segunda-feira, 17 de outubro de 2005

Moody Songs.

Hornby disse por intermédio de um de seus personagens que usamos a poesia dos outros para compor a poesia de nossa vida. Não exatamente com essas palavras e com esse contexto, mas sempre é bom deixar um crédito para os outros. Por isso quando estava em 2003 eu criei essa pequena coletânea. Moody Songs. Dezessete canções. Todas de amor, de um jeito ou de outro. Usando a poesia alheia.

Vamos por partes.

Música um. EU SEI que tudo isso é uma besteira, mas ainda sim comecei. Uma sala, numa noite de fim de verão. Um olhar, uma candura que eu jamais deveria ter experimentado. Pelo menos naquela época. Não adianta, sempre nunca saberemos o que fazer. "Mas não não vá agora, quero honras e promessas, lembranças e histórias". Eu nunca soube direito como reagir diante daquilo, foi o começo do meu inferno real. Ela talvez não merecesse aquilo. Mas agora tudo está bem. Ainda bem, não?

Musica dois. Bon Jovi. Meu pecado. O mal gosto. O que posso fazer? Pelo menos não é o hino da breguice que é I´ll Be There For You. Algo mais brega ainda. Eu queria deitá-la numa cama de rosas, afinal de contas nós dois éramos novatos e destemperados no quesito emocional. C´est la vie. Por mais incrível que pareça, ela que me deu o golpe final.Sonhava ser o homem da vida dela, assim ela poderia ser a mulher da minha vida. Só que as coisas não funcionavam tão simplistamente assim. "I wanna be, just as close is, the Holy Ghost is, and lay you out on a bed of roses".

Três. The Real Folk Blues, Seatbelts. Cowboy Bebop. Numa rua molhada no Vale do Paraíba, correndo pela rua e desviando das putas de Hades, com a HellGirl. Deveria ter aprendido daquela vez a nunca mais me meter com meninas que possuem como musa a Faye Valentine. Mas não, eu tinha que ser o cara suuuuupersensível que tentava conquistar com versos como "Doredake ikireba iyesareru no darou?" (Até quando isso seguirá até eu ser remido?). Não doeu tanto dessa vez como foi da primeira. Como me deitar num rio caldaloso.

Number Four. Iris. Essa mesma, do filme mela-cueca com a Ryan. Malditos filmes agua-com-açúcar. "You're the closest to Heaven that I´ll ever be". Era assim naqueles dias do ano de veterano. Eu só queria tê-la ao meu lado, nem que pra isso eu ficasse sem mais uma gota de sangue nas veias, batizando-a nos caminhos dos Vampiros Anarquistas. Patético. Eu sei. Mas ainda sim é como pizza de atum. Todo mundo torce o nariz, mas meio que escondido, pega um pedaço quando a fome aperta. Me lembro invariavelmente da Balada dos Anjos Caídos, episódio cinco do Bebop. Por causa do Anime Music Video que fizeram. Muito bom.

Cinco. Jogo sujo. Cuando Nadie me Ve, ela aparece. Ela é a dançarina flamenca. E assim como eu tenho um caso de amor com o Nippon, ela tem com a Espanha. A letra é autoexplicativa. Nos dias seguintes do golpe final. Ainda guardava o único anel que comprei nessa vida para celebrar uma união. Não saberia se não tentasse.

Seis. Yesterday. Dos tempos de Jacareí. Minha despedida de tudo aquilo que era bom. "Why she had to go? I don´t know, she woulnd't say. I said something wrong, now i long for Yesterday." Foi tão bom e tão forte que TINHA que ser efêmero. Sabe como é. O amor ainda era um jogo fácil de jogar, então eu tive que ir para um lugar me esconder.

Sete. U2. A primeira que não tinha uma pretendente antiga envolvida. Uma música profética. "Let me love you true, let me rescue you, let me bring you to where two roads meet". Para mim era a mais fodida declaração de amor que poderia existir, desde "Heroes" do Bowie. Afinal de contas, todo homem quer ser o herói de sua Lois. O solo de guitarra no verso final é o que me empurraria para uma "suicidal killin' spree" no melhor estilo "gangster".

