesia de Sr. Lesh.

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4) Novo projeto?

O que aconteceria se misturasse "O Vampiro que Ri" de Suehiro Maruo, os contos de Nelson Rodrigues e as pernocas boas das estudantes pseudocolegiais do dramalhão chicano teen "Rebelde"?

É o que ainda vamos descobrir. Aguardem.

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