segunda-feira, 4 de julho de 2005

Mais vale....

.... ser um senhor com uma "má educação" que uma bicha com diploma cheio de méritos.

Quase começou como aquele filme do Almodovar. Quase. Aquele filme em que o molequinho é currado pelo padre na infância no seminário. E fico imaginando o que teria acontecido se ele tivesse fugido de lá quando o padre tentou beijá-lo naquele passeio na fazenda.

Qum sabe ele voltasse para tomar uma surra da família dele por ter "perdido uma oportunidade de ser alguém na vida". O homem inteligente dá ou dá porque é inteligente? Falcão uma vez perguntou isso em uma de suas músicas. Ele voltaria pra trabalhar como um burro nos campos, construindo casas e mais casas de material barato para poder comer carne no fim do mês aos doze. Aos dez, antes disso, andaria com gangues de moleques na sua vila em algum lugar da Andaluzia e seria quase mandado para o Reformatório. Talvez ele tivesse um pouco de ambição para comer carne duas vezes por semana e tentasse entrar numa fábrica de rifles. Só que não entram analfabetos na fábrica de rifles. E passasse a estudar para subir de cargo na fábrica. Conheceria um rifle como poucos, saberia que a diferença de 0.05mm no sistema de ferrolho de um CETME modelo L poderia diminuir a "segurança" da arma em uma porcentagem X

E conhecesse aquela loira italiana de olhos verdes, vinda do Norte da Itália que acabou sendo a sua primeira companheira num futuro próximo dali. E ele a abandonaria em parte do dia para lhe prover o pão que Jah não dá como na música do Bob Marley. Aos dezoito, faria parte do Exército Franquista. Aos vinte e um, as bodas. Aos vinte e cinco, a obsessão para ser maior, e maior. Não seria nunca mais questionado. Nunca mais iriam tentar comer seu cu. Na resignação que só os samurais e os senhores dos Feudos da Idade Média possuíam, ele punha-se a construir seu castelo tijolo por tijolo.

E o seu casamento esfriasse aos poucos, da chama para a vela. Seria Inacio, o garoto do filme do Almodovar, agora crescido, expulso de sua própria casa por não ter dado a bunda quando criança? Vagaria ele pelas cidades procurando uma forma de se firmar, indo parar na casa de um tio onde se apaixonaria cegamente (e novamente) por sua vizinha franzina e branquelinha? E que Inácio choraria mais pela morte desse tio, que o recolheu em seu pior momento que viria a chorar no aniversário do luto de seu próprio pai?

Conseguiria Almodovar criar cenas como a do Concílio dos Filhos de Sangue Inteiro em busca do direito aos espólios do velho que se tornou uma lenda na fabricação de armas espanholas? Saberia ele arquitetar as tramas intrincadas de amor e ódio entre os dois lados da Casa de Inácio? Deixar claro que não há linhas entre o interesse e a afeição pelo pequeno "bastardinho" nas palavras do próprio?



Eu acho que não. Almodovar não conseguiria. Tudo o que ele consegue fazer são filmes sobre viadagens dos seus tempos de moleque, Carmen Maura e sonhos eróticos que ele tem com o Antonio Banderas.

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