quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005

Certo, certo. Devagar com o retorno. Uma pequena ficção pra retomarmos o gosto, certo?

"O que se pode deixar para trás"

- Vem comigo.
- Não posso.
- Então me desenha o motivo.
- Só não dá.
- Não sei se você é imprevisível demais ou teimosa demais.
- Sou eu. Mas o que você quer de verdade?
- À bem da verdade...
- Tá vendo? Por quê é tão teimoso com essas coisas?
- Sou eu.
- Vai ficar bem?
- Melhor do que você, eu imagino.
- Tá na hora. Vê se-
- ".... me manda um sinal quando chegar lá". Pode deixar.


Ele atravessou o portão de embarque tentando não olhar para trás. Estava indo para casa. Sacou os fondes do tocador de MP3 do bolso, que ainda as músicas que ouviram juntos todo aquele tempo. E uma música de baile o acompanhou no trajeto até o avião. Seus pés ardiam como se andasse num tapete de brasas tuaregue. Seus óculos teimavam em ficar embaçados. Seu peito se retorcia como se o diafragma tivesse enlouquecido. Enquanto entrava no avião, por um momento sucumbiu à tentação e olhou para trás. Ela não estava lá. Ela jamais estivera lá. Não poderia estar lá.

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