segunda-feira, 28 de fevereiro de 2005

Ato do Dia - Em Memória de Gonzo Man.



Faz já algum tempo que Hunter Thompson, jornalista e doidão por escolha em ambos os casos, bateu as botas com uma bala no coco em seu rancho fundo em algum lugar do Colorado. O homem que mudou o jeito de se escrever uma notícia, tirando dela o ranço e a babaquice de ser "imparcial, objetivo" além de todas aquelas panaquices que são ensinadas na faculdade, teve um fim paradoxal sem sombra de dúvida.
O homem que escreveu com o coração fincado na “True America” (não essa “America” que surge nos jornais desde 2000) decidiu que não podia mais fazer nada pela terra de seus sonhos. Que tudo fora perdido numa corrente de esgotos cristãos-inquisidores e hipócritas-maconheiros que agora tomavam conta de seu lar e sua cama. Não podia mais ser Hunter Thompson num mundo de guerras preventivas, sexo postergado e pudores da classe média de cerca branca e quintal gramado. Não se podia mais ser um homem com ideais e sonhos, mesmo que eles quebrassem a barreira da moral e dos bons-costumes. Se sua America era tendenciosa, castradora e demagoga, algo que seu "colega de cruzada" Michael Moore fez tanta questão de mostrar em seu último filme, ele decidiu racionalmente que não poderia vencer o mundo de George Walker Bush sozinho. Seus heróis e companheiros morreram não apenas de overdose, mas de velhice, de esquecimento, de descaso para com um pouco de realidade.
Ele não suportou o fardo e a responsabilidade de ser o único homem de verdade naquele inferno em fogo brando. Como o general que se mata antes que seus inimigos possam ostentar seu cadáver com orgulho, Mr. Gonzo decidiu que nenhum verme iria triunfar sobre sua carcaça. Aquele dólar não seria tomado dele. Com uma bala de revólver, num direito assegurado por sua Carta Magna, e com o mesmo direito que o levou a atirar contra os helicópteros de mexeriqueiros da pretensa Mídia que sobrevoavam seu último refúgio nos arredores de Aspen, Hunter Thompson teve o maior barato de sua vida e saiu da vida para se tornar um mito, como um El Cid de piteira e óculos Bausch & Lomb.Hunter nos deixa órfãos de seu sarcasmo e de seus textos puros, "ainda mugindo" de tão mal-passados. Ficamos carentes de seu sangue viciado. Nos tornamos, por tabela, um pouco mais caretas.

1 comentário:

saddam gos disse...

já disse q ficou do caralho né?! to voltando a escrever, se liga nesse post...
http://navecaiu.blogspot.com/