Agora a oito. Oasis. Stand By Me. Para duas ocasiões. Para a HellGirl novamente, que gostava dos Gallagher Bros, e também para uma noite que senti a Noite me dar um tapa na cara. "Acorde, a vida continua para todo mundo. Inclusive para ela". Foi na noite que eu realmente senti que tinha "perdido Stalingrado" para um outro cara. Apenas o começo do fim. Por isso, pedia para deus que ela ficasse comigo. Afinal, ninguém sabia como as coisas seriam dali pra frente.

Nove. Leavin' on a Jetplane. Achava erroneamente que era da Janis. Noob. Mas de qualquer maneira, era algo que me chamava a atenção para a doçura em que ela deixava a casa. Era como se fosse um acordo mútuo, algo que não doeria para ninguém. Não uma despedida, um "até logo". Oh babe, eu odeio ter que partir. Queria ter ficado. Mas não deu. Sabe como é.

Dez. Verve. A única que o povo mais conhece. A regravação do Stones que ficou melhor que a medida. Andando pelas ruas, esbarrando em nove de cada dez pessoas, seguir o único caminho que tinha para seguir, Comprar brigas e atenção nem que fosse com cheques sem-fundos. No arrasto do ar, as coisas que deixariam André Diniz como André Diniz.

Onze. Para a garota que realmente não merecia aquilo. Resposta, Skank. "Bem mais que o tempo que nos perdemos, ficou pra tras o que nos juntou. Ainda lembro que eu estava lendo, só pra saber o que você achou dos versos que eu fiz. E ainda espero resposta". Ela REALMENTE NÃO MERECIA O INFERNO QUE EU A FIZ PASSAR. Mas nessas coisas, a gente nunca sabe o que de fato está fazendo.

Uma dúzia - como diria o Galvão Bueno. Under the Bridge. Pós-Carol, andando pelo lado escuro da lua nova, me escondendo nos viadutos da Cidade Sem Limites. Bebendo pelos piores becos que poderiam imaginar, comendo cachorros-quentes com moleques de rua, comprando a minha felicidade por vinte e cinco moedas de prata e ouro. Odiava tudo e todos de tal maneira que o que eu fazia não tinha razão de ser ou de se explicar na época. Amar machuca um pouco, não amar machuca um pouco mais, eu acho. Me leve para o lugar que eu amo, me leve até lá. Por entre ruas escuras e viadutos sujos, existia Bauru, a Cidade dos Demônios.

Treze. Senhoras e senhores, por favor, deem boas vindas ao The Corrs. Só quando eu conseguia colocar a cabeça no travesseiro do colchão jogado na edícula conseguia um resquício daquilo que tinha sido tão bom e tão forte, mais forte que da primeira vez. Tanto que custou minha sanidade por exatos quatro meses. Da primeira vez. Você me deixava rodopiando por voltas e voltas, virando tudo de pernas pro ar. Mas era apenas quando eu dormia.

Quatorze. Vangelis. Um clássico jamais morria, Blade Runner na veia. Sonhava com um dia ter um apartamento no centro velho de SP, nem que fosse um kit do Copan, poder apanhar uma garrafa de vinho e ficar pelado diante da janela vendo a miríade de luzes da cidade. Depois de uma bela NOITE DAQUELAS, claro. Não precisaria ser ao som de Vangelis. E o melhor que eu consigo é ver a minha vizinha se exibindo pro pessoal dos outros blocos com uma calcinha e um top. E a van de lanches debaixo do meu nariz.

Quinze. Estamos chegando lá. Hey Joe, aonde você vai com essa arma na mão? Eu estava babando de raiva. Eu a pegaria. Eu pegaria o namorado dela. Eu enfiaria o título de adevogado rabo adentro dele. E eu me sentiria muito feliz por isso. Só que eu não teria para onde correr. Problemas de se viver um amor louco. Principalmente quando você é o louco.

Dez e Seis. E o amor, não é fácil. A única bagagem que pode levar. E a única coisa que pode levar é o que não se pode deixar para trás. Demorei para entender essa parte. A única coisa que não se deixa para trás somos a porra de nós mesmo. Sem isso, não há mais nada para se lembrar. Siga em frente, Bono disse isso.

Acabou. Realmente. Naquela noite tudo acabou. Ela me odiou, eu a odiei. Mas mesmo assim, enquanto discutiamos friamente pela tela do computador, eu não derramei uma única gota de água dos meus olhos. Por mais que eu quisesse fazê-lo. Eu a queria de volta, eu imploraria seu perdão, eu faria de tudo mas eu tentei desdenhar daquilo tudo, afinal de contas os meninos não choram.

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