domingo, 17 de julho de 2005

Bem-aventurados sejam os criadores do Blogger®.

Bem-aventurados sejam aqueles que criaram este espeço, pois eles herdarão a New Yorker. Pensar que em apenas alguns servidores de metal e silício podem-se realizar os sonhos de milhares e milhares de pretensos poetas, escritores, fotógrafos, ensaístas, etc..., é algo digno de merecer os portões do Céu abertos. Fico imaginando também toda a sorte de cretinices que surgem. Mas, ironicamente, cretinices surgem de uma maneira ou outra.

Como parte de minha doutrinação Sith para a campanha do TCC, eu tenho que ler alguns livros. Um deles foi, como meu parceiro de empresa disso, "o melhor livro que eu já li em minha vida". Bate os livros do Mirisola. Com certeza. "O Segredo de Joe Gould". Em linhas gerais:

Na Nova Iorque dos anos trinta, no bairro do Greenwich Village havia muitos intelectuais de meia-esquerda, sabichões, boêmios, libertinos-do-Bulhões, e demais tipinhos que hoje encontraríamos como iguais na Rua Augusta e demais ruas "alternativas" de São Paulo. Mas havia um que se destacava na multidão de sabichões. Joseph Ferdinand Gould. O que o colocava adiante dos outros? Ele era um mendigo. Mas não um mendigo qualquer. Não é todo dia que se encontra um mendigo que possui um diploma universitário. Em Harvard. Sua excentricidade chamou a atenção de Joseph Mitchell, repórter da New Yorker (revista de literatura e cultura mais influente dos Estados Unidos, na época e ainda hoje existe) para a criação de um perfil sobre tal figura. Corriam lendas que este mesmo vagabundo letrado estava em uma campanha para escrever o que viria a ser o "maior livro da Humanidade", que seria "A HISTORIA HORAL DE NOSSO TEMPO", ou "A HISTORIA ORAL". Um relato de tudo o que aconteceu fora dos gabinetes, dos escritórios dos grandes bancos, de tudo aquilo que se torna a História oficial. Seria mais ou menos como um Raio-X de seu tempo. Sempre viam o magrelo vagabundo, careca e barbudo, encostado em alguma mesa de bar, em algum canto da rua, nas praças com seu portfólio e com seus cadernos rabiscando algumas letras ilegíveis em seus cadernos sujos.

O livro basicamente se compõe em duas partes: "Professor Gaivota", perfil que foi veiculado na revista em 1942 e "O Segredo de Joe Gould", que foi escrito para o livro, vinte anos depois, contando o "making-of" da matéria que lançou o andarilho para o mundo. Esta foi a última obra de Mitchell que logo em seguida se aposentou e largou mão dessa carreira infame que é a de Jornalista.

Para não estragar a surpresa, vou fazer como aquela turca do X TUDO (ou como o Tim Maia Racional) e dizer: "Leia o Livro".

